Camila heloíse
Somente na exposição da sua vulnerabilidade é que uma relação se aprofunda. Não há verdadeiro aprofundamento nos relacionamentos sem que haja antes um real aprofundamento em si mesmo.
A única certeza que temos na vida é a da mudança. E lutar contra isso é nadar no limbo da própria involução.
O gelado nos meus pés sentem sua falta a cada batida do meu coração, não me sobrou muitas coisas, então te escrevo, até que um dia você canse de ler minhas palavras pobres, sem sentido e nada importantes.
Quis te ligar ontem, ouvir um boa noite calmo da sua voz, mas tive medo de não receber nada, eu entenderia...
Amanhã serão cinco dias que eu me vejo submersa num mar vasto e cheio de agulhas e pedras sobre mim, e eu fico inerte, morro de qualquer jeito, então eu permaneço ali, olhando o céu...
Acredito que tenha te dado momentos de tamanha felicidade, acredito que sim, mas eu sei que todos eles se tornaram poeira perto de todo o mal que te fiz, e nossa, eu realmente fiz...
Olhando o céu nesse momento, percebo que meu coração se tornou o que vejo, cinza, nublado, chorando sem se importar com qualquer ser humano, me resta uma resposta e eu tenho medo de perguntar, talvez eu prefira ficar assim, sem saber, no fim, eu sempre irei saber mesmo que eu lute contra.
Perdi minhas habilidades na fala, ja não sei mais o significado de muitas coisas, escrever me deixa tão burra as vezes, e eu me cubro de saudade e de vontade.
Eu so queria teu colo quente outra vez, nessa tarde fria...
Meu coração tem parado algumas vezes, é como se eu tivesse morrido e estivesse enxergando tudo por outro ângulo, bem, eu nem mesmo acredito nisso, mas me ocorreu agora, como se eu estivesse paralisada, tentando a todo custo ser alguém melhor e não conseguisse, e isso me frustra demais.
Estive há horas com o moderno "papel e caneta" em mãos, sem esboçar reação alguma ou mesmo qualquer mínima vontade de relatar ou escrever qualquer coisa, sinto saudades do cheiro de tinta da caneta no papel e dos riscos desajeitados nas pontas dos dedos, mas nada disso é importante, não é...
... Entre algumas letras, eu gostaria de não poder escrever, sinto que sempre estou tentando me defender, como se tudo me atacasse.
Me odeio por não passar o mínimo de segurança para ela, queria que soubesse o quão incrível ela é.
Eu não sei o que acontece comigo, eu tenho mil coisas aqui na minha cabeça e não sei pôr para fora, nada sai como eu gostaria, eu sempre achei que mostrava a ela o tempo todo o quanto eu a amava e o quanto a amo, mas, eu levo ela a outro caminho e me sinto mal, me sinto mal mais ainda por ela não sentir qualquer vontade de partilhar suas vontades ou idéias comigo, tenho me sentido um lixo nessas últimas semanas e acho que isso não vai passa...
Quando abrirmos mão do amor que idealizamos, conseguiremos nos abrir para sentir e receber o amor real, sobretudo dos nossos pais. Enquanto desejarmos a partir da fantasia da criança, viveremos frustrados e desejosos, não aceitaremos o amor real, e o amor recebido será sempre insatisfatório.
A realidade psíquica nos afeta mais que a realidade externa: a intenção e o desejo causam culpa mesmo quando não cedemos à eles. Oferecemos aos nossos pensamentos a qualidade da onipotência. Nossos sofrimentos, portanto, se sustentam na fantasia.
Quantas das nossas culpas e esforços são, em última análise, sacrifícios ao nada?
Deixemos a onipotência e onibenevolencia a Deus, não aos nossos pensamentos.
A nós, cabe apenas sermos humanos.
“Mais um dia que está findando. Mais um dia que ao mesmo tempo que estamos tão perto, estamos tão longe. Longe de se unir, mas com o coração já unido. Coração que se uniu desde o primeiro momento em que eu ha vi e que fez acabar com toda a minha procura e como eu te procurei. Te procurei em todos os lugares e em todos os bares encontrar você e finalmente você chegou. Chegou e trouxe consigo todo o amor que eu procurava.”
EFEITO MANADA E O VERDADEIRO COLETIVO
Somos um coletivo. Porém também temos um caminho único, com bagagens únicas, caminhando para um mesmo destino.
Ao olharmos para nós mesmos, nos vemos destacados e é um processo necessário, de autoconhecimento do próprio processo, mas quanto mais nos auto observamos, mas podemos nos ver nos outros.
Quando não o fazemos nos deixamos guiar por forças externas. Uma delas que me chama a atenção é a onda “efeito manada”.
Já percebeu o quanto somos influenciáveis por essa?
“Mas se todo mundo diz ou percebe isso, logo é verdade”.
E se a manada está se deixando influenciar por forças que ela não vê?
É como se fosse uma epidemia de informações que nós decidimos nos deixar adentrar.
Ás vezes as forças não são nem magnéticas ou invisíveis, mas só alguém ou alguns tentando manipular uma situação para obter um certo controle.
E por falar em controle, perante à isso, percebe que não temos nem o controle de nós mesmos?
Percebe como podemos ser influenciáveis quando tentamos usar a razão?
Percebe como podemos cometer absurdos em um efeito manada e nos prender ainda mais na roda cármica de encarnações da vida e da morte, a roda de samsara?
Talvez nos sentimos atraídos pelo efeito manada justamente por termos intrínseco em nós essas lembrança de um estado de ser coletivo, integrado?
Tarefa difícil de discernir quando estamos voltados para fora, quero dizer, quando estamos tentando racionalizar.
Efeitos manadas criam linchamentos, extermínios, ideologias que irão sempre marginalizar alguns ou muitos para fora dos seus centros ideológicos.
Mas se somos um coletivo, como podemos excluir alguns?
Então, logo percebemos que a motivação deste efeito manada há um princípio egocêntrico.
Quando geramos um grupo, nos separamos do todo e criamos nós e os outros, alguém ou alguns diferentes de nós e isso pode despertar um sentimento bélico. Um espaço a defender, uma nação à defender, uma raça à defender, um time de futebol, uma religião, uma ideologia política… etc.
Sentimentos bélicos geram guerras e guerras geram destruição.
Destruir algo, alguém, alguns ou vários para defender nossos ideais, proteger um espaço delimitado.
Se pararmos em um momento para refletir e nos questionar, seriam essas as ações que podem nos libertar da roda da vida e da morte?
O que mesmo estamos tentando defender?
Estou defendendo ou atacando?
Qual a necessidade disso?
E se nos voltássemos para nossos corações e nos perguntássemos: Por que estou fazendo isso?
Ao nos voltarmos sinceramente para nossos corações talvez haveria um desatar de nós. Uma dissolução destas estruturas mentais que nos deixamos adentrar ou que nós mesmos criamos e que nos separam dos outros.
Veremos que não há oponente,não há separação, não há competição e sim a cooperação, o verdadeiro coletivo.
(C.F.S)
O TEMPO
O algoz e o herói
Nos prende até nos preencher do necessário
Ou talvez nos comprime até nos esvaziar
Para assim estreitos, sermos a própria chave que adentrará a fechadura
Deixando para trás a prisão
Na liberdade, agora sem porta, paredes, fechaduras...
Sem barreiras
Sendo o Nada e o Tudo
(C.F.S)
Novamente uma noite sem dormir
Sem nenhuma luz para me cobrir
Mas com muita dor pra não querer sentir.
Se não for assim, com quem mais será.
O cheiro de laquê no meu cabelo
a fadiga satisfatória do meu corpo inteiro
Memórias que me fascinam
que me envergonham
me ensinam
O cheiro das luzes ao som da fumaça
e lembrança que passa
que voou.
Do empenho e da rotina de quem, legitimamente
constante e sorridente
se preparou.
A felicidade estampada
a criança com sincera risada
e a descrença, velada, superada
da força que revela sem ter mentido
sem ter mentido em nada.
A abundância que cresce
a coisa toda que, como um filme, se esvanece
numa confusão tão tranquila
pra quem sempre e nunca pronta
já se apronta na fila.
A satisfação, a crítica;
mas um amor tão sincero por toda a mística
de quem misteriosamente e sem saber por que
vive assim, sem querer
de maneira tão doce, às vezes tão cítrica,
a imensidão que só há numa vida artística.
Ninguém pode verdadeiramente se colocar no lugar do outro, mas apenas na sua ideia do que é o lugar do outro e assim acabava, invariavelmente, voltando para o seu próprio lugar.
Ela se recuperaria a tempo de ver tudo que ainda existia em volta dela porque a tristeza era uma coisa muito grande, mas ainda era apenas uma das coisas.
Fingia que tudo acontecia em volta dela e perto dela e em cima e embaixo dela, mas que nada disso a atingia, porque logo tudo terminaria e a ideia era voltar a viver a vida a partir de um momento zero – não a mesma vida, isso ela sabia –, mas uma vida diferente.
O bom era o cheiro da mãe, um cheiro puro conforto e refúgio e não existia lugar mais seguro e confortável no mundo do o que o colo da mãe, com o cheiro doce da mãe, que era um cheiro que acalmava tudo.
Discordava com veemência disso, de o cinza ser a cor da tristeza, ao menos daquela tristeza, porque isso seria nomeável, se fosse cinza, era facilmente possível definir uma cor e uma densidade, e cinza eram todos os dias triste sobre todas as coisas tristes que existiam no mundo para ela.
Ei você, parei um tempo para te dizer, cada detalhe que eu gravei de você.
O seu sorriso, seu jeito de olhar, cada detalhe que me fazem suspirar.
Ei você, parei um tempo para te dizer, que meu amor, você é tudo que eu quero ter!
Meu amor, hoje eu acordei com uma vontade louca de te abraçar, de de aninhar em meus lençóis, de estar contigo...
Meu amor, esse sentimento está transbordando, meu coração está te esperando, aflito e com saudades.
