Dia Nacional do teatro

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⁠AO PÉ DO OUVIDO

Eu fui confidenciar, lôbrego, o meu pesar 
À velha lua, branca e nua, no céu viçosa
Na noite acordada, supondo que ao falar
Teria o trovar solto duma queixa amorosa

Não quis sequer atenção, então, prestar 
No celeste ali estava e, ali ficava gloriosa
Mas, pouco a pouco, num súbito quedar
Vendo um ciciar, pôs a me ouvir cautelosa:

Entre soluços e suspiros eu narrava tudo 
Ela comovida, pois, poética e apaixonada
Tal como é, romanceou o duro conteúdo

Com os olhos cheios d’água, sonhadora 
Compadecida desta sofrida derrocada
Então, chorou comigo pela noite afora

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
21 de agosto de 2020- Triângulo Mineiro
paráfrase Pe. Antônio Tomás

Inserida por LucianoSpagnol

⁠FIM DE TARDE

Cindindo a vastidão do céu do sertão 
Do planalto, num entardecer encantado
Sulcando as nuvens com raios dourado
Devassando o espanto, e sedutora visão

E no horizonte sem fim do torto cerrado 
Ei-lo purpureando em toda a amplidão
Abarcando o cenário com tal composição
De matizes, alumiado por dom imaculado

Brilha, e se eleva em busca do infinito 
O findar do dia, no céu é manuscrito
Auroreando a inspiração, numa poesia

Cheio de escarlate, assim, a cintilar 
Que se vê na fulgência deste lugar
Vai-se a luz, e vem a noite sombria...

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado 
20/08/2020, 17’00” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠ALVO

Pra onde houveres, sonho, pra onde fores 
Irei também, suspirando a mesma utopia
Para amenizar o penoso logro, a fantasia
E, sossegar a quimera de suas mil dores

Que triste, a emoção sem as dadas flores 
E eu tão sem agrado e o ser sem alegria
Sonhando sem inspirar a romântica poesia
Pesadelos molestando e fazendo horrores

Golpeou-me a direção? Que sorte sombria 
Nas escarpadas faces dos postiços amores
De assim magoar-me sem que amor havia

Seria a mão do azar, então me tocando? 
Se sou sonhador, e o amor com valores
Não o ter, nefasto eu, Deus! até quando?

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado 
25/08/2020, 10’36” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠SUSPIROS PROFUNDOS

Ninguém sentiu o meu choro inseguro 
Ó dolorosa dor entre as dores minhas
Embriagada solidão, máculas daninhas
O falto para mim foi silencioso e duro

Permaneceste no pensamento escuro 
Vazia e casta, tristes eram as tadinhas
E chegaste a ter mais do que tinhas
Tornando-te em um flagelo impuro

Invisível tornou o meu sofrer inquieto 
A minha poesia, o sentimento secreto
Jorrados do sentir, ali tão moribundos

E, neste trágico, pedaço dos pedaços 
Ele, que habitou a ter esses embaraços
Fez-me o dono de suspiros profundos

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado 
26/08/2020, 12’28” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠VELHO TEMA

Só a graça da poesia, em toda a sensação 
Palia o engano de um amor, mais nada
Nem mais os soluços do infeliz coração
Disfarçam a dor da devoção malograda

A insistente quimera por ela estacada 
No seu encanto, chora toda a emoção
Da desilusão: no canto, na rima falada
Criando outro sonho, de novo a paixão

E, nessa inspiração que supomos 
Duma tal felicidade que sonhamos
Em cada versejar, a verdade somos

Assim, nessa concordância, sejamos 
O olhar, o afago, se na prosa fomos
O sentimento, ai no amor estamos!

© Luciano Spagnol- poeta do cerrado 
27, agosto de 2020 - Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

⁠ESPERA

Ah! quem dera que as lembranças de outrora 
Inda aromatizasse! Ah! e que assim pudera
O tempo de ontem fosse o tempo de agora
E não só este imaginar: - a outra primavera

Já não se tem mais uma extasiada aurora 
No vetusto ser, tudo é igual, sem quimera
Onde a imaginação era de hora em hora
Agora, silêncio. Ah! como díspar quisera:

Debruçado nos sonhos, e o sonho recendia 
O desconhecido, cheio de poesia intensa
No brotar do alvorecer duma nova hera

Ah! quem me dera que isto, fosse um dia 
Uma razão, e não devaneios d’alma densa
De saudades, que poeta suspira e espera...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
28/08/2020, 15’18” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol


VELHO CERRADO

Olha este velho cerrado, tão belo 
De savanas cascalhadas e, antiga
Quanto mais desigual mais se diga:
- Triunfante na idade e no singelo

Buritis, ipês, horizonte no paralelo 
Arranjam, livres, e o diverso abriga
Em sua melancolia e a árdua cantiga
Do vento nos tortos galhos em duelo

Não choremos, sertão, a tortuosidade 
Admiremos cada traço, admiremos
Como obra prima deve ser admirada

Na glória do vário és tu, majestade 
Governando o encanto que vemos
No mago fascínio da meseta velhada

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
29/08/2020, 13’49” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠REVERSO E VERSO

Esse suspiro que padece no coração 
Que vês no duro e infeliz sentimento
Estendendo o pesar para a emoção
Deplora na saudade em sofrimento

lhano fui, e vergou-se em desilusão 
Reverso e verso nesse sacramento
De uma doce afetividade em vão
Desgraçado fado, ó gasto lamento...

Ontem, gozo e sorriso ardente 
De braço dado a qualquer hora
Esse amor era o amor da gente

E tal uma desordem, hoje chora 
Na solidão, triste sina, dor sente
Esse amor que estimei outrora...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
30/08/2020, 05’49” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠OUTRA RUA

Onde estou? Está rua me é lembrança 
E das calçadas o olhar eu desconheço
Tudo outro modo em outra mudança
Senti-la, saudoso, no igualar esmoreço

Uma casa aqui houve, não me esqueço 
Outra lá, acolá, recordação sem herança
Está tudo mudado do tempo de criança
Passa, é passado, estou velho, confesso

Estória de vizinhança aqui vi florescente 
Pique, bola: - a meninada no entardecer
Hoje decadente, e conheço pouca gente

Engano? essa não era, pouco posso crer 
Ela que estranho! Se é ela ainda presente
Nos rascunhos, e na poesia do meu viver...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
Agosto de 2020, 31 - Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

⁠UM AMOR NATURAL DE SÃO PAULO

Ah, amor doído, me maltrata 
Saber que fui apenas recreio
Que inda arde no peito, creio
Que a dor me teimará ingrata

Com o engano, verídica errata 
Ardo na agrura e no devaneio
Mas com o tempo, tu, receio
Irá se calar na súplice serenata

Os teus olhos deixarão de ser: 
A força e planos no meu olhar
Tudo gira, no eterno aprender

Nego-te o meu sofrer e pesar 
Se lamento é para te esquecer
Nesses versos de amor e amar!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
Agosto de 2020, 31 – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Vai um café aí? 

[...]então pega está ideia
uma porção de amor 
pão de queijo, geleia
e uma xícara de café... por favor! 
Nas Gerais é uma “odisseia”

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Agosto de 2020, Triângulo Mineiro 

Inserida por LucianoSpagnol

⁠ AFORA  

Passaste como a flor do ipê fugaz 
que se desprende na sua aurora
do desvelo só tiveste àquela hora
em que do afeto o emotivo traz

Ter-te e perder-te! sensação voraz 
que inunda o peito, e a dor piora
sem ver-te, o poetar por ti chora
em tristes versos, saudade tenaz

Demorou essa presença em mim 
minha alma ainda adora, e flora
emoção num sentimento marfim

Neste querer, o querer é outrora 
se sonhei contigo, calou o clarim
dessa estória, o amor vai afora!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
Setembro de 2020, 02 – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Morrer...


Termina a vida, morrer, com ela o viver 
Vão-se as dores, homenagens com flores
Rezas, choros e suplicas pros pecadores
Depois, uma furtiva lembrança a prover
Aos amores e aos meus admiradores...
... para as lágrimas fingidas
Meu até mais...
Cheio de saudações garridas
E minhas retribuições iguais!


© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
02/09/2020, 17’00” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠TORMENTO ANÔNIMO

Há amores não correspondidos, há enganos 
mais negros que a noite muito mais escura
suspiros loucos, e o coração com amargura
as horas, segundos mais longos que os anos

E nestes doridos, loucos e alanceados danos 
que leva o fado para as bandas da desventura
em um coral de gemido e de uma sorte dura
atraindo aos sentimentos só os rumos tiranos

E, as dores da solidão, sim, ela tão somente 
que se cala nos braços deste amor cruento
dói, tal como ferir-se com gladio lentamente

Ah! que penar, esse que só traz tormento 
lamentos e, nos ruminando inteiramente
tendo os dias de sofrência como alimento

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado 
Setembro, 02/ 2020 – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠“Ignoramus et Ignorabimus”

Quanta ilusão! O amor ver-se objetivo 
e alheio ao brado do coração fagueiro
duma paixão, e do anseio prisioneiro
compondo, que assim, será definitivo

Dizem que amor é amor, se for vivo 
a quem o chama de valor verdadeiro
livre, solto das amarras dum cativeiro
se esquecendo que dele se é cativo

Se o amor é sempre amor: - amado! 
tê-lo é também agridoce no enredo
sem tirania, amar, deve ser desejado

Se é sempre o mesmo falso segredo 
no início, perfeito, e tão imaculado
porque então não o haver no medo?

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
2020, setembro, 03 – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠SUFICIÊNCIA

Dita, ao pé do amor primeiro 
Estreante desta variegada vida
Estou e estarei nessa acolhida
Ao coração, fiel companheiro

Da paixão o afeto cavalheiro 
Pulsa-lhe a poesia em torcida
Faz a boa diversão apetecida
Salivando o gosto por inteiro

Trago-te flores, zelo certeiro 
Trovando a doce existência
E que assim seja verdadeiro

Se não, não serve a aparência 
E, tão pouco algo corriqueiro
Intensidade que é suficiência!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
04/09/2020, 10’18” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠PÁLIDA À LUZ DA SOLIDÃO SOMBRIA

Pálida à luz da solidão sombria 
como a dor na alma dilacerada
sobre o leito de ilusão reclinada
a amargura e uma paixão fria

A satisfação que na perca jazia 
e pela melancolia era embalada
a ruína e alegria embalsamada
no desprezo e, na beira dormia

Prantos, e as noites palpitando 
gosto amargo no peito abrindo
os olhos esverdeados chorando

Não rias de mim, sentir infindo: 
por ti – o amor busquei amando
por ti – na teimosia eu vou indo...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
Setembro, 2020 – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠SÚPLICA (soneto)

Se tudo muda e tudo perece 
Se tudo cai aos pés da negaça
Se veloz a vida por nós passa
Pondo de lado o teor da prece

Se, se a inspiração desfalece 
Se dói a dor que a dor enlaça
Se perde o encanto, a graça
O lhano, e aí a gente cresce

Se o amor tem a alma pura 
E este amor também tortura
Nos gerando tolos e loucos 

Se tudo tem no tempo valeria 
Tudo vai, Pai! Por que não alivia
O sentir que me traga aos poucos?

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
Setembro, 05/2020 – Triângulo Mineiro
paráfrase Auta de Souza

Inserida por LucianoSpagnol

⁠DOR INFINDA

Já no sumido aquele afeto profundo 
Só eu, ó pieguice, só eu me lembro
Das noites e dias secos de setembro
Maçadas, e o meu amor moribundo

Desde esse dia, eu ermo no mundo 
Atado a solidão e sem deslembro
De ti, e do falto um azedo membro
Não houve fôlego por um segundo

Quando, ainda cria... - hoje perdido 
E lastimando no leito a desventura
Tenho a sensação de já ter morrido

Ah! saudade, que a vasca mistura 
No peito, e ao aperto tão sofrido...
Dor infinda... e cheia de amargura!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
Setembro, 06/2020, 05’46” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

Fui pesquisar frases para colocar no meu status e o tema que escolhi foi amor, pois o amor é lindo, mas o amor mais lindo que existe é o amor de Deus por nós.

Inserida por isadora_silva_3