Almeida garrrett
Às vezes sento-me no topo do Universo e vejo o mundo passar apressado. Sorrio sem querer, balançando as pernas no vácuo, e contemplo a galáxia firme e distante, traduzindo a liberdade e o sonho longínquo dos felinos. Meu Deus, como é bom estar aqui!
O pacto entre as almas jamais poderá ser destruído. A sua solidez é a aceitação das tonalidades contidas nas diferenças, na calma tarde de domingo passada a assistir um filme, perna cruzada com perna, na revolta dos lençóis e na resistência a qualquer ameaça de vendaval.
Praticar o bem é oferecer puramente sem esperar nada em troca. Amar é a amizade vestida de reciprocidade.
Certas palavras que agora chegam até mim soam estranhas, talvez por a vida me ter desabituado das mesmas.
Passei a escutar mais e a falar menos. Talvez seja a forma de dizer, silenciosamente, que me importo.
Os olhares da minha alma possuem a capacidade contínua de se encantarem com a vida, enchendo o meu coração de gratidão, por sempre encontrarem – até nos dias mais cinzentos - o perfume e a leveza de sentirem com prazer a essência de tudo o que vem de Deus.
Os factos esquisitos continuarão a acontecer na minha vida, bem o sei. Mas se a minha mente e o meu coração estão tranquilos e se confio cegamente em Deus, tudo o que suceder será unicamente para o meu bem.
Os fracassos ajudam-me a crescer porque tiro sempre dos seus ensinamentos algo positivo. Se eu não fracassar, não serei humana. Se eu, por receio, não exteriorizar as minhas emoções, estarei a permitir que qualquer coisa seja capaz de me derrubar. Mas, se eu continuar segura e emocionalmente forte, saberei sempre - com a nitidez surpreendente de quem olha e vê - que o mundo não me deve nada e que só a mim cabe continuar a ser feliz.
No início, fazer a nossa própria travessia – quando não existe ponte e se vai perdendo a costa de vista a cada braçada de avanço pelo mar aberto – é significativamente doloroso. Depois, como que por pura magia, a alma invade-se de paz e o coração dispara tranquilo, porque percebemos, em cada sorriso que aflora depois de cada lágrima engolida, que tudo o que está dentro de nós é o que é verdadeiro.
Não coincido com o negro de uns e não me identifico com o branco de outros, porque, sinceramente, eu sou diferente e orgulho-me de pensar e de agir assim. Não tenho que ser igual. Não tenho que concordar com o que não condiz comigo. Não tenho que me deixar sufocar por jornadas que não são a minha. Se sei tomar conta de mim, se dou conta dos meus valores, se defendo os meus desejos igualmente como legítimos e se me aceito como sou, também sei respeitar os outros pela sua liberdade individual de serem como são e o que são, sem me obrigar a nada.
A conexão de um relacionamento inexpugnável assenta na bondade e na generosidade. Um não controla o outro e ambos cedem naturalmente no que devem ceder. O viver é apreciativo e o ambiente é revestido por uma gratidão plena entre cada um dos inteiros e para cada um deles, entre o pleno sentir dos dois e para o bem-estar de ambos.
