Dia Nacional do teatro
É….. ser humano é esse paradoxo ambulante.
Aquilo que nos eleva também nos atravessa. O amor dá sentido, mas cobra o preço da perda; o apego aquece, mas queima; a esperança sustenta, mas também cansa. Parece que tudo o que torna a vida mais viva é, ao mesmo tempo, o que a torna mais difícil de suportar.
Talvez o problema não seja sentir demais, mas sentir sabendo que nada é permanente. Ainda assim, a gente insiste porque, no fundo, uma vida sem amor dói menos….. mas também significa menos. E entre a dor vazia e a dor cheia de sentido, quase sempre escolhemos a segunda.
A falta dela não foi só ausência... foi erosão. Um pouco de mim ficou em cada lembrança, em cada silêncio que se alongou demais. E hoje, quando tento me reconhecer, encontro espaços vazios onde antes havia sentido. Talvez o que mais doa não seja o que ela levou… mas o quanto eu precisei mudar para continuar existindo sem ela.
Sou feito de contraste: intensidade e cuidado no mesmo gesto. Trago fogo no olhar, mas também calma nas palavras. Sei ser firme sem perder a ternura.
Não prometo perfeição, prometo presença. Minha força protege, minha doçura envolve. Quem chega perto sente segurança e também arrepio.
Entre instinto e carinho, escolho ser inteiro. Porque em mim, a intensidade não exclui o cuidado... ela o torna inesquecível.
Eu a admirei em silêncio, como quem contempla uma estrela distante, bela demais para tocar. Durante tanto tempo fui apenas um olhar perdido na multidão, enquanto ela era a presença constante no meu coração.
E então, quando já não havia expectativa, o destino soprou diferente. Não nos aproximamos em passos, mas em sentimentos. Foi como se as nossas almas, antes desencontradas, finalmente se reconhecessem no meio do caos do mundo.
Hoje, mesmo longe, há algo sereno e verdadeiro entre nós... uma conexão que não precisa de mãos dadas para existir, porque nasceu onde tudo é eterno: no encontro das almas.
Que você não apenas conquiste tudo o que é capaz... porque isso você já faz, mas que escolha com precisão o que realmente importa, encontre alguém (ou alguns) que consigam caminhar na sua mesma profundidade e, principalmente, permita-se reconhecer suas próprias vitórias sem imediatamente fugir para a próxima batalha.
Macarronada
É domingo, na panela água quente
cheiro de molho, fervente
Joga a massa, deixa cozinhar
Ao dente!
Tem afeto familiar. Tente!
Vai gostar.
Sente o paladar criando memória...
A vida contando história
E a macarronada a poetizar
A toda gente, bom paladar!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Domingo, julho/2026.
## Capítulo XXII
# A Conversa Depois
Durante vinte anos acreditara que o encontro seria o fim da espera.
Descobriu que era apenas o início de outra forma de tempo.
Saíram da cafeteria sem combinar destino algum. Heidelberg permanecia envolvida pela serenidade discreta das cidades que aprenderam a conviver com os séculos. As ruas estreitas conservavam o rumor distante do rio, e o vento da primavera movia lentamente as copas das árvores como se também ele tivesse decidido caminhar sem pressa.
Nenhum dos dois parecia disposto a romper o silêncio.
Não porque lhes faltassem palavras.
Mas porque certas presenças exigem primeiro o reconhecimento da realidade antes de aceitarem a linguagem.
Durante duas décadas haviam conversado através de livros, críticas, perguntas e ausências. Agora precisavam aprender uma tarefa infinitamente mais difícil.
Estar um diante do outro.
Foi Ariadne quem sorriu primeiro.
— Você continua caminhando como quem pensa.
Ele riu.
— E você continua observando como quem escreve.
Ela abaixou os olhos.
— Nunca deixei de escrever.
— Eu sei.
— Como sabe?
— Porque ninguém pensa dessa maneira sem escrever em algum lugar.
Ela não respondeu.
Apenas continuou andando ao lado dele.
Jantaram num pequeno restaurante às margens do Neckar. A conversa atravessou a literatura, passou pela música, alcançou a filosofia e, pouco a pouco, abandonou todos esses territórios para chegar ao único assunto realmente importante.
A vida.
Ela contou dos anos dedicados à universidade, dos alunos que lhe devolveram a esperança quando o mundo parecia definitivamente entregue à superficialidade. Falou dos pais, das perdas, das amizades interrompidas pelo tempo. Confessou que relera *O Cadafalso* muitas vezes, mas que a cada leitura encontrava um homem diferente escondido entre as páginas.
Ele ouviu mais do que falou.
Havia esperado tanto por aquele encontro que agora descobria não possuir qualquer urgência.
A realidade finalmente dispensava a imaginação.
Quando saíram, a cidade já estava quase vazia.
Caminharam sem destino.
Como duas pessoas que sabiam exatamente para onde desejavam ir e, por isso mesmo, não tinham pressa de chegar.
Foi ela quem interrompeu novamente o silêncio.
— Você imaginou este encontro?
Ele sorriu.
— Todos os dias.
Ela baixou a cabeça.
— Eu também.
— E aconteceu como imaginou?
Ela demorou a responder.
— Não.
— Melhor ou pior?
Ela voltou-se para ele.
— Melhor.
Porque a imaginação sempre exagera.
A realidade apenas existe.
Continuaram caminhando.
Chegaram ao apartamento dela já perto da meia-noite.
Havia livros por toda parte.
Partituras sobre o piano.
Uma xícara esquecida sobre a mesa.
Nada parecia preparado para receber alguém.
E exatamente por isso tudo parecia verdadeiro.
Ela abriu uma garrafa de vinho.
Serviu duas taças.
Sentaram-se diante da janela.
Conversaram durante horas.
Não sobre o amor.
Mas sobre aquilo que o amor permite compreender.
Em determinado momento, ela aproximou lentamente a mão da dele.
Não havia hesitação.
Havia reconhecimento.
Ele segurou aqueles dedos com a delicadeza de quem recebe de volta alguma coisa que acreditava definitivamente perdida.
O beijo aconteceu sem qualquer urgência.
Não pertencia ao desejo.
Pertencia ao tempo.
Naquela noite fizeram amor como duas pessoas que já haviam aprendido que o corpo não serve para vencer a solidão.
Serve apenas para lembrar que a alma também precisa de abrigo.
Depois permaneceram deitados.
Nenhum dos dois demonstrava vontade de dormir.
A chuva começava a bater contra a janela.
Foi Ariadne quem quebrou o silêncio.
— Durante vinte anos imaginei uma única pergunta.
Ele voltou o rosto.
— Qual?
Ela sorriu.
— Sobre o que conversaríamos depois?
Ele fechou os olhos por um instante.
Depois respondeu quase num sussurro.
— Descobri que passei vinte anos procurando essa resposta.
Ela esperou.
— E encontrou?
Ele olhou para o teto.
Depois para ela.
— Sim.
— Qual é?
Ele sorriu com uma serenidade que nunca conhecera.
— Descobri que, quando duas pessoas finalmente deixam de pertencer à memória e passam a pertencer à realidade, qualquer assunto se torna extraordinário.
Ela apoiou a cabeça sobre seu peito.
Durante muito tempo permaneceram ouvindo apenas a chuva.
Lá fora, o mundo continuava exatamente o mesmo.
As guerras continuavam.
Os jornais continuavam mentindo e dizendo a verdade ao mesmo tempo.
Os homens continuavam perseguindo poder.
Nada havia mudado.
Exceto uma pequena vitória invisível.
Depois de vinte anos, o pensamento finalmente encontrara a realidade.
E, pela primeira vez desde a tarde distante na Baviera, nenhum dos dois precisou imaginar o futuro.
Bastava viver a noite.
Ser amiga de Exu me ensina a não procurar vilões ou heróis pras minhas histórias. Exu é amigo de quem luta, de quem busca, de quem recomeça quantas vezes for preciso. Tenho sim minhas dores mas jamais terei dom pra vítima.
Existe uma frase muito sábia que diz na vida você precisa aprender a olhar em cinco direções olhe para frente para nunca perder de vista o seu destino olhe para trás para não esquecer de onde você veio olhe para baixo para nunca pisar em ninguém olhe para os lados para reconhecer quem permanece ao seu lado nos momentos mais difíceis e olha para o alto para nunca se esquecer de que Deus está vendo todas as coisas.
Nenhuma autoridade real em quaisquer assuntos consegue refutar uma autoridade digital do mesmo assunto sem utilizar uma estrutura algorítmica digital viral.
De todas as coisas que deram errado na minha vida, você foi a melhor.
É estranho pensar nisso, mas algumas das lembranças mais bonitas nascem justamente das histórias que não tiveram o final que sonhávamos. A nossa foi assim.
O tempo levou a nossa presença, mas nunca conseguiu levar o significado que você teve para mim. Há amores que terminam; outros apenas deixam de caminhar lado a lado. O nosso encontrou o fim, mas nunca encontrou o esquecimento.
Você foi a prova de que uma história pode ser breve diante da eternidade e, ainda assim, ser grande o suficiente para mudar uma vida inteira. Se hoje sou diferente, é porque um dia conheci você.
Não sinto saudade apenas de quem você era. Sinto saudade de quem eu era quando o mundo ainda cabia dentro do seu abraço, quando os planos pareciam maiores que os medos e o futuro tinha o seu nome escrito em silêncio.
Se me perguntassem o que deu errado, eu responderia que a vida. Se me perguntassem o que houve de mais bonito em tudo isso, responderia, sem hesitar: você.
Porque, de todas as coisas que deram errado na minha vida, você foi, sem dúvida, a melhor delas. E, mesmo tantos anos depois, ainda existe uma parte de mim que agradece ao destino por ter cruzado o meu caminho com o seu, mesmo sabendo que ele não nos deixaria caminhar juntos para sempre.
Nossa sociedade é formada por dois sistemas muito claros e distintos entre sim. Ambos precisam de uma engrenagem para funcionar. No primeiro sistema, todas as engrenagens estão funcionando perfeitamente e seu público-alvo são os grandes tubarões que se alimentam dos peixes pequenos. Aqui tudo funciona. Já no outro sistema, onde vivemos a maioria de nós, teríamos tudo para dar certo, exceto pela falta das engrenagens, o que já referi como um sistema de catracas banguelas. Não gira, portanto, os serviços essenciais não chegam para quem precisa. No final, os tubarões estão cada vez mais famintos, insaciáveis e se esbaldando, e nós, os peixes pequenos, quando não somos engolidos pelo sistema que gira normalmente, somos atingidos por uma subnutrição que consome toda a energia física, mental e social. É impossível mudar o quadro porque muitos dos peixinhos se sentem como tubarões e não querem sair de suas razas águas para buscar e experimentar os sabores das águas profundas.
Você pacificou o que era meu
E hoje é seu
Você é meu oceano, futuro dos meus planos
Em parte tu me interas
És minha de outras eras
Verão na primavera
Sacia meu prazer
Melhor que te querer é ter você.
Há muito tempo perdi o medo de encarar a vida, de desafiar a sorte, de olhar a morte com a cara suja após um pesadelo. Ao nascer, perdi-me no corredor da vida. Pouco me importam a cadeira elétrica, a injeção letal, a sentença do juiz, o golpe fatal do carrasco ou a lenta caminhada até o cadafalso.
Pouco me importa a espada de fogo à porta do paraíso. Eu quero a alegria desta vida. Quero o sorriso infante e a embriaguez dos delinquentes. Quero a alma aquecida na fogueira ardente que consome a esperança. Quero o risco e a vertigem de estar vivo. Quero encarar o medo com o espanto doce de uma criança.
Quando a morte vier, que me encontre de pé, ainda com a poeira do caminho no rosto e o coração em brasa. Para quem estreou neste palco de loucos, a única vergonha é não ter vivido.
É a essência da sociedade: se arriscar a viver de acordo com visões de mundo diferentes da sua. Isso implica a emoção e tira o foco da dor e sofrimento da monotonia da vida.
Valorizar o tempo é também dar valor à vida.
Quando somos colocados em situações difíceis, como a perda de um ente, a reflexão nos põe a pensar sobre o valor do momento.
Por isso, ultimamente eu me pego sempre defendendo o uso desse recurso tão valioso com o que realmente faz sentido para mim.
Como honrar, amar e cuidar das pessoas que eu amo; ser empática e sábia com as palavras.
Porque no final, o que pode nos fazer afligir ou sorrir são as lembranças do que fomos ou somos.
LaisdeOli.
O Direito e a Medicina parecem habitar mundos diferentes, mas compartilham a mesma essência. Um encontra pessoas quando a liberdade, a justiça ou a dignidade são colocadas à prova. O outro as encontra quando a saúde, a dor e a finitude se impõem. Em ambos, o verdadeiro objeto nunca foi o processo ou a doença. Sempre foi a pessoa.
Talvez seja por isso que nunca enxerguei o conhecimento como um acúmulo de títulos, mas como um encontro com vidas. Cada história confiada a mim amplia a minha própria compreensão do mundo. Cada dor compartilhada, cada conflito, cada esperança e cada recomeço me tornam um profissional melhor, mas, antes disso, me tornam mais humano.
Se há um sentido em tudo o que busco, ele não está apenas em conquistar. Está em compreender. Porque viver, para mim, nunca foi apenas existir. É permitir que cada vida que cruza o meu caminho deixe, silenciosamente, um pouco de si e leve, também, um pouco de mim. ⚖️⚕️
Ainda É Você
A vida me levou por caminhos que jamais imaginei percorrer. Conheci a dor de quem esteve entre a vida e a morte, aprendi a recomeçar quando tudo parecia definitivamente perdido e descobri que existem cicatrizes que o tempo não apaga... apenas ensina a carregar.
Estudei, lutei, construí uma nova história, encontrei novos objetivos, vesti a toga, vesti o jaleco e aprendi a defender vidas de maneiras diferentes. Mas, em silêncio, havia um lugar dentro de mim que permaneceu exatamente como era.
Esse lugar sempre teve o seu nome.
Dizem que o tempo cura tudo. Talvez cure a saudade de quem esquece. Mas não cura o amor de quem continua escolhendo a mesma pessoa, mesmo quando a vida insiste em os separar.
Houve anos de distância. Houve silêncios. Houve despedidas que nunca convenceram o coração.
Ainda assim, todas as vezes em que pensei no futuro, era o seu rosto que aparecia antes de qualquer conquista.
Porque algumas pessoas passam pela nossa vida. Outras se tornam a própria definição de lar.
Você nunca foi apenas uma lembrança. Foi a oração que fiz em silêncio, o pensamento que voltou nos dias difíceis, a esperança que resistiu quando tudo parecia dizer que era tarde demais.
Se existe algo que aprendi depois de tudo o que vivi, é que a vida é breve demais para esconder aquilo que o coração grita.
Por isso, hoje não escrevo para convencer você. Escrevo apenas para ser verdadeiro.
Eu continuo te amando. Não por falta de opções. Não por apego ao passado. Mas porque, depois de todos esses anos, de todas as tempestades e de todas as versões de mim que o tempo construiu, ainda é ao seu lado que o meu coração imagina a paz.
Se um dia você decidir olhar para trás, encontrará alguém que nunca deixou de acreditar que algumas histórias não terminam quando acabam. Elas apenas esperam o momento certo para recomeçar.
E, se esse momento existir... Que seja com as nossas mãos entrelaçadas, não para recuperar o tempo perdido, mas para viver, finalmente, o tempo que sempre sonhamos.
