Luiz Guilherme Todeschi
O hábito de pensar, além de não custar nada, é essencial. Já o não pensar tem um preço alto! E não se iluda: vai sair do seu bolso, sim! Torça, portanto, para que se limite ao material, pois no que toca ao existencial pode ser irreversível.
Mantenho uma resistência empedernida à psicanálise. E não por negar sua eficácia, mas pelo sentimento de estar repassando a outrem um poder que gosto de buscar em mim mesmo. O mais comum, sei-o bem, é olhar para o lado ou para cima quando nos sentimos vulneráveis. Eu escolho olhar para dentro – focar na resistência em lugar da delegação – pela crença de que tanto o conforto quanto a defesa estão aguardando apenas que eu gire a maçaneta.
O envelhecer e o medo de ser esquecido
Há uma diferença sutil, mas decisiva, entre durar no tempo e permanecer na memória. A
longevidade, por si só, não garante continuidade simbólica; ela apenas estende a
existência biológica. O que persiste depois não é o tempo vivido, mas o quanto esse tempo
foi distribuído entre outros.
Uma vida longa, quando centrada apenas em si, tende a produzir um efeito paradoxal:
acumula anos, mas não necessariamente significado compartilhado. Ao longo do tempo,
ocorre um declínio natural das redes sociais — amigos se afastam, gerações se renovam,
contextos mudam. Se não há um movimento contínuo de dedicação ao outro, de
construção de vínculos e participação na vida alheia, essa rede não se renova. Ela se
contrai.
A memória, nesse sentido, não é um atributo individual. Ela é um fenômeno distribuído.
Sobrevive na medida em que é sustentada por múltiplos pontos — pessoas que lembram,
contam, reinterpretam. Quando alguém vive predominantemente para si, reduz o número
desses pontos. E quando a longevidade se combina com essa baixa capilaridade social, o
resultado é uma presença que se apaga rapidamente após o fim.
Há ainda um outro fator: o tempo prolongado expõe o indivíduo a possíveis controvérsias
tardias, mudanças de percepção, revisões de imagem. Diferente de uma trajetória
interrompida ou intensamente compartilhada, a vida longa pode diluir narrativas,
fragmentar significados, ou mesmo enfraquecer a coesão daquilo que seria lembrado.
Em contraste, dedicar-se ao outro funciona como um mecanismo de propagação. Cada
relação construída é um vetor de memória futura. Cada impacto na vida alheia é uma
extensão indireta da própria existência. Assim, o que define a permanência não é quanto
tempo se vive, mas quantas vidas foram tocadas — e com que intensidade.
No limite, a longevidade sem vínculo tende ao silêncio. Já a vida compartilhada, mesmo
que mais curta ou discreta, encontra formas de continuar ecoando
“Nos idos de 1950 o sábio jesuíta Prof. Dr. Padre Oscar González-Quevedo dá início a ampla divulgação da Parapsicologia no Brasil, como resposta às superstições, às interpretações espíritas.”
“AOS PSICÓLOGOS E À POPULAÇÃO EM GERAL
Diante do surgimento, no Brasil, da prática de TERAPIA DE VIDAS PASSADAS (T.V.P.), o Conselho Regional de Psicologia 6.ª Região vem a público manifestar-se. O objeto desse tipo de terapia é, explicitamente, a reencarnação. É objeto da religião e não da Psicologia. Fica claro que a T.V.P. não se constitui em prática ou técnica psicológica, nem se coaduna com os estudos e teorias da Psicologia.”
Marlene Guirado, Conselheira–Presidente.”
Fonte: FOLHA DE S. PAULO, 11/Julho/1989, página A-11.
S U P E R S T I Ç Ã O
O Catecismo não mudou. Católico não consulta Horóscopo, Vidente, Leitura de Mão, Combinação de Signos e por aí vai. Por isso, se você tem o hábito e é católico, saiba o que é SUPERSTIÇÃO:
“2138. A superstição é um desvio do culto que prestamos ao verdadeiro Deus. Manifesta-se na idolatria, bem como nas diferentes formas de adivinhação e magia.”
No Brasil, um país terceiro-mundista, Allan Kardec é quase leitura obrigatória (e Chico Xavier um “Deus”). Na França, onde ele nasceu, viveu e implantou suas teorias (de ficção), nem os presidiários franceses querem saber, não figurando nem entre os 15 finalistas.
