Miguel delibes
O sábio não busca a sabedoria para usá-la como vantagem — ele apenas a vive. Para ele, a sabedoria não é ferramenta, é estado. Quem procura “usar” a sabedoria ainda não a entendeu; quem a possui de verdade não precisa provar nada, porque já aprendeu a silenciar o ego e a observar o mundo com calma. A sabedoria só serve para quem ainda está tentando ser sábio. Para quem já é… ela apenas existe.
Observe uma folha presa ao galho.
Ela ainda está ali,
mas já não é mais parte do agora.
O vento passa, toca, insiste.
Não a empurra com violência,
apenas lembra que o tempo segue.
A folha não resiste por medo,
nem cai por fraqueza.
Ela apenas escuta o instante certo.
Há momentos em que permanecer
é apenas atraso disfarçado de fidelidade.
E há quedas que não são perdas,
são conclusão.
A folha não decide quando o vento vem,
assim como nós não decidimos tudo o que nos atravessa.
Mas decide não lutar contra aquilo
que já cumpriu seu sentido.
Cair, às vezes,
é o gesto mais lúcido de quem compreendeu.
Nem tudo que se solta é abandono.
Algumas partidas são apenas maturidade.
Observe uma gota de chuva no vidro do carro.
Há apenas uma.
Veja-a com atenção.
Tente entendê-la não apenas pela sua visão, de dentro do carro,
mas também pela perspectiva dela —
que te observa estando dentro, e não fora.
Talvez ela esteja vivendo um momento difícil,
sabendo que, quando o carro seguir viagem,
precisará seguir o seu próprio caminho.
Ou talvez compreenda que, se o carro seguir,
ela já terá cumprido a sua missão.
A gota não controla o movimento do carro,
assim como nós não controlamos tudo o que passa por nós.
Ela apenas existe enquanto está ali,
fazendo o que pode.
Cumprir a missão não é permanecer,
mas saber a hora de seguir —
ou de deixar seguir.
Nem toda despedida é fracasso.
Algumas são apenas consciência.
A gota não é fraca por cair.
Ela é inteira por entender o seu tempo.
Porque nem tudo que vai ficar precisa ficar para sempre,
e nem tudo que vai embora perdeu o seu valor.
Pensem comigo...
Quantas escolhas vocês fizeram só para se encaixar?
Quantas palavras disseram sem acreditar nelas?
Quantas vezes sorriram apenas para não se parecerem fracos?
Quantas versões de vocês mesmo foram moldados para agradar?
Às vezes, insistimos em ficar não por amor, mas por medo de admitir que o ciclo já terminou. Soltar não é fraqueza nem abandono — é reconhecer que algo cumpriu seu papel. A maturidade está em entender que nem toda permanência é virtude e que algumas partidas são apenas o respeito pelo tempo que passou.
“O extremo do desrespeito é a ignorância.”
O desrespeito costuma ser associado à agressão, à humilhação ou à violência explícita. Mas existe uma forma mais silenciosa — e talvez mais cruel — de desrespeitar alguém: ignorar sua humanidade.
A ignorância não é apenas a falta de conhecimento; muitas vezes, ela é a recusa de compreender. E quando alguém deixa de enxergar o outro como alguém digno de escuta, sentimento e existência própria, o respeito deixa de existir por completo.
O ódio ainda reconhece a presença do outro. Quem odeia, de certa forma, admite que o outro existe e o afeta. Já a ignorância extrema age como se o outro fosse invisível. É um apagamento.
Por isso ela pode ser mais profunda que a própria agressão: porque transforma pessoas em coisas, sentimentos em exageros e dores em detalhes irrelevantes.
A ignorância também se manifesta nas relações do cotidiano.
Quando alguém invalida a dor do outro sem tentar compreender.
Quando julga sem conhecer a história.
Quando fala sem ouvir.
Quando prefere o orgulho à empatia.
Tudo isso são formas silenciosas de desrespeito.
E existe algo ainda mais perigoso: a ignorância costuma andar ao lado da certeza absoluta.
O ignorante raramente questiona a si mesmo. Ele acredita que já sabe o suficiente, e exatamente por isso fecha as portas para compreender perspectivas diferentes. O respeito nasce da consciência de que nunca enxergamos a vida inteira pelos próprios olhos. Quem entende isso desenvolve humildade; quem ignora isso impõe.
Talvez o extremo do desrespeito seja a ignorância porque ela destrói a ponte mais importante entre os seres humanos: a capacidade de reconhecer o outro como alguém tão complexo e sensível quanto nós mesmos.
E no fundo, toda ignorância é uma prisão da consciência.
Quem desrespeita por ignorância não diminui apenas o outro — diminui a si próprio, porque perde a capacidade mais humana que existe: compreender.
“Quando jovem, os adultos me diziam que mentir era errado.
Hoje, o errado sou eu por ter acreditado em quem mentiu.”
“Se a verdade te insulta, e a mentira eleva teu ego ao ponto de te acomodar, então você já não está no controle de si mesmo.
Torna-se escravo daqueles que se escondem na vitimização para nunca encarar a própria realidade.”
Uma pessoa livre não é aquela que só recebe elogios ou só escuta verdades duras.
É aquela que consegue suportar a verdade sem quebrar, e ouvir elogios sem se tornar dependente deles.
"Toda organização distribui tarefas, riscos e oportunidades. Quando essa distribuição deixa de seguir critérios claros e passa a depender de ingenuidade, necessidade ou proximidade, surgem distorções que afetam a confiança e o engajamento."
"A nobreza não é construída, é forjada.
Essa reflexão me levou a compreender algo sobre a missão cristã: não criamos cristãos católicos; ajudamos a forjar homens e mulheres para viverem os valores, comportamentos e ensinamentos da doutrina católica.
Por isso, importa menos como alguém chega até nós e muito mais quem essa pessoa se torna depois da caminhada que realizou conosco.
O ouro é purificado pelo fogo. O caráter é fortalecido pelas provações. E a fé amadurece quando encontra propósito, verdade e testemunho.
A verdadeira evangelização não produz seguidores de pessoas; forma discípulos capazes de viver o Evangelho em qualquer lugar.
— Miguel A. Pires"
"A nobreza não é construída, é forjada. Ao longo da vida observei que títulos, cargos e aparências podem ser conquistados rapidamente; já o caráter exige tempo, renúncia e provação. Assim como o metal enfrenta o fogo para ganhar resistência, o ser humano enfrenta desafios para revelar sua verdadeira essência."
Miguel A. Pires
É foda, eu sei. Sou expoente da matemática desse mundo. Eu mexo com todas as classes, raças, credos, funções sociais e posições políticas.
No final eu sou como você. Uma pessoa que esteve no fogo cruzado de coisas além da compreensão.
Mas acontece que agora não somos mais inocentes assim; Pois essa configuração ao pouco se torna transparente conforme interagimos.
Então sejam inteligentes, reconheça a inteligência dos outros ao seu redor. É mais que poesia, é uma lição em forma de convite.
Senhor Deus Por Toda Minha Vida, Quero Sempre Te Louvar,
AO
Seu Lado Sinto Seguro e Pela Fé Espero a Graça Alcançar.
Perguntaram-me o que é arte. Ouviu-se de mim silêncio; não um, mas o silêncio, do tipo que tanto tememos, mas que, por vezes, é a única resposta que temos.
O mesmo silêncio que preenche o universo em que vivemos, que se esconde nas palavras que não dissemos, que, como um véu, cobre a pureza das estrelas. Sim, foi este o meu silêncio.
O mesmo silêncio de uma árvore que tomba no deserto, sem ninguém para escutá-la; o silêncio que faz da arte, arte para nossas almas.
A arte não pode ser definida, deve-se ser contemplada. Por isso, ouviu-se de mim o silêncio, pois...
Como hei de explicar a arte?
Quero espaço.
Espaço para mim.
Espaço onde há liberdade
para eu existir.
Quero escrever o que minha alma grita,
sem me preocupar com métrica
ou rima.
As estrelas se alinham
e formam constelações,
mas há um universo de distância entre elas, para que tenham espaço
e brilhem.
Quero espaço para brilhar.
Espaço para respirar.
Espaço para me amar.
Mas sou brinquedo
das suas carências.
Há um mundo fora do meu quarto,
mas não minto quando digo
que há outro dentro dele.
Me dê espaço.
Permita que eu escolha
o filme que vou assistir.
Deixe minha liberdade
existir.
Me dê espaço.
