Camilo jose cela
Vocês chegaram em momentos tão diferentes,
Cada uma com uma missão específica,
Pra alegrar a vida da gente.
Ainda consigo distinguir o tom de cada choro.
Quando lembro, ainda me dá aquela emoção no umbigo
Que muita gente sente.
Uma ganhou o nome parecido com o do pai,
A outra, o nome da avó...
A garganta chega a dar um nó.
As lágrimas escorrem do rosto sem desprendimento nenhum,
Lembrando de Dona Maria,
A eterna zero 1.
Ela se foi num processo de evolução da vida,
Mas se eternizou em vocês,
Minhas duas filhas queridas.
Eu sou vocês e vocês sou eu,
Onde doeu em vocês,
Em mim também doeu.
Existe uma verdade que eu quero te dizer:
Existe uma pessoa que só vai te aplaudir
Quando você morrer.
Nunca esteve no seu ir e vir,
Mas, diante do seu caixão,
Vai querer te aplaudir.
Vai dizer diante da multidão
O quão grande e importante você foi
E o que representou.
Mas, durante sua vida, sempre foi distante e te ignorou.
O exibicionismo vai entrar em cena,
E tem gente que vai ter até pena
Daquele discurso hipócrita e mentiroso,
Que, como uma regra de formas gerais,
Irá se repetir em outros funerais.
Chorará lágrimas de puro teatro,
Encenando a dor que nunca sentiu,
Postará uma foto de um abraço antigo,
Sussurrando ao vento o que nunca te ouviu.
Mas não se engane com esse lamento,
Pois quem não te quis no seu caminhar
Só usa a sua partida e o seu silêncio
Como um pretexto para se destacar.
O conhecimento é como o coração que bombeia sangue para o corpo, mantendo o ritmo certo e a vida em movimento ao longo de toda a nossa jornada.
O ex-presidente da República está preso, e o atual presidente é um ex-presidiário; e o brasileiro, frustrado porque a seleção brasileira de futebol foi eliminada da Copa.
Antes de plantar, conheça bem o solo. Às vezes, desperdiçamos tempo e recursos em terra infértil — e isso, definitivamente, não é sobre lavoura.
Existe uma frase muito sábia que diz na vida você precisa aprender a olhar em cinco direções olhe para frente para nunca perder de vista o seu destino olhe para trás para não esquecer de onde você veio olhe para baixo para nunca pisar em ninguém olhe para os lados para reconhecer quem permanece ao seu lado nos momentos mais difíceis e olha para o alto para nunca se esquecer de que Deus está vendo todas as coisas.
"O Julgo Invisível”
Vivemos num tempo em que o valor de um homem se mede pela pressa com que ele produz.
Se ele para, chamam-no de preguiçoso; se cansa, de fraco; se pensa, de inútil.
Mas ninguém pergunta o que o silêncio dele carrega, nem o peso invisível que sustenta quando o mundo o chama de vagabundo.
Talvez o que eles chamam de inércia seja apenas o intervalo entre o que ele foi e o que ainda vai se tornar.
Nem todo repouso é desistência — às vezes é apenas o respiro antes do próximo passo.
E quem julga de fora nunca vai entender a batalha que se trava por dentro,
onde cada dia sem trabalho é também uma luta para não perder a fé em si mesmo.
"O Silêncio de Não Ser Pai"
Não sou pai. E há nisso um espaço — não de vazio, mas de eco. Um campo onde o tempo passou, e deixou intacta uma terra que poderia ter sido semeada.
Não ser pai não é ausência de amor.
Talvez, seja amor que não precisou de nome, que não se debruçou sobre berços, mas se espalhou em gestos, em presenças sutis, em silêncios partilhados.
O mundo, com sua pressa de moldar destinos, parece esperar que todos sigam a mesma trilha: encontrar, gerar, ensinar, repetir. Mas e aqueles cujos passos desenham outro mapa? E aqueles que escutam a vida por outros ângulos, sem o riso de um filho chamando pelo corredor?
Às vezes penso: teria sido bonito... Ser chamado de pai com a voz trêmula de uma criança, encontrar meu rosto espelhado em outro pequeno rosto. Talvez um dia. Talvez nunca. E tudo bem.
Há paternidades que não vestem título.
Há frutos que não brotam do sangue, mas do cuidado que deixamos pelo caminho. Já fui abrigo, já fui raiz, mesmo sem ter dado nome a ninguém.
Não ser pai é, por vezes, um caminho mais silencioso.
Mas há sabedoria no silêncio, há paz em aceitar que a vida se desenha também nas entrelinhas. E que o que não foi, ainda assim, pertence ao que somos.
