Andre guide
Um ano desponta e aparecem novas perspectivas, pois sabemos que devemos dar o nosso melhor nos próximos 365 dias. Vamos usar a energia e inspiração para a afabilidade, vivendo com paixão, alma e o café quentes, colando o sorriso nos dentes e até ter o gosto de dar o passo maior que a perna, mas consciente e eternamente pra frente.
Precisamos de larga boca e nada oca, a mente. Mente aquele que no medo, em segredo, no paladar do azedo, se engana dizendo que não ama e não segue passo à frente.
O tal vento cruel e birrento soprou ao meu ouvido como uma fera grunhindo e nada adiantou, só a cera espalhou.
Ficam tempos de acertos e erros, ficam berros que ecoam em intentos, e na nuvem a premissa do restauro da curva que faz reta uma estrada mais turva.
Essa minha metafórica escuridão saiu do incoerente ostracismo, viu a luz do dia e subiu até a nuvem mais supina, fez vigília, até que do nada resolveu tornar-se arco-íris.
Em seus tronos na zona de conforto estão otimistas os deuses de todos. Roupas alvas, flores brancas e o sol desbotando as flâmulas.
É um novo tempo e a mais nova maquiagem da engrenagem que a ferrugem não come; a bondade sendo real ou miragem é o mal travestido em nós (bicho homem).
Confesse seu amor ao vento e deixe-o leva-lo, mostra-lo, a quem for; quem sentir de repente, uma leve brisa quente, saberá que uma alma apaixonada o soprou.
Há pessoas vivendo tão lentamente. Adiam amor, felicidade, repetem os mesmos caminhos com medo de enfrentar o novo.
Eu quero mais é viver com abundância de coisas novas.
A vida é assim mesmo, um dia a pessoa lembra que você existe, mas aí é você que não se lembra mais dela.
Fui contar meus anos de vida nos dedos das mãos e precisei da ajuda de algumas mãos de amigos para completar minha auditoria. Percebi então que os amigos são extensões das nossas vidas.
Numa tarde destas, numa laranjeira a beira da cerca de um sítio já quase sitiado pela cidade, nasceram duas laranjas que, sem pretensões nenhuma não almejavam nada, a não ser que a própria natureza se encarregasse de fazer delas o que quisesse. E assim foi, amadureceram lindas entre folhas verdinhas, uma foi logo colhida e colocada em uma travessa de vime bem no meio da mesa na casa dos proprietários do sítio a outra ficou na árvore bem pertinho de um ninho onde filhotinhos de sabiás logo descobriram por meios de bicadas o sabor delicioso da fruta. Fizeram furinhos que ficaram maiores e que alertaram através do perfume alguns insetos e até abelhinhas e, assim, de repente uma população de espécies se aconchegaram na frutinha e no entorno dela. Uns gostaram dela madurinha, outros já apreciaram passadinha e alguns - tem gosto para tudo - adoraram ela quase podre, mas foi unânime entre todas as bicadas da bicharada que a laranja estava ótima. Depois disso tudo ela caiu no chão, e entre uns dias e alguns meses, brotou de suas sementes, outra laranjeira. E a outra laranja? Ninguém comeu, ninguém cheirou, simplesmente quando ela estava madura colocaram no freezer para um dia fazer algum doce que não foi feito e ela acabou esquecida na gaveta de frutas, congelada no tempo. Se um dia você for colher alguém para trazer à sua vida, que seja para apreciar seu perfume, que seja para ouvir suas histórias, ouvir suas risadas, que seja para compartilhar o por do sol, que seja para se refrescar na chuva, que seja para alimentar a alma com carinho, que seja para sentar do teu lado de mãos dadas e deixar a natureza fazer o que quiser com o tempo. Mas não deixe de maneira nenhuma esquecida num canto da casa, num canto da vida
Os pingos compassados da chuva que caem acompanhados pelo vento sussurrando é a música do tempo ecoando lá no fundo do coração. Faz a gente acordar de repente lá naquele quartinho do coração onde a chuva tem cheiro de saudade, tem perfume de tranquilidade. Surgem lembranças de tardes de sábados com bolinhos de chuva feito pela mãe, pela vó e também pelas irmãs e primas em suas primeiras experiências na cozinha fazendo o resto do povo que a chuva uniu ao redor da mesa jogando cartas, de cobaias alegres a provarem bolinhos com banana dentro, canela e açúcar por fora e muito carinho derramando pelas panelas. A chuva continua compassadamente lendo lembranças enquanto olho com “olhar pidão” para alguém se oferecer como voluntário e mergulhar nestas receitas de felicidade.
Você já notou que quando as nuvens choram, os pingos de chuva limpam o ar e as cores ficam mais bonitas? Quando choramos as lágrimas que emocionadas pela alegria ou pelas tristezas transbordaram pelos nossos olhos também tornam nossa alma mais limpa, mais transparente do que normalmente, pois no dia a dia é comum nos esforçamos para esconder nossas emoções. O choro lava cada cantinho da alma e funciona também ajudando a soltar um ou outro sentimento que às vezes está tão apertado que dói no coração. Chorar é bom e nos deixa enxergarmos de novo a mesma vida só que mais colorida, mais verdadeira.
