Camilo jose cela
De que vale uma cor
Esse parâmetro estranho,
Quando somos feitos todos de
Carne
Sangue
E sonhos?
Enquanto vivemos
Há quem só sobrevive,
Quase em desengano.
Com medo justificado
A cada arreganho.
Os desejos!
As dores!
Os desafios!
Os amores!
Só mudam de aspecto.
Apenas cabe um prospecto:
Uma vida
Não é definida por cores.
A carne negra,
Tão maltratada,
Tão desfeita,
Vale igual todas as outras.
Empatia é se imaginar
Em desolação,
Quando sua vida é livre
Dessa atribulação.
Ou se indigna,
Se revolta,
Se assombra,
Não se acomoda.
Ou de humano
Já perdeu a condição.
Aquele trem muito rápido
Velocidade desabrida.
Pode chegar logo ao destino,
Em desatino,
Ou por aí descarrila.
Cadê a paisagem,
As belas paragens
Contemplação consciente?
Em bons trilhos percorre,
Desde que estes se provem,
Firmes e permanentes.
Tem segurança no penhasco
E vagareza por campos plácidos.
O tempo em lento transcurso.
Ao destino um dia se chega:
Solidez o caminho inteiro permeia
O proveito está no percurso.
Quando se começa a pensar grande, percebe-se o quão insignificante são os problemas com os quais nos preocupamos.
MURMÚRIOS
Sinto-me assim!
Como olhares na infinita escuridão
Nos caminhos mas incoerentes
Proibida, sem poder revelar-me
Sinto vontade...
Ah! O que adianta, se minha voz e palavra muda
Mas ao mesmo tempo forte como avalanche
Pois ainda sou gestos, hipóteses, incertezas para ti
A partir desse instante me resta lembranças
Em passos lentos me vejo
por ti...
Respeito mutuo amo-te apesar de tudo
Deixei de acreditar no amor que sonhava
Um amor que não me procura-se somente para li satisfazer e depois tchau
Que fosse sincero nos gestos e palavras
Um amor que não criticasse o medo que tenho de relâmpagos ventos e chuvas.
Um amor que nascesse e não fosse podado pelo medo da desilusão
Não importando se fosse proibido ou não
Meu DEUS!Como secar as lágrimas que insiste em persistir
Não entendo, será por que me entreguei de tal maneira ao sacrificar o meu EU por TI
Perdoa-me...pois não consegui entender
Confundindo os meus sentimentos.
Te prometo tentar apagar tudo, mesmo a saudade incomodando tal como uma pedrinha no calcanhar
Sorrirei entre lágrimas mesmo destruída por dentro ninguém saberá o que sinto
Mas minha vontade, e de gritar ao mundo que TE AMO e que aceito ate a humilhação que me propôs
Mas ainda me recuo, pois as palavras faltam
Ama-lo foi e continuará sendo a melhor coisa que me aconteceu.
E um presente que foi destruído pelo futuro
Seus olhos!
Ah seus olhos, me transparecia confiança
Sua ausência doí muito quando eles me olham sem poder me olhar
Sei que não tenho direito de te procurar
Sei que e impossível amor sem poder e ficar por ficar
Mas de algo tenho certeza!
Que não amarei ninguém além de ti
Pois sei que um dia a ferida vai sarar, mas jamais cicatrizar...
Floriram por engano as rosas bravas
No Inverno: veio o vento desfolhá-las...
Em que cismas, meu bem? Porque me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?
Castelos doidos! Tão cedo caístes!...
Onde vamos, alheio o pensamento,
De mãos dadas? Teus olhos, que num momento
Perscrutaram nos meus, como vão tristes!
E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos...
Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze --- quanta flor! --- do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?
Há no ambiente um murmúrio de queixume,
De desejos de amor, d'ais comprimidos...
Uma ternura esparsa de balidos,
Sente-se esmorecer como um perfume.
As madressilvas murcham nos silvados
E o aroma que exalam pelo espaço,
Tem delíquios de gozo e de cansaço,
Nervosos, femininos, delicados,
Sentem-se espasmos, agonias d'ave,
Inapreensíveis, mínimas, serenas...
Tenho entre as mãos as tuas mãos pequenas,
O meu olhar no teu olhar suave.
As tuas mãos tão brancas d'anemia...
Os teus olhos tão meigos de tristeza...
É este enlanguescer da natureza,
Este vago sofrer do fim do dia.
