Almeida garrrett

Cerca de 12354 frases e pensamentos para a busca por Almeida garrrett;

A chuva e o absurdo

E eu que sou tão pobre, fraco e envergonhado
Sou aquele que tem medo do espelho
Mas nunca admite
E eu que sou tão baixo e retrógrado
Tão louco, difuso e passional
Se fosses minha, saberia...

Eu sou o absurdo mais inconcebível da humanidade
Sou cinzas e tristezas
Sou frustrações e decepções
Sou noites em claro
Sou a ferida que não cura
Sou aquele que ama calado
Sou a décima xícara de café

E eu que sou tão parvo
Que choro escondido e peço segredo
Que sofro as decepções da humanidade
Ainda que tente firme esquivar-me

E eu que sou tão medonho
Em meio a este sonho insólito e enfadonho
Que durmo de luzes acesas
Não quero ser a sombra de ninguém

Mas como viverei daqui adiante?
A sobrevivência guarda para mim o fracasso?
Não quero saber o que me reservam os dias
Por meio tempo sou a vida que nunca quis
Sou o ano mais longo
A aventura menos fantástica
O livro mais chato
A solidão e o infortúnio de um canto de parede
Sujo e mal iluminado

E eu que me encontro neste dia de chuva
Cubro meu corpo nu
Enquanto escuto calmo a chuva cair

Bernardo Almeida

Inserida por robertleroy

Amor perdido

O amor não fez sentido
Nesse mundo mesquinho e sem graça
Talvez porque seja ele a presa e não o predador
Não vale um latão

O amor está fora de moda
Quase ninguém o veste mais
O amor não é incentivado
E quem ama vive a ser crucificado

Quem ama é taxado de besta, otário
Sofredor, masoquista, palhaço
Muito mais fácil é não envolver-se
Usar maquiagens para disfarçar-se

O amor que falta no mundo
Sobra em mim, sobrecarga
Mas o que isso importa
Se não encontro outros corações para reparti-lo?

O amor está velho, impotente
Está cansado e carente
O amor sente falta dos encontros
Do descompromisso nunca omisso e dos sonhos a dois

O amor sente falta do romantismo
O amor sente falta da paixão
O amor sente falta da saudade
O amor sente falta da falta que ele faz

O amor anda sozinho e chuta latas
Frequenta diariamente os becos escuros e as ruas sem saída
Esconde a sua esperança no bolso
E transita sem chamar atenção

O amor embriaga-se para esquecer a rejeição
O amor não chora para mostrar que ainda é forte
O amor está rouco e evita expressar-se
O amor está louco, a ponto de suicidar-se

Bernardo Almeida

Inserida por robertleroy

Cuspe

Cuspo sim
Sete vezes no prato em que comi
Importa-me apenas o alimento

Da próxima vez, comerei de mão
E não dar-te-ei o prazer de humilhar-me
A sua caridade foi desmascarada

Subitamente, um olhar malicioso se forma
Sobrancelhas capciosas
Usastes da minha fraqueza para se fortalecer

Mas em seu nutriente egoísta
Encontrarás o veneno que te espera
E sentirás a dor, mesmo que inconsciente

Como uma peste sem cura
Esta é a minha praga
Por sete gerações

E não verás a luz
Mesmo que enxergue
E sentirás a cruz

Não terás alegrias
Mesmo que insistas em sorrir
E não encontrarás a felicidade

Não terás conhecimento
Mesmo que tenhas informação
Serás um eterno ignorante

Não se sentirás acompanhado
Mesmo que cercado de centenas de pessoas
Serás a solidão e o esquecimento

Desejo-te agora boa sorte
E cuspo mais sete vezes no prato em que comi
Para que mantenha o mesmo nojo
E não volte a repetir este maldito erro

Inserida por robertleroy

Perdedor

Eu perdi
E perco quase sempre
Por opção

Mas o fracasso traz um gosto
Ao qual me familiarizo facilmente
A perda é ridícula perto da lição

Do erro faço novas escolhas
E das escolhas, encontro novas opções
Toda correção exige tempo

Não tenho pressa
A persistência é o aprendizado
O aperfeiçoamento é constante

Sem desanimar
Vejo o quanto tudo é fútil
Sutilmente apressado e finito, solitário

Bernardo Almeida

Inserida por robertleroy

Falibilidade

Senta só este pobre
Ainda sonha, ilude-se
Vive desta crença e melhora

Um coitado aos olhos elitistas
Um forte, um bravo
Vigoroso em seus ideais

O soco contra a covardia
O arroto diante da boa educação
A revolta, a espontaneidade, a graça

Um papel, só um bilhete
Anunciando o próximo encontro
Já não será tão breve

Está de pé, ainda
Inabalado e coerente
O tal quebra-correntes

Corre a todo o tempo
Do tempo que lhe foi imposto
E não desiste

Queimando panos e papéis
Jamais se curva, jamais entoa hinos
E à autoridade oferece seu repúdio

Andarilho livre
Que se nega a aceitar presentes, suborno
E bebe da fonte, não do copo

Vejam, estão limpos
Mas fazem questão em rolar na lama
Gostam de emporcalhar-se

Espíritos asfaltados
Nu e cru, vasto e fértil
Um dia falecerão todos de fome

A ganância de uns
A ambição de outros
E a morte da maioria

Em resposta, a disposição em dizer não
Bater sem as mãos
E ainda assim agredir

Ferir, desagradar e continuar a sorrir
Violar, destruir, destronar
Para distribuir felicidade entre os injustiçados

Bernardo Almeida

Inserida por robertleroy

Imundo

Mundo vil
Cheio de seres não menos desprezíveis
Sob o comando do Imperador Egoísmo
Estão todos os condenados à existência

Mundo degradante
Extremamente frustrante é ver
As desigualdades tão frequentes
Na mão de quem pede e no bolso de quem paga

Mundo fétido
Corrompido pela ambição e pela disputa
Onde cresce a violência e o ódio
E a vida bela e pura pede para perder a inocência

Mundo catastrófico
Em que a vingança anda solta pelas ruas
E tudo é permitido desde que seja comercializável
Financeiramente multiplicável, rentável

Mundo decadente
Espera teu futuro um tanto óbvio
Da abundância à precariedade
Da vida à extinção da humanidade

Bernardo Almeida

Inserida por robertleroy

Adeus

Minha inspiração
Deita morta a sete palmos do chão
Junta aos vermes que aceleram minha decomposição

O corpo, um dia célebre
Agora fede, apodrece
Não fala, não pensa, perece

Sirvo-me da companhia das criaturas subterrâneas
Que sobrevivem da fatalidade alheia
Tal qual o invejoso, de caráter desfalcado

Funesta realidade, triste sinceridade
Guarda a conclusão angustiante de um ciclo
Que se basta sem desejar mais tempo

Bernardo Almeida

Inserida por robertleroy

Negócio é segredo e o segredo é o nosso negócio

Inserida por AndrelAlmeida

Se há sonhos, eu os devo achar

Inserida por AndrelAlmeida

Você é o maior desafio que possa ter

Inserida por AndrelAlmeida

Seja autêntico e audacioso. É da simplicidade da tua essência que se faz teu amanhã

Inserida por AndrelAlmeida

A Arte que nasce dentro de nós é "igual o caráter" que não se compra, não se vende, e não se ganha, simplesmente ÚNICO! O melhor quando se é bom em algo, ele acontece como a brisa do mar batendo em seu rosto suave sem esforço algum, assim como uma lágrima que escorre em um rosto de uma boa alma, que diante de todos obstáculos que vida trouxe tenta ser forte e não desistir, mas vejamos pelo lado bom da vida no final de tudo, você sempre será o vencedor, só vai depender das suas escolhas!

Inserida por PauloPhoto

Não adianta ser fiel com quem você está
se não foi fiel com quem você estava

Inserida por pabloalmeidaaa

Escrever pra mim é uma metamorfose.

Inserida por claudiaalmeida

Cristalino

O pássaro de alumínio
E asas de vidro
Pousa no cristalino cego.
.

Inserida por claudiaalmeida

Maio

Áurea, Áurea, Áurea
Libertaste
Até guandos escravos?
Das injustiças dos Homens

Inserida por claudiaalmeida

Amazônia

Quando o bicho não é da seda
Uma rede é tecida na floresta
O vento passa junto com o orvalho
O círculo não se fecha...
O veneno é solução de laboratório
Engarrafado que nem saci
Todo dente de cobra tem um rótulo
O sapo que mata engole os mistérios
O chefe é o homem da mata
E a natureza retira e deixa o extrato
Decomposição vira colher destilada
E as sílfides na leveza do ar
Espiam pelo funil o labor do planalto.

Inserida por claudiaalmeida

Amor é uma vazão dentro do peito.

Inserida por claudiaalmeida

E o povo, cansado
das notas,
das rotas,
das botas,
caminha sem rumo...

Inserida por SusannaAlmeida

Nós nos vemos através do outro. Os pormenores aos quais nele não apreciamos, pior se nos apresentam. É como o efeito dolorido de uma bofetada, que vem nos acordar para o uso da razão.

Inserida por SusannaAlmeida