Andre guide
Odeio pedir desculpas, perdoe meus “excessoss”, e, não gosto de histórias inacabadas, cheias, de vírgulas, que terminam antes mesmo de um ponto final.
Alforria
Não me peças pra calar-me à tua fera
Nem que sejas para ti contentamento
Meu amor é felino, tu bem sabes
Na tua vida não serei aditamento
Áurea flava zombeteira me sequelas
Afrodite, Psiquê e tantas outras
Em silêncio veleidoso me revelas
Mais que beijos matinais de outra boca
Como bicho que sou, e tu já sabes
Meu ciúme não terás um só momento
Se estou preso a ti é por vontade
Da tua pele, do teu toque e teu alento
Carrego tempestades em mim
que ninguém acalma
que ninguém entende
que ninguém compreende
Só aparecem depois que a calmaria já chegou.
“Veras Prima”
Calenda ancestral,
De dia igual nos aparece,
Dia de antigo ritual,
E, no entanto, para nós sem igual!
De nova tormenta esta data se passa,
De um dia em casa sem te poder abraçar,
Olho para ti na bela Praça,
Aquela que em minha janela te consigo alcançar!
Década nova e novo ano tu já o sentes,
Desta nova humanidade,
Do ímpeto confinado de boas gentes,
Num abraço coletivo das idades!
E tu, oh Primavera, tu que és a mais velha de teus irmãos,
Do teu ancestral reino nos trazes sempre a alegria,
Na conquista do Titã Cronos,
Peço-te assim um belo novo Dia!
Neste diário de infame cativo,
Espero que a minha voz te consiga alcançar!
Voz essa de velho amigo,
E que pede, por fim, um despertar!
Na esperança das velhas conquistas Lusas,
Das Tormentas à Boa Esperança!
Somos a voz das gentes tuas,
Que apela à tua Confiança!
Barreiro, 20 de março de 2020
Não sei se lavo as mãos,
Ou esfrego o corpo.
Se me isolo então
E me entrego todo.
Talvez assim
cheio de mim
viva mais um pouco
Até voltar a saber
o que não fazer de novo.
André Luz
