Dia Nacional do teatro
Às vezes, a maior força mora justamente no homem que já não consegue levantar sozinho, mas continua acordando todos os dias para enfrentar o próprio corpo.
Por isso tanta gente anda cansada sem entender exatamente do quê.
Às vezes não é o corpo. É o excesso de peso invisível.
Viver minha liberdade, sem aceitar as liberdades dos outros , me faz um psicopata de desejos e impulsos.
Um adolescente doente, tentando mudar algo que nunca entendeu e talvez nunca entenderá, é uma fase da vida que não dá para replicar, a revolta antiga sonhos passados, o que queria para um futuro mas não vai alcançar.
As tragédias que o tempo não nos deixam revisar e voltar fazer diferente tentar consertar ...O paradoxo eu.
São quase zumbis conscientes um vício irônico ,não tenho certeza, uma tapa trágico e cômico.
Se pudesse julgar talvez eu diria com toda certeza, filhos bastardos dos mestres da persuasão, mas talvez seja eu um deles, sem ver com clareza, com argumentos certeiros , mas sem serem verdadeiros.
O grito da mídia domina você, quer dormir acordar sempre ao teu lado te fazer de irmão te fazer de escravo.
Mas agora não importa mais, vivemos a brevidade da vida.
E fizemos o contrário , acumulamos conhecimento, que era coisa de otários.
Por mais real que ainda pareça ser, as mentiras bem contadas dizem que nosso choro é em vão, mas são clichês repetitivos ao longo de milhares de anos, mas não me parecem reais.
O mundo pela janela e os muros dessa prisão, fazem da minha vida numa história um filme, de ficção, meus olhos nos olhos dela numa cena de emoção.
Ô Johnny Alf...
Teu piano acendeu a alvorada
Antes mesmo da Bossa nascer
Tua harmonia já iluminava
O caminho do novo viver
Ô Johnny Alf...
Gênio simples da noite vadia
Te escondeste da fama e da cor
Mas teu nome ficou na poesia
Como estrela maior do amor
Você parece desses que, mesmo triste, tenta não despejar suas dores nos ombros errados. Isso é maturidade espiritual. Nem santo consegue sorrir o tempo inteiro, mas existe uma enorme diferença entre sofrer e transformar sofrimento em veneno coletivo.
Os antigos já sabiam: palavra tem axé.
O sujeito pode passar a vida inteira dizendo que é racional demais pra essas coisas, que religião é invenção humana, que tudo se explica pela ciência. Mas basta o elevador balançar, o telefone tocar de madrugada ou o coração apertar numa rua vazia depois da meia-noite… e o homem procura alguma proteção invisível. Nem que seja dentro dele mesmo.
O Rio não permite soberba por muito tempo. A paisagem é divina, mas a vida cobra pedágio. Entre o mar e o morro, entre o cartão-postal e a sirene, o povo aprende cedo que ninguém controla tudo. E talvez seja daí que nasça essa mistura tão brasileira de fé, superstição, respeito e sobrevivência.
Morar no Rio de Janeiro é aprender que coragem não é ausência de medo; é vestir o medo e mesmo assim pegar o ônibus, atravessar a rua, abrir a porta de casa e seguir vivendo.
Hoje eu acordei com o vento manso
Falando baixo no meu coração
Que a vida pede mais calma no passo
E menos peso na preocupação
Quem carrega um terreiro de paz dentro de si percebe essas coisas. Aprende a selecionar companhia, palavra e energia. Não por arrogância, mas por sobrevivência emocional. Porque a alma também pega poluição.
