Camilo jose cela
O tempo das licenciosidades plurais
passou ao atribuir a cada indivíduo a causa e a
responsabilidade sobre si, assegurando seu acesso ao inequívoco e necessário — e, sob a aquiescência do mais vertical dos
fundamentos: a Verdade!
"Olhos de ver e ouvidos de ouvir"
correspondem àquilo que cada Ser se dispõe a ver ou a ouvir — algo que somente o tempo
e a experiência adquirida, ampliarão tão necessária percepção!
Acreditar em forças sobrenaturais como causadoras de nossos infortúnios e vícios é,
a meu ver, desacreditar na capacidade humana de produzir tanto o bem
quanto o mal que
ambiciona!
A verdade, meus amigos, é essencialmente vertical, afirmando e reafirmando o senso de moderação que nos cobra a vida. Mas quantos, pergunto, estão dispostos a escalar tão íngreme vertente
para alcançar não menos custoso
fundamento?
As grandes ideias são aquelas capazes de
nos instigar um olhar mais à frente, originando novas e igualmente desmedidas ideias; caso contrário, resultarão em dogmas insossos, sujeitos a prazos de validade!
Queres relevância entre os homens?
Sê moderado, tolerante e prestativo em tuas percepções e atitudes. Sê este pouco que
te pede a vida em favor do teu próprio aprimoramento como espírito!
Poder caminhar por este chão trata-se de uma,
entre tantas, oportunidades de aprimoramento concedidas ao nosso espírito pelo Criador — em
tempo algum, porém, como o único habitat
e destino reservado à nossa aguerrida
tarefa de viver!
Até que dediquemos à virtude
o mesmo vigor e audácia que, relapsos, devotamos à infâmia, esta, sorrateira
e devastadora, subsistirá!
A sabedoria dos antigos deságua em três fundamentais vertentes: a prudência que tudo observa e pondera, o desapego que reveste-se do necessário e a lucidez que enaltece e reproduz a graça de viver!
A mais desafiadora de todas curas, como
acentuou Jesus, o Cristo, muito além de
estancar nossas anomalias físicas, consiste na restauração de nossa lucidez como
espíritos em continuado
aprimoramento!
Memórias são nossas digitais no tempo:
sempre únicas, marcantes e profundamente reveladoras — atuando, sobretudo, como fiéis depositárias das gratas afeições e sensatez que nos sustentam e pacificam!
A prova determinante da nossa liberdade reside não naquilo que, livres, podemos fazer — mas, sobretudo, naquilo que somos livres para não fazer!
Existem multidões que só fazem barulho. Sem verdade e sem afeto, a alma continua sósia do próprio silêncio.
Uma notável sagacidade e sofisticação
nem sempre resultam em robustas doses
de sabedoria. Intelectos focados em borrifar
os próprios dotes e impressões raras
vezes orvalham bom senso!
O tão desejado 'bem-viver' provém de uma ousada e consistente arte no agir, na qual as boas ações são espontaneamente praticadas
e jamais, presunçosamente,
contabilizadas!
E mesmo uma legítima busca pela nossa felicidade acolherá — como indispensável tempero — uma
incômoda, porém breve,
infelicidade!
Melhor demonstram o força da
sua Fé aqueles cuja vontade ou parte substancial das suas expectativas
não é satisfeita!
