Ferreira de castro
E quando a palavra que você engoliu não veio de você? Pôr pra fora deixou de ser uma opção de alívio, né? Penetrou igual cola tudo no peito e quem é forte o bastante pra tirar?
Pesares que me carregam.
“Sabe o que é engraçado? Tua mania moça de criptografar o peito, transformando suas súplicas de paz, em um amaranhado de frases entrelaçadas discorrendo tudo o que te fez mal. No intuito de eternizar as migalhas de sentimento que te restaram. Na tua prateleira só há passado juntando poeira. Permita-se ser livre, moça. Leva o teu peito pra bem longe dessa literatura doentia. E o teu coração vai descansar em paz. Seja feliz.”
É que quando algo me machuca, sou como aquela flor que se contrai ao toque. É um ato involuntário de sobrevivência.
Não é drama, é só que a vida não costuma me apresentar a felicidade por muito tempo. E isso me faz esperar sempre a (des)felicidade das coisas. Não é drama, são meus pesares falando mais alto
Não é por que eu desisti que me torno fraca. É questão de força reconhecer e aceitar que aquilo não estava me fazendo bem.
Quando você entende que as coisas não dependem só de você pra acontecerem, você deixa de carregar a culpa inteira só pra si.
Eu mereço sossego
Dentro do peito
Dentro da mente
Sem palavras vãs
Sem promessas falsas
Sem amores rasos
Sossego de alma, sabe?
Poetas bons são os infiéis, feitos de carne, osso e papel.
Poetas da realidade, que não medem portas e não sonham em construir janelas.
Poetas que não se prendem a assuntos vãos, não falam de amor ou sentimento. São reféns de suas ideologias e desejos.
Poetas feitos de luxúria e sentimento, memórias recheadas de esquecimento e pessoas sem face.
Poetas não se lembram de nomes e não se preocupam com palavras, com a ordem delas ou com suas incoerências.
Poetas não se preocupam e não pensam, deixam fluir seu sentimento inerte.
Poetas não existem, estão mortos, são pó. Apenas pó e cinzas, sem razão lógica ou sentimentos.
Poetas são mistériosos, são mais que homens, são seres fantasiosos.
Eu não sou poeta, penso, rezo, creio, amo, sofro, choro, me desprezo e sonho em te ter comigo.
Sou homem, fiel, feito de carne, osso e véu. Véu que cobre todas as minhas construções, mesmo que não sejam nada além de papel.
Poetas bons são os infiéis.
Sobre Bell
Sua graça é um tanto sutil
Não é daquelas que se encontra
Em qualquer loja de suvenil
Aos olhos dos desavisados ela encanta
Seria uma sereia ou ninfa do mar?
Depende da face que irá encontrar
No geral ela é tranquila
Mas não provoque
Não gosta de birras
E se fala em política
Ah!
Ela tem sempre algo para criticar
Sua voz é adorável
A não ser que use o tom grave
Só pra variar
Seus jogos são um tanto cultos
Há quem diz que sejam brutos
Não sabe se apaixonar
Gosta de simplicidade
Mas é menina da cidade
Nasceu para se arriscar
Na fala um tanto precisa
Usa termos desconhecidos
Desenterrados dos livros que leu
Sempre diz que há motivos
Mesmo que não existam
Sabe se defender
Mas as vezes a máscara cai
E ela não sabe o que faz
Se perde de si mesma
A verdade é meio amarga
Uma vez foi magoada
E não soube perdoar
Seu eu é uma máscara
E o que mascara
Até ela já esqueceu
QUASE TANTO QUANTO EU
Os dias passam e o mormaço do tempo ensolarado
infiltra-se nas almas desacreditadas.
Meus pulsos sedem a repulsa do tempo
e a, antes tradicional, cabeça dura,
mostra-se a cada dia mais firme,
embora, ao mesmo tempo, frágil.
E as almas acaloradas setem sede, vontade, preguiça, de ida e vinda, vinda e volta, volta e ida e assim vai. Vai e fica, fica e permanece a insistir em teclar o mesmo erro.
A vida é firme, quase tanto quanto eu.
Os dias passam e o tempo encurta as pernas,
dobra-as e não sede.
Deixa, as pessoas desesperadas a sua procura,
por sua ajuda, por sua ida, que fica pendente,
nas paredes corroídas por excesso de respiração e
as pessoas desesperadas sentem sede, vontade, preguiça, de ida e vinda, vinda e volta, volta e ida e assim vai. Vai e fica, fica e permanece a insistir em teclar o mesmo erro.
A vida é cabeça dura, quase tanto quanto eu.
As noites se estendem, mas permanecem rápidas
para abrigar os sonhos que o sol queima.
“Soul”,
raios soltos, os quais agrupados nos impedem de ver.
A luz clara não ilumina os pensamentos confusos,
só quando a luz se apaga voltamos a cair
no maldito clichê, que sentem sede, vontade, preguiça, de ida e vinda, vinda e volta, volta e ida e assim vai. Vai e fica, fica e permanece a insistir em teclar o mesmo erro.
A vida é previsível, quase tanto quanto eu.
E que maldito,
pobrezinho,
dizem tão mal mas não bendizem,
mesmo que peça bença aos seus padrinhos.
Tão malditos, com juras de amor que não se realizaram
e sonhos perdidos que voltam a estampar
os jornais imaginários, que guardamos em gavetas mofadas,
repletas das lembranças
daqueles que sentem sede, vontade, preguiça, de ida e vinda, vinda e volta, volta e ida e assim vai. Vai e fica, fica e permanece a insistir em teclar o mesmo erro.
A vida é imaginária, quase tanto quanto eu.
Ensolaradas e sem óculos escuros.
Impossível de enxergar, impossível de não se ver.
Se move em um vai e vem descontrolado e descontrola-se
batendo a cabeça no som do rock que toca em sua alma
e não se perde, não se deixa ir, se faz voltar e
fica e sente, sentem sede, vontade, preguiça, de ida e vinda, vinda e volta, volta e ida e assim vai. Vai e fica, fica e permanece a insistir em teclar o mesmo erro.
A vida é descontrolada, quase tanto quanto eu.
Tão serena,
como se o próprio clássico aplaudisse
em suaves estalos uma sinfonia grave
e como eram.
Seus problemas intermináveis, em viagens de barco não saiam de sua maré.
Sentem sede, vontade, preguiça, de ida e vinda, vinda e volta, volta e ida e assim vai. Vai e fica, fica e permanece a insistir em teclar o mesmo erro.
A vida é grave, quase tanto quanto eu.
E eu sou grave
como o surto ensurdecedor de uma arma com silenciador,
a qual não deixa resíduos a não ser suas vitimais infiéis,
morreram e levaram, levaram ao além,
para o além, vão além do que a própria e mísera vida
pode proporcionar e sentem,
mais que alívio, mais que salvação,
mais que perdição e arrependimento,
sentem sede, vontade, preguiça, de ida e vinda, vinda e volta, volta e ida e assim vai. Vai e fica, fica e permanece a insistir em teclar o mesmo erro.
A vida é infiel, quase tanto quanto eu.
Como propina a almas desvalidas da própria crença pela vida,
que insisti em se torturar e voltar,
retornar sem deixar para trás o futuro que nunca chegara,
a não ser pelas contradições
que chegam e sentem sede, vontade, preguiça, de ida e vinda, vinda e volta, volta e ida e assim vai. Vai e fica, fica e permanece a insistir em teclar o mesmo erro.
A vida é contraditória, quase tanto quanto eu.
E crentes não acreditam que possa haver vida,
naquilo que vivem e torcem, rezam, cantam
e fazem ritos, sambas, bossa-nova e velha,
apenas bossa sem idade ou sentimentos,
sonhos ou razão só fazem e sentem que voltaram a mesma contradição,
a mesma condição, ao mesmo sonho desvalido de qualquer crença reprimida
e sentem sede, vontade, preguiça, de ida e vinda, vinda e volta, volta e ida e assim vai. Vai e fica, fica e permanece a insistir em teclar o mesmo erro.
A vida é reprimida, quase tanto quanto eu.
Se você não for cauteloso com o que assiste, ouve e com o que lê (até em nossos livros de história) vai acabar venerando monstros como Fidel Castro e crucificando homens dignos de respeito que poderiam fazer a diferença em nosso mundo de forma positiva.
Nordeste.
Nordeste sofrido e oprimido
Terra amada
De grandes pensadores
Mestres e doutores
De Suassuna a gonzagão
De castro Alves a Dominguinhos
E porque não falar de Raul
De grandes personalidades
Nordeste da asa branca
Que bate asas com seus filhos
Nordeste do auto da compadecida
De João grilo e chicó, filhos sofridos
Nordeste minha terra
Meu amor por ti es imenso
A felicidade de viver
Na terra de grandes mestres
No nordeste sou feliz.
Nossos pensamentos nos corroem,
Nos fazem errar sempre mais no lugar de acertar,
Queria eu não poder errar,
Mas não errar,
Só serve para as pessoas que analisam a vida sem sentir,
Não sentir não é uma condiçao viável,
Não uma que eu consigo.
Então só me basta errar cada vez mais,
E orar pela piedade de um milagre.
