Ferreira de castro
A mulher escolhe sempre o homem que a escolhe a ela, como é da sabedoria das nações. A verdade também.
Ri sempre de maneira que alguém fique, sem saberes, a chorar dentro de ti. Porque se o riso permanece, o que encontra dentro de ti é o idiota que lá estava à sua espera.
Pensar. E se o pensar fosse uma doença, mesmo que dela resulte uma pérola?
Numa situação intensa não sabemos que dizer. Para isso é que há o formalismo do silêncio, traduzido num abraço de emoção ou nos «sentidos pêsames» sem emoção nenhuma.
Toda a explicação pressupõe o conhecimento do inexplicável, ou seja, do que seria mais interessante explicar.
Quando se apanha um mentiroso, ele pode perguntar-nos - e o que é verdade? E o mais provável é termos de o deixar seguir.
Amas ou não uma mulher, mas não sabes porquê. Como hás-de poder saber a razão do bem e do mal?
Como saber que se falhou, se não sabendo como não falhar? Mas então porque se falha? E se saber que se falha é realmente ignorar como se não falharia? Sabemos de outros que não falharam, porque sabemos então neles o que é não falhar.
Teve uma ideia, tão original e tão esquematizada em máxima sentenciosa, que se tornou um lugar-comum e perdeu a originalidade. Mesmo para quem a criou.
Uma história vivida não tem tempo de calendário - tem-no só no que se viveu.
Pois, a emoção é decerto uma forma de se subir mais alto. E quando cai, de se cair de mais alto. Aprende a serenidade. Porque mesmo que caias, não te magoas tanto.
Há o que tem limite e o que é sem limite. A arte é a forma perfeita da consciência destes opostos.
Se és artista, não fales em ser maior ou menor, para não confundires a tua obra com uma prova de atletismo.
Não te coíbas de repetir o que já disseste, porque és pequeno e só assim talvez será possível que te ouçam.
A melhor forma de te não dizerem pequeno é dizeres dos outros que são grandes. Sobretudo se for mentira.
Sê alegre apenas depois de dares a volta à vida toda. E regressares então a uma flor, ao sol num muro, a um verme no chão. A profunda alegria não é a do começo mas a do fim.
Lamentares a sorte dos que morreram é uma forma oblíqua e subtil de te julgares imortal.
Não exibas tanto o esplendor dos teus dentes. Eu sei que são postiços. Mas há quem não sabe, dizes. Pois. Mas ainda que eu não soubesse, sabia-lo tu. Fecha a boca.
Pois. Tiveste em jovem a tua ideologia. Mas envelheceste. E a velhice tem já as suas falhas de memória. E uma das maiores falhas de memória é persistires no que te torna já um maníaco.
