Luiz Guilherme Todeschi
Toda unanimidade não é apenas burra: quem a integra acredita disfarçar sua burrice pelo uso de uma suposta verdade coletiva que geralmente nada tem de inteligente! A rigor, é provável que todas as peças que compõem o todo, se somadas, não alcancem a inteligência de um único jumento!
Reúno incontáveis defeitos e ainda cometo muitos erros, mas falta de caráter e de humildade para reconhecê-los não é um deles.
É direito de todo indivíduo levantar a bandeira que quiser, como também é direito de outros recusarem-se a compartilhar trincheiras pelo simples fato de, pelo menos em tese, possuírem interesses comuns. Ninguém pode ser forçado a ocupar lugar na trincheira de outrem por ter voz como pessoa pública, possuir representatividade, ou ser formador de opinião apenas porque alguém quer reforçar a própria trincheira valendo-se de tal notoriedade, e acha que seu direito de cobrar posicionamentos é maior que o do outro de fazer suas próprias escolhas. Militância é uma decisão pessoal, e dar-lhe tratamento de obrigação é totalmente equivocado, pois que contraria o princípio da igualdade de direitos.
O bom senso nos diz que o ceticismo tem um limite, e este vai até o ponto em que a lógica não o contradiga. A negação pura e simples, a partir desse ponto, se contrapõe não apenas à lógica, mas às fronteiras aceitáveis da inteligência.
A aparente inexistência de vinculo com um crime não significa exatamente “falta de provas”, mas apenas que o criminoso pode ter sido esperto o bastante para apagar todos os seus rastros. E é quando o acusador devera se mostrar mais cientista que juiz para focar no “horizonte de eventos”, que afasta qualquer hipótese de não vinculação.
O vicio dos elementos acusatórios só ocorre quando o juiz forja um horizonte de eventos, que sabe ser inexistente, para retirar do réu as possibilidades de provar sua inocência.
Todo buscador incansável e libertário costuma ser visto como ameaça incômoda e permanente aos que têm coisas a esconder e o têm como intruso, sem atentar que este visa obter vantagens e o primeiro o faz para entender a si próprio a partir de seu contexto.
Pessoas que julgam outras sem sequer lhes entender as razões vivem atormentadas com o passado, em permanente defensiva no presente e em falsa ameaça no futuro.
Aqueles que não aprenderam a lidar com o passado arrastam seus traumas por toda uma existência, comportando-se como feras acuadas que precisam atacar antes para não enfrentar supostas ameaças que só existem em suas cabeças.
A melhor das suas intenções não diz coisa alguma para quem já está predisposto a não o aceitar. Daí que não há equívoco a corrigir nem culpa a se resgatar, já que a reação do outro só pertence a ele e não fica sob o seu controle.
Decepção é aquele sentimento dilacerante de perceber cada minuto dedicado a alguém transformado num inútil e descomunal desperdício de tempo.
Algumas pessoas acreditam que o amor, o trabalho ou até a fé podem ser razões fortes para se tornarem servis, incorporando a subserviência como meio de preservá-los. Pois eu digo a elas que se teu parceiro de vida, teu chefe ou teu deus te cobram isso, começa a pensar na solidão, no desemprego ou na agnose como uma dádiva do que tens de mais legítimo e inalienável na vida, que é o teu amor-próprio.
A partir do instante em que descobri como você pensa, eu parei de me preocupar com o que você pensa!
Não é sobre acreditar, é sobre a autenticidade da fonte; não se trata do conteúdo, mas do marketing usado.
A pior prisão não é estar atrás de uma porta fechada, mas acreditar que não temos mais portas para abrir.
