Cada um tem de Mim Exatamente o que Cativou e

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Menino chorando na noite
Na noite lenta e morna, morta noite sem ruído, um menino chora.
O choro atrás da parede, a luz atrás da vidraça
perdem-se na sombra dos passos abafados, das vozes extenuadas.
E no entanto se ouve até o rumo da gota de remédio caindo na colher.
Um menino chora na noite, atrás da parede, atrás da rua,
longe um menino chora, em outra cidade talvez,
talvez em outro mundo.
E vejo a mão que levanta a colher, enquanto a outra sustenta a cabeça
e vejo o fio oleoso que escorre pelo queixo do menino,
escorre pela rua, escorre pela cidade (um fio apenas).
E não há ninguém mais no mundo a não ser esse menino chorando.

Suponho que nunca teria visto um homem; não sabia, portanto, o que era o homem.

Machado de Assis
Memórias póstumas de Brás Cubas (1881).
Inserida por milenasoares

Voltou-se e mirou-a como se fosse pela última vez, como quem repete um gesto imemorialmente irremediável. No íntimo, preferia não tê-lo feito; mas ao chegar à porta sentiu que nada poderia evitar a reincidência daquela cena tantas vezes contada na história do amor, que é história do mundo. Ela o olhava com um olhar intenso, onde existia uma incompreensão e um anelo, como a pedir-lhe, ao mesmo tempo, que não fosse e que não deixasse de ir, por isso que era tudo impossível entre eles.
Viu-a assim por um lapso, em sua beleza morena, real mas já se distanciando na penumbra ambiente que era para ele como a luz da memória. Quis emprestar tom natural ao olhar que lhe dava, mas em vão, pois sentia todo o seu ser evaporar-se em direção a ela. Mais tarde lembrar-se-ia não recordar nenhuma cor naquele instante de separação, apesar da lâmpada rosa que sabia estar acesa. Lembrar-se-ia haver-se dito que a ausência de cores é completa em todos os instantes de separação.
Seus olhares fulguraram por um instante um contra o outro, depois se acariciaram ternamente e, finalmente, se disseram que não havia nada a fazer. Disse-lhe adeus com doçura, virou-se e cerrou, de golpe, a porta sobre si mesmo numa tentativa de seccionar aqueles dois mundos que eram ele e ela. Mas o brusco movimento de fechar prendera-lhe entre as folhas de madeira o espesso tecido da vida, e ele ficou retido, sem se poder mover do lugar, sentindo o pranto formar-se muito longe em seu íntimo e subir em busca de espaço, como um rio que nasce.
Fechou os olhos, tentando adiantar-se à agonia do momento, mas o fato de sabê-la ali ao lado, e dele separada por imperativos categóricos de suas vidas, não lhe dava forças para desprender-se dela. Sabia que era aquela a sua amada, por quem esperara desde sempre e que por muitos anos buscara em cada mulher, na mais terrível e dolorosa busca. Sabia, também, que o primeiro passo que desse colocaria em movimento sua máquina de viver e ele teria, mesmo como um autômato, de sair, andar, fazer coisas, distanciar-se dela cada vez mais, cada vez mais. E no entanto ali estava, a poucos passos, sua forma feminina que não era nenhuma outra forma feminina, mas a dela, a mulher amada, aquela que ele abençoara com os seus beijos e agasalhara nos instantes do amor de seus corpos. Tentou imaginá-la em sua dolorosa mudez, já envolta em seu espaço próprio, perdida em suas cogitações próprias - um ser desligado dele pelo limite existente entre todas as coisas criadas.
De súbito, sentindo que ia explodir em lágrimas, correu para a rua e pôs-se a andar sem saber para onde...

Vinicius de Moraes

Nota: Trecho de Separação, Para Viver um Grande Amor

Inserida por relendo

Mas para isso precisaria de um gênio criador, porque teria de carregar o homem de qualquer coisa, da mesma maneira que eu o carrego de uma inclinação para o mar que fará dele construtor de navios. Só assim cresceria essa árvore que depois se iria diversificando. E ele havia de pedir de novo a canção triste.

Inserida por gtrevisol

Não seria propriamente um efeito da arte, concordo, e sim da natureza; mas que é a natureza senão uma arte anterior?

Machado de Assis
Gazeta de Notícias, 18 nov. 1894.
Inserida por julianemaciel

CÂNTICO

Não, tu não és um sonho, és a existência
Tens carne, tens fadiga e tens pudor
No calmo peito teu. Tu és a estrela
Sem nome, és a morada, és a cantiga
Do amor, és luz, és lírio, namorada!
Tu és todo o esplendor, o último claustro
Da elegia sem fim, anjo! mendiga
Do triste verso meu. Ah, fosses nunca
Minha, fosses a idéia, o sentimento
Em mim, fosses a aurora, o céu da aurora
Ausente, amiga, eu não te perderia!
Amada! onde te deixas, onde vagas
Entre as vagas flores? e por que dormes
Entre os vagos rumores do mar? Tu
Primeira, última, trágica, esquecida
De mim! És linda, és alta! és sorridente
És como o verde do trigal maduro
Teus olhos têm a cor do firmamento
Céu castanho da tarde - são teus olhos!
Teu passo arrasta a doce poesia
Do amor! prende o poema em forma e cor
No espaço; para o astro do poente
És o levante, és o Sol! eu sou o gira
O gira, o girassol. És a soberba
Também, a jovem rosa purpurina
És rápida também, como a andorinha!
Doçura! lisa e murmurante... a água
Que corre no chão morno da montanha
És tu; tens muitas emoções; o pássaro
Do trópico inventou teu meigo nome
Duas vezes, de súbito encantado!
Dona do meu amor! sede constante
Do meu corpo de homem! melodia
Da minha poesia extraordinária!
Por que me arrastas? Por que me fascinas?
Por que me ensinas a morrer? teu sonho
Me leva o verso à sombra e à claridade.
Sou teu irmão, és minha irmã; padeço
De ti, sou teu cantor humilde e terno
Teu silêncio, teu trêmulo sossego
Triste, onde se arrastam nostalgias
Melancólicas, ah, tão melancólicas...
Amiga, entra de súbito, pergunta
Por mim, se eu continuo a amar-te; ri
Esse riso que é tosse de ternura
Carrega-me em teu seio, louca! sinto
A infância em teu amor! cresçamos juntos
Como se fora agora, e sempre; demos
Nomes graves às coisas impossíveis
Recriemos a mágica do sonho
Lânguida! ah, que o destino nada pode
Contra esse teu langor; és o penúltimo
Lirismo! encosta a tua face fresca
Sobre o meu peito nu, ouves? é cedo
Quanto mais tarde for, mais cedo! a calma
É o último suspiro da poesia
O mar é nosso, a rosa tem seu nome
E recende mais pura ao seu chamado.
Julieta! Carlota! Beatriz!
Oh, deixa-me brincar, que te amo tanto
Que se não brinco, choro, e desse pranto
Desse pranto sem dor, que é o único amigo
Das horas más em que não estás comigo.

Inserida por MarcusBraz

Tamanha fortuna cobria com um manto de ouro todas as ações daquele homem.

Inserida por polianapb

Há maquinas terrívelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um cachuto aperte um botão,
Paletós abotoam-se por eletricidade,
Amor e faz pelo sem-fio,
Não precisa estômago para digestão (...)

Inserida por tuud

Niguém pode se queixar
de não ter um amigo,
podendo ter um cão.

Inserida por Larykelly

“Quem ama à primeira vista, trai a cada olhar.”

O TEMPO E SUA FUGACIDADE

Ao raiar de cada dia, vem-me claro, o pensamento: "mais uma noite se passou para eu chegar até Ti. Menos um dia restou para eu ficar aqui.

A cada dia mais entendo, a cada dia compreendo. O meu tempo chegou desde que eu fui parido. Eu despojo tudo o que sou, eu sou bem muito mais que tenho. Pois sei que agora é a hora, o hoje é o tempo de crescer.

“Cada instante que passa é uma história…Depende do que você vai fazer depois com ela.”

Minha energia se renova a cada dia.
Meu poder cresce no desafio.
Minha capacidade de amar se expande através de todas as minhas relações.
Minha motivação é me tornar melhor que eu mesmo todos os dias.
Eu agradeço todos os dias por tudo que chega até mim.
Eu entrego, confio, aceito e agradeço.
Me adapto e aprendo com tudo ao meu redor.
Me sinto cada vez mais conectado.
Estou pronto para mais um dia!

O impossível é um paradigma que limita você de alcançar os seus objetivos, quebre-o e descubra a sua melhor versão.

Inserida por marcos_brigida

um amor que me consome e não me dá nada de volta.
jogo minha essência e tudo de mim no lixo quando não posso expor pra você o que sinto.
criei um amor que corrói meu peito enquanto devora minhas células.
minhas lágrimas já sabem o caminho que devem percorrer e que elas vão se secar sozinhas.
eu poderia dizer que o motivo da minha dor é você, mas seria mentira, porque a culpa é só minha.
inventei um amor, te construí na minha mente e preguei seu sorriso no coração com meus ossos.
agora dói pra tirar.
não posso te obrigar a me amar e suas intenções são boas, mas não me abrace mais.
não pegue na minha mão ou beije a minha bochecha porque é cruel comigo provar um petisco quando eu quero o banquete todo.

eu não ligo de ter
entrado na sua lista,
porque é só mais um nome,
assim como você é pra mim.
você é só mais uma boca.
você é só mais um.
– desculpa se eu não
me joguei aos seus pés.

Lembro-me claramente como era a dor...
A tal insuportável "dor" causada somente por mim a outra pessoa a pessoa que devia ser a única que nunca seria machucada por mim.


Falando assim mesmo ferida~
Ele seguiu sua vida tão fácil porque não poderia fazer o mesmo.


Mais o tempo não permitiu eu teria que passar por aquelas memórias da dor insuportável.

como amei?
se nem a mim mesma amava, quase impóssivel de ser verdadeiro esse amor, por isso magoado foi.

aquilo que nem deseja a ti mesmo como desejas ao teu próximo?

~Me inspirando em mim mesma ultimamente, pois me inspirando nos outros fui infeliz.~