Jean la bruyère
O primeiro sintoma do desespero é a desorientação. Quando o desesperado é também um maldoso frustrado, surge a covardia, que, por sua vez, torna-se um combustível perigoso — não tanto pelo risco que oferece aos outros, mas pelas consequências das atitudes sem fundamento de um tolo fraco, perdido e profano.
Ele planta, livre e inocentemente, os espinhos que um dia haverá de colher.
Para sair do desespero, o caminho é a humildade: reconhecer a derrota e começar de novo, afinal o erro é humano, a condição de tolo só envolve a pessoa que persiste no erro e multiplica falácias.
Enquanto a humildade não chega, faz barulho; mas o ruído, cada vez mais distante, aos poucos cede lugar a novos ares entre aqueles que seguem, tranquilos, em busca de dias melhores.
Que os emocionados se encontrem, quem gosta de migalhas é pombo, quem gosta de disputar atenção é emissora de televisão, se não tem entrega mútua, se não tem amor, o jeito mais maduro é sofrer calado e seguir em frente
Em geral, é bom que tudo o que é GRANDE-RICO de sentido para um espírito raro, NÃO seja expresso senão sob forma breve e (por essa razão) OBSCURA, A FIM de que o espírito medíocre prefira ver nisso uma falta de sentido antes de transpô-lo na inanidade de seu pensamento. De fato, os espíritos comuns possuem a odiosa habilidade de só verem, no aforismo mais profundo e mais rico, nada que vá além de seu bom senso.
"Os escritores espirituais, que falaram da maneira de ler um livro para dele extrairmos o alimento de nossa alma, aconselham a parar de ler assim que a alma se sinta atingida. E a mais bela imagem que se pode fazer da leitura é a daquela mulher que Corot pintou e que sonha ou contempla, tendo na mão um livro em que ela repousa um dedo. No fundo, o que o escritor deseja é terminar numa alma. Ele nos oferece entrelinhas, margens, para que escrevamos as nossas ideias entre as dele. Nada mais comovente que um livro aberto na mesma página sobre um olhar atento, enquanto se espera pelo ruído da folha que não é virada"
Em "O trabalho intelectual", p. 87
Porque temos que obedecer, e devemos respeito à uma pátria que envergonha os cidadãos, e maltrata à minha moral pessoal? Porque devo reticências às pessoas que me fazem ajoelhar e pedir clemência por cumprir com meu dever de homem honesto cordial ao meu país, não à minha pátria... Não à minha pátria.
Nunca quiz fazer diferente do que qualquer outro pensador ou revolucionário fez. Minha vontade inicial sempre foi fazer melhor
Acreditar que um único ser divino tem total poder sobre ti, é submeter-se a acreditar que não tem o mínimo valor.
Uma religião tem o poder de tomar decisões por você, levar o crédito pelas tuas vitórias, e ainda te faz crer que seja o que for que faça está errado.
Mesmo que seja difícil ao menos tente pois se falhar saberás que tentou, se conseguir saberás que foi válido.
Mas se não tentar nunca saberá o que poderia ter acontecido
Se uma cultura te faz crer que ignorar seus valores é mais importante do que se adaptar a uma sociedade. Essa cultura não serve para você.
Se você manipula a verdade com facilidade, torne-se um advogado. Se pode fazer da verdade sua companheira de trabalho torne-se jornalista
Se não houvesse nenhuma política, nenhum governo e nhuma regra, os homens a criariam. Pois os homens criam sua prórpias prisões, e regimes para poder escapar deles.
