Luis da camões

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⁠Somos tão grandes quanto a verdade,
na mesma proporção,
em que somos tão pequenos.
A verdade é a chata da razão.
Viver é emoção.
sonhos é que fazem acontecer.
O resto é brutalidade.
O emotivo vive, sente e sonha.
O racional calcula o que não vive.
Velhos conflitos humanos:
- Eu sonho
e a verdade sonha comigo.

Inserida por MoacirLuisAraldi

⁠Cara e coragem,
eternas bagagens
desta viagem
rumo ao fim.
Viver é partir
sem apetrechos
nem preconceitos,
levando a vontade
de ir, passo a passo,
construindo a história
preenchendo lacunas,
de lembranças na memória.

Inserida por MoacirLuisAraldi

⁠O sonho bom,
antigo e jovem,
antes planejado...

Despejado nos lábios:
- Desejo.

Sorrir
– não o riso que se apaga,
mas o longínquo,
contundente
como fruto e semente.

Feliz o que vai
e
volta,
pedindo bis.

Inserida por MoacirLuisAraldi

⁠A rua ainda me acolhe
em algumas caminhadas.
Tantas vezes, esperançoso, a percorri!
(Espiando em portas nas quais não bati).
Rua da minha mocidade,
das folgadas tardes de domingo,
do cinema lotado
e do bar-café ao lado.
Há tantas outras vielas antigas,
Jovens, revitalizadas,
mas só tu, rua minha,
estás em mim eternizada!
Por ti é que aqui volto
e professo minha fé na Catedral.
Teu nome não digo,
este segredo levo comigo,
nesses passos na área central.

Inserida por MoacirLuisAraldi

⁠Entardeceu,
o relógio soou.
A matriz emite o som
e contempla a praça.
- Para que servem as horas?
Gosto de ser feliz,
tanto, que sou!
Mas o tempo...
Se não passasse
haveria adeuses?
O presente,
eu sei,
é todo meu.
O tempo…
só pode ser Deus.

Inserida por MoacirLuisAraldi

⁠Maçãs coradas,
olhar infindo,
dizendo nada,
sorriso lindo!
Marcas do tempo
entre duas datas.
História composta,
hiatos do vento,
em sílabas separadas.
Do dito tudo
sobrou o nada!

Inserida por MoacirLuisAraldi

Ausências que habitam
distantes épocas
das minhas memórias,
sem nomes,
sem rostos,
sem corpos.
Endereços nem constam.
falta a glória,
faltam folhas,
sobram histórias,
esquecidas.
Nem meu nome aparece.
Ergo as mãos,
saúdo o finito.
Lembro-me de que tudo era bonito,
quase uma prece.
Ajoelho-me
e sinto que algumas raízes
resistem em heroísmo.
Há uma luz
esperançosa,
mas não há recomeços.
Dou mais alguns passos
para recordar o vivido,
e depois…
o último tropeço.

Inserida por MoacirLuisAraldi

⁠Desejo abraços apertados,
sorrisos sinceros e francos,
corações em paz, confortados,
e amizades sólidas, sem solavancos.
Que a corrida não seja só pela vitória,
nem somente para constar na história.
Que coisas ruins saiam da memória,
porque todos merecem um mínimo de glória.
Que a fé não precise remover montanhas;
que medalhas não sejam só para quem ganha.
Que todos tenham o poder da barganha
e que realizemos grandes façanhas.

Inserida por MoacirLuisAraldi

⁠Foi o último sol.
depois,
o inverno chegou.
A brisa
cobriu a vida.
Nada mais era visível
e o que se via
não nos via.
O branco foi cobrindo
os olhos fechados.
Silenciados.
E os sonhos dormiram
eternamente.

Inserida por MoacirLuisAraldi

⁠Sua vida
é seu belo poema,
é sua mais perfeita
obra de arte.

É sua canção predileta
e sua melhor peça teatral.
Sua vida é seu presente:
­- Viva-a intensamente!
Sorria feliz!

Use figurinos coloridos,
experimente novos sabores
e abrace, com carinho,
seus amores.

A vida
é sua incontestável vitória.

Agradeça.
- É sua glória!

Inserida por MoacirLuisAraldi

⁠Quando uma porta se fecha,
sinto a tristeza da alma vazia.
Imagino a dor na cravada da flecha,
que vem da solidão e dos amargurados dias.

É como um grito que ninguém ouve,
como um silêncio que nos torna insanos.
Sei que há lagartas cortando folhas
e raivosas tesouras abrindo o pano.

É como a tristeza, depois que o trem passa,
e a incerteza da dúvida se a angústia cessará.
É choro no embarque entre promessas
e a incerteza de quando a saudade gritará.

Inserida por MoacirLuisAraldi

⁠
Tempo prático é aquele
em que se cultiva roseira,
e, num momento romântico,
presenteia-se a rosa.
Devaneios são
perda de tempo.
Atemporais são
as horas vazias,
que tornam a alma fria.
Tempos melancólicos
são divagações e lembranças,
que pararam no próprio tempo.
O tempo para
O perdão
é infindo.
O tempo presente
é para ver a vida florescer
e o amor dizer: – Bem-vindo!
Esse é o tempo de viver...
Ah, que tempo lindo!
éticos)
Moacir Luís Araldi

Inserida por MoacirLuisAraldi

⁠
Onde se abriga o silêncio
que tantos guardam?
Dizem até que o silêncio fala,
que talvez se expresse
na voz do rio que corre,
no canto matinal dos passarinhos
e no vento assobiando, de mansinho.
Talvez o silêncio esteja
na música distante
ou no poema lírico engavetado.
Talvez se abrigue
nos segredos prometidos
ou no amor e seu gemidos.
Talvez até grite,
mas não é ouvido.
- Existe o silêncio
ou o mundo
está muito distante
para ouvi-lo?

Inserida por MoacirLuisAraldi

⁠Sacudiu as asas na poeira.
Depois...
Vi, ao longe,
sacudi-las na poça d'água,
antes de subir e pousar,
como sempre faz,
na laranjeira, aqui em frente.
Outro dia, lá estava,
valsando de asa alçada
para a fêmea.
Agora montam ninho.
As penas brilham
de felicidade.
Ao amanhecer,
entoa um canto vencedor
e a companheira freia o voo,
vindo empoleirar-se ao seu lado
O cheiro da flor de laranjeira
me distrai.
O amor está em tudo.
curiosamente,
em tudo.

Inserida por MoacirLuisAraldi

⁠O primeiro dia foi de miséria,
os demais também.
Não fosse a carne do porco,
a fome seria total.
E, depois, um tiro certeiro
quebrou a asa de uma ave.
(Uma das asas ainda batia)
Desiquilibrada, caiu.
Com apetite voraz,
segurou-a pelo bico,
enquanto abria o pescoço.
O ar encheu-se de sangue.
Barriga vazia.
(Abatida, consumida)
Por tempos, salvou seu corpo,
mas a alma,
miserável,
morria, dia após dia.

Inserida por MoacirLuisAraldi

⁠Trago mãos vazias
e posso até mostrá-las.
Nos meus braços,
nada há.
A dor de Maria
me faz sentir
que sou total desalinho,
tropeçando nas pedras
do caminho.
Não há pontes unindo
meu sul ao meu norte.
E o vento melancólico
sopra, excessivamente forte.
- A alma balança.
Onde estará o ponto sagrado
da harmonia humana
para o mundo ser ancorado?

Inserida por MoacirLuisAraldi

⁠Lembranças tantas...!
Qual é a melhor, eu nem sei...
Algumas, certamente vivi.
Outras, creio, sonhei.
O tempo andou distraído
e me alegro ao me lembrar
- nesta ausência de memória -
de tudo o que foi vivido.
A melhor delas
nem revelo.
Não por esquecimento,
mas pelo prazer
de a guardar...

Inserida por MoacirLuisAraldi

⁠Eu vi, antes de olhar, eu disse, antes de falar, eu descobri antes de revelar, eu sonhei, antes de realizar…

Inserida por aquinoluis12

⁠Hoje ao acordar
Abri as cortinas da janela
Vi e ouvi a chuva
Perguntei a Deus
Se estava chorando 
Pela minha dor
Talvez...!!!
E agradeci a Ele
Por secar minhas lágrimas
Com as suas.

Inserida por LFP753

Tenho mania de entrar em livraria. Não precisa nem ser para comprar livros.

Luis Fernando Verissimo
Medo da loucura alheia. Rascunho, abr. 2016.
Inserida por pensador