Almeida garrrett
Enquanto penso na vida, que há lá dentro, fechado ao meu olhar, concluo que minha fascinação por essas aberturas, que se mantém fechadas, para mim, são, apenas, meu anseio por libertar, através das palavras, personagens de um livro, que venho escrevendo desde sempre, apenas, na imaginação...(Marilina Baccarat de Almeida Leão, no livro "Em Busca dos Sonhos)
Às vezes temos a sensação de que andamos para trás, mas não... Se soubermos aprender com as dificuldades de hoje, amanhã veremos que tudo foi necessário. A borboleta só sai do seu casulo a custo de muito esforço. Assim somos nós, só com esses incômodos da vida que nos aprimoramos.(Marilina Baccarat de Almeida Leão)
Se és capaz de me sentir bem perto,
Embora longe um dia me encontrar,
Se só te embalam sonhos mil, que ao certo,
Verás que sabes mais e mais me amar".
Marilina Baccarat de Almeida Leão - escritora brasileira, no livro "Sempre Amor "
Passado remoto
O passado está distante,
Uma chama, que se consome,
No advindo e presente,
Assim, tornamo-nos silente.
Marilina Baccarat
Sentimos que o passado está bem próximo e,
então, notamos uma tremenda inseguridade, ao lembrarmos do que, para trás, ficou... Andamos, muitas
vezes, ansiosos com as passagens pelos alvitres do
presente, que leem todos os nossos acontecidos e,
assim, estamos sempre apreensivos...
Pegamo-nos pensando: – Será que não deveríamos ter agido de outra maneira, lá no passado,
que, para nós, foi um decorrido considerado macambúzio. Vamos emergindo-nos, ali, e nos sentimos, totalmente, inseguros, pensando que não vivemos como deveríamos.
Mas, todo o tempo atual, em que vivemos, vem
com essa dúvida, essa insegurança, apesar da certeza
de termos agido certo...
Em nosso íntimo, quando o passado abrolha,
temos a real certeza de que tudo o que foi feito estava
correto. Mas, continuamos achando que perfizemos
tudo errado, quando, na realidade, não estava...
O passado é mesmo assim... O que carregamos,
dentro dele, são tempos de restauração, de inovação...
Marilina Baccarat no livro "Vértices do Tempo" página 15
Cheguem mais perto, convido-os a atravessar a
ponte. Aqui, as vozes se calam, a beleza é deslumbrante, só há flores e tudo está colorido. Venham,
vamos passar juntas, o céu está azul e, do outro lado,
só vamos encontrar belezas da natureza, vamos encontrar paz e alegria!
Aqui, o silêncio é necessário, palavras não saem.
Venham com calma, caminhemos por entre essas
flores e sentiremos a bruma, que cobre o ar, como
um cortinado de tule, fino e transparente.
Quando a brisa nos envolve, a pele se arrepia e
fica úmida com o cálido vento, que vem do mar.
Não parem, venham, a mesa está posta, xícaras
e um bule de chá esperando por nós, do outro lado
da ponte.
São, hoje, meus convidados, não, não parem!
Venham, não tenham receio do frio. Ouçam, no
murmúrio do vento gélido, a suavidade com que os
ramos balançam, exalando um exótico perfume da
terra, que está úmida.
Continuem caminhando, a passos lentos, com
cuidado, para que possam sentir o perfume, que exala
das pétalas de flores, que se espalharam pela ponte.
Há pequenos bulbos intumescidos, debaixo da
terra fértil, esperando a primavera, para que possam
finalmente brotar.
Ainda faz frio, é cedo ainda, fechem os casacos, mas se acheguem. Aqui é meu esconderijo, para,
que, venho, sentir o perfume da terra molhada, das
pétalas, que estão espalhadas sobre a ponte.
Quando tudo parece feio, tórrido, seco, ao subir
pela ponte, é como se eu saísse de mim e adentrasse
em um mundo encantado. Sem lugar para a tristeza,
para o desalento ou para o desamor.
Esse jardim, que fica do outro lado da ponte,
é só meu, a mim, pertence. Mas, hoje o compartilho
com vocês, que só veem uma parte
ínfima de mim.
Atravessem a ponte, venham, estou esperando.
Quando chegarem, sentem-se, fiquem à vontade. Segurem as chávenas de chá, cuidado, estão quentes! Beberiquem, em pequenos goles, sorvam delicadamente.
Conheçam-me, olhando em volta, não nos
meus olhos, mas ao meu redor, pois, sem palavras,
hoje, agora, aqui, eis o melhor de mim. Fora, daqui,
só há o frio... Só o frio...
DOR NO CORPO E NA ALMA
Mais uma noite de insônia,
Uma noite comprida,
Uma noite doída,
Afirmo sem cerimônia!
É que as horas não passam
E a mente e a alma não cansam!
Dói o corpo extenuado, cansado
De tanto virar na cama
De um lado pro outro lado.
Dói a alma - o tempo parado,
Como um mágico cruel,
Traz-me à lembrança o ser amado
Deixando-me o gosto amargo de fel
Por ter e não ter quem amo e me ama:
Só a tenho na lembrança – que a chama!
Mas a quero em meus braços – na cama!!
INVERNO: ESPERANÇA E TRISTEZA
Todo ano, quando chega o inverno,
Vem-me à memória o inverno anterior!
Ou melhor, vem à memória a esperança
E o desejo que sinto todo ano – no inverno,
De não estar sozinho no inverno posterior!
Ano após ano, o inverno cada vez mais frio,
E minha esperança e meu desejo – não se cumpriu!
Fico a sonhar como seria uma noite de inverno
Sentindo o aconchego da pessoa amada,
Com ela abraçado, sentido o frio vento na face,
E o calor do amor aquecendo a alma – apenas sonho!
Não sei por que, no inverno, sinto tanta solidão.
É como se fosse saudades de um distante inverno,
No qual fui muito feliz por dormir aconchegado
Nos braços de quem muito hei amado!
Solidão e saudades de alguém que perdi
Num distante passado – mas que esta aqui,
Dentro do meu coração triste e magoado!
Quando se aproxima o inverno, dentro de mim, hiberno!
Fico introspectivo, em meio à tristeza, uma esperança acesa:
Este ano não estarei só, encontrarei minha amada, com certeza,
E dormirei com ela abraçado, esquecerei os invernos passados,
Finalmente serei feliz, terei meu sonho realizado!
Mas, como já estou acostumado – mais um inverno só – meu fado!
E começa em minh’alma esperançosa o sonho do próximo inverno,
Passo o ano acalentado desejo de, com meu amor, dormir abraçado!
Este ano, frio inverno, olho no espelho, dizem-me, minhas cãs brancas
Que o tempo voa, que solidão é o preço que pagarei nesta encarnação!
ONDE VIVE MEU AMOR?
Todo amor que tive, foi-se,
Não sei por onde anda ou se vive!
O amor que não tive, nunca se foi,
Eu sei por onde anda e que vive!
Todo amor que tive foi comensal
Da mesa farta dos meus sentimentos!
Locupletávamo-nos com a fartura de nossas energias,
Que de pouco em pouco, reduziam-se em migalhas frias!
O amor que não tenho, mas que um dia tive,
Eu sei por onde anda e que vive:
Sinto seus passos doídos em meu coração,
Ouço sua voz no mais recôndito de minh’alma!
Transmutamos energias sutis, que alimentam nosso sonho,
Enquanto, neste Mundo, trilhamos unidos e distantes,
O caminho no qual um dia nos reencontraremos – suponho,
Pois, creio que o Grande Juíz da Vida não é cruel nem medonho!
INCONSTANTE, MAS PERSEVERANTE
Por onde passo
Ora vacilante passo
Ora firme compasso
No que sinto
No que faço
Ora sou instinto
Ora espírito distinto
Ora sou bagaço
Ora puro aço
Ora arregaço
Ora sou palhaço
No tempo, no espaço
Passo a passo...
Passo, passo...
O INIMIGO VIVE COMIGO
Há algum tempo minh’alma
Ansiosa, agita-se se calma,
Como a querer me fazer
Seus sentimentos, escrever!
Ora vislumbra-me por inteira
Ora esconde-se sorrateira!
Sim, falo de minha própria alma,
Que na verdade sou eu mesmo!
É que às vezes, escondo-me de mim mesmo,
Outras vezes, mostro-me todo, a mim mesmo!
Uma parte de minh’alma ao Mundo quer se mostrar,
Outra parte querer do Mundo se esconder!
Sinto minh'alma carente de amor, de afeto!
Levo a vida sentindo-me um Ser incompleto!
Meu desejo de amar, só meus poemas a me consolar!
Mas essa dor em minh’alma insiste em me maltratar!
Triste sina essa minha, tenho tanto afeto a oferecer,
Porém, há uma estranha força impedindo acontecer
A aproximação de alguém que posso meu frio coração
Aquecer! E quando alguém chega, eu, algoz de mim mesmo,
Atrapalho-me, erro, falho,... Sim, sou algoz de mim mesmo!
SER SUBLIME
Por detrás dos olhos baços,
Daquele andar de passo em passo,
Naquele corpo já bastante lasso –
Uma Alma de distinta nobreza,
Carrega o fardo, a cruz de aspereza,
Que Deus lhe concedeu, com certeza,
Como última missão desta natureza!
Pelas formas honrosa e majestosa
Com que, dia a dia, cumpre zelosa,
Sua parte, gênios de todo tipo de arte,
Especialistas dos mais variados ofícios,
Sob o comando de Jesus – sem sacrifício,
Ergue, à Alma distinta – um Ninho de Luz.
Quem será esse Ser angelical? Não deduz?
Minha mãe! Honra-te de conhecê-la, aqui,
Porque, lá, junto a Jesus, banhada em luz,
Só alma de sua estirpe dirá: eu a conheci !
“SEGUINDO A CORRENTE ...”
De encontro à vida,
Fatal acidente causando ferida.
Ao da encontro vida,
Ação inteligente, normal incidente .
Nas duas opções,
Sob quaisquer condições,
São distintas as lições:
A primeira, ir contra a corrente da vida,
Revoltando-se ante as provas sofridas,
Só aumenta a dor da ferida
E não se aprende com a lição vivida,
Que, no futuro poderá ter de ser repetida!
A segunda, o ser pensante,a dor, não abstante,
Segue a corrente da vida numa luta constante,
Sem revolta e aprendendo a todo instante!
Ao encontro da vida uma decisão inteligente.
LIÇÕES PROVERBIAIS
Chega de choradeira...
“Não adianta chorar o leite derramado.”
Se um projeto fracassou,
A Vida outro já lhe planejou.
Se o tempo difícil não passa,
Tenha coragem, mostre sua raça.
“Água mole em pedra dura...”
Se seu amor o abandonou,
“Amor não abandona, protege.”
E você não sabe o que a Vida para ti elege.
Se você foi traído por um amigo,
“Amigo não trai amigo.”
Você se livrou de um astuto inimigo.
“Quem com ferro fere,...”
Se você está sentindo solidão:
Solidão não mata; fortalece o coraçãorpreendente.
E, como diz a sabedoria popular:
“O que passou, passou.” “Bola pra frente.”
A Vida é surpreendente,
E reserva muitas surpresas para a gente.
POEMAS LEVEDADOS
Faço poemas
Como se faz pão caseiro:
A massa tem de ser misturada,
Atritada, homogeneizada, levedada.
Os ingredientes que formam
A “massa” de meus poemas
São: meus pensamentos, minha emoções,
E minhas sensações.
Dois “recipientes” básicos são usados
Na preparação de meus poemas:
Minha mente e meu coração.
O processo de levedura
- Como no pão caseiro –
Às vezes é demorado,
Depende das “condições climáticas”:
Quanto mais quente melhor.
Só escrevo poema
Sob pressão e calor.
A mente e o coração
Têm de estar em ebulição.
Às vezes, como no pão caseiro,
Meus poemas saem meio puxados
No “sal e/ou no açúcar”;
É que, já me disseram,
Sou um tanto quanto exagerado
Ao expressar meus sentimentos.
DEUSA DA MINHA NATUREZA
Quando a vi – na hora,
Pensei: Ah! Se ela me quisesse agora!
Como o mito de Zéfiro e Flora,
De bruto que sou,
Eu me transformaria
Em suave brisa d’aurora.
Mas, diferentemente do mito de outrora,
Só eu me encantei por minha deusa Flora,
Ela nem me percebeu –
Passou e foi-se embora.
XODÓ
Morena, meu chamego,
Tua ausência me tira o sossego.
Faz-me falta teu afago.
Se não voltares logo,
De saudades me afogo.
Como viver sem teu aconchego?
ALMA DE LUA
Hoje é lua cheia
E minh’alma
Ainda mais vazia
Hoje é lua crescente
Como a dor
Que minh’alma sente
Hoje é lua minguante
E em minh’alma
Mingua a alegria restante
Hoje é lua nova
E em minh’alma
A tristeza se renova
POESIA SEMPRE
Prometo
Poesia
Na dor
Na alegria
Se a morte separa
Se a vida não para
Permanece
A poesia
Na dor
Na alegria
