Luiz Guilherme Todeschi
Inicie suas histórias de acordo com sua real natureza, e não terá que agredir a natureza de outrem ao corrigir o rumo que deu a elas.
É assustadora a crise de valores dos dias atuais, amplamente disseminada entre os mais jovens e cristalizada nos mais velhos de formação desvirtuada. As pessoas confundem conceitos que antes tinham fronteiras bem claras, como amor e desejo, liberdade e libertinagem, e colocam coisas superficiais e essenciais, temporárias e permanentes no mesmo saco. Nunca os estados de ser e de estar estiveram tão misturados nas cabeças e nos sentimentos de tão significativa parcela da população, o que leva os mais conscientes a reavaliar, com cada vez mais freqüência, os próprios referenciais de vida para saber se não estamos perdendo os parâmetros de posicionamento perante tais conceitos.
Ao ser chamado de “poeta” sempre me remetem à velha questão do ovo e da galinha: é o Poeta ou o Pensador quem vem primeiro? Inclino-me a acreditar que
o Poeta já traz a poesia em seu sentir, ao nascer, e sua expressão – falada ou escrita – é que é desenvolvida, bastando para isso aprender a falar ou escrever.
O Pensador, em contrapartida, é construído a partir de sua auto-observação, bem como do mundo à sua volta. Dessa feita, enquanto já se nasce poeta, é a vida que reúne as informações necessárias à reflexão do Pensador. A poesia, portanto, se mostra inata e primária em sua essência. O refletir é secundário, resultante de aprendizado. A razão do Pensador inibe a emoção do Poeta, que se faz mais autêntica sem ela. Já a poesia do Poeta precisa do Pensador tão somente para dar forma ao que já se mostra completo em seu interior.
As pessoas puras e sinceras - aquelas que mergulham fundo nas relações com os demais e acreditam neles até prova em contrário - precisam ser mais inteligentes que as outras, e concentrar sua sensibilidade na leitura da alma alheia.
Nossa vida deve ser como um rio que tem no profissional e no pessoal as suas margens. Não há como juntá-las sem desfazer o rio, que perde para sempre sua identidade e seu rumo em direção ao mar.
Mesmo que se mostre impossível resgatar um amor que se perdeu no tempo, resgatar sua história e as saudades que dele ficaram nunca o será.
Hoje você está cheio de verdades para despejar sobre o mundo; amanhã alguns estarão se perguntando se você aconteceu ou foi inventado; um dia muitos estarão duvidando que você tenha sequer existido.
Uma coisa de que nunca me envergonho é revelar que não sei nada sobre alguma coisa, mas a que jamais me assusta é a de encarar o desafio de um dia dominar tal conhecimento.
O educador não se norteia pela capacidade de convencer, mas pelo despertar das possibilidades que permitem a cada um encontrar a própria resposta.
Treinamento se traduz por mera transferência de conhecimento. Educação é a revelação do caminho que se mostra por trás da cortina.
Se as pessoas se limitassem a tentar convencer os outros apenas do que podem comprovar, sem cair na área da interpretação, já conseguiríamos eliminar um sem número de conflitos que dão causa, inclusive, a genocídios sob forma de “guerras santas” em defesa de teses que jamais se mostrarão irrefutáveis.
O problema do radicalismo é que seus defensores encaram suas "verdades" como a única alternativa possível. Acreditam-se tão superiores para ver o que a maioria não consegue enxergar que se distanciam da mais óbvia das realidades: a importância da diversidade para a coerência nas escolhas.
A maturidade só vale à pena quando vem acompanhada do entendimento do que deve ser feito, da decisão para fazê-lo, e de serenidade para lidar com seus desdobramentos.
EDUCAR é ampliar o leque de alternativas para quem não o consegue perceber em todas as suas dimensões. INDUZIR é subestimar a capacidade alheia de fazer as próprias escolhas perante todo o elenco de possibilidades.
ISENÇÃO é não sonegar a ninguém as informações para que concluam por si mesmos. PRETENSÃO é querer transformar todo mundo em meros "players" do seu pensamento.
Fiz alguma diferença na sua vida? Então diga-o enquanto estou vivo! Depois que me for não sei se terei meios para lhe dizer “obrigado”.
Está seguro de que sabe o que quer? Então vá em frente e não dê ouvidos às críticas. Melhor errar pelo que acredita correto do que ser guiado para trincheiras não legitimadas por suas próprias crenças.
Estou mais do que aberto a informações além das que consigo reunir por mim mesmo: regozijo-me até quando me alimentam com elas, desde que baseadas em dados. Mas se você não os tem, ou os sonega ao tentar me convencer do que acha melhor pra nós, por favor: deixe que eu encontre o MEU melhor!
