Saint john perse
É realmente na solidão que o homem se revela a si mesmo, pesa suas possibilidades e amadurece para a ação.
(Em Saint-Exupéry e o céu sem limite, de Irmã Rosa Maria)
As vezes o silêncio é a melhor maneira de nos vermos como pessoa.
Pois dar um salto adiante e não saber regrá-lo é realmente muito desconfortável.
Todo governo é um equívoco civilizatório que a população tem de suportar, para que não se instaure a barbárie.
O grande Darcy Ribeiro dizia, de forma crítica, que os portugueses aqui chegaram em 1500 e, desde então, não mais saímos da beira do mar. Mas, para conseguir essa cultuada tez bronzeada no interior, só pegando no cabo da enxada de sol a sol. Aí é dureza demais para esse povo inzoneiro.
Os ateus e todos os demais seguidores de crenças não cristãs podem sofrer o diabo, comer inclusive o pão amassado por ele, que jamais estarão numa 'via crucis'.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um
amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei para o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!
Nota: Trecho do livro "O pequeno príncipe"
Para que negá-lo? Também já vi gente que fugia da morte, impressionada de antemão pelo confronto. Mas é bom que vos desenganeis: aquele que morre, nunca eu o vi amedrontar-se. Se assim é, para que os hei de lastimar? Para que chorar o seu acabamento? A perfeição dos mortos! Não conheço eu outra coisa.
