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SĂł um gĂȘnio conseguiria inventar um vidro de aspirinas impossĂvel de ser aberto por uma criança que consegue fazer funcionar um gravador de vĂdeo.
Aqui nĂŁo andam sĂł os vivos - andam tambĂ©m os mortos. A humanidade Ă© povoada pelos que se agitam numa existĂȘncia transitĂłria e baça, e pelos outros que se impĂ”em como se estivessem vivos. Tudo estĂĄ ligado e confundido. Sobre as casas hĂĄ outra edificação, e uma trave ideal que o caruncho rĂłi une todas as construçÔes vulgares. Debalde todos os dias repelimos os mortos - todos os dias os mortos se misturam Ă nossa vida. E nĂŁo nos largam..
Entre todas as diferentes expressĂ”es que podem reproduzir um Ășnico dos nossos pensamentos sĂł hĂĄ uma que seja a boa. Nem sempre a encontramos ao falar ou escrever; entretanto, o fato Ă© que ela existe, que tudo o que nĂŁo Ă© ela Ă© fraco e nĂŁo satisfaz a um homem de espĂrito que deseja fazer-se entender.
A cĂłlera dos amantes Ă© como as tempestades de verĂŁo, que sĂł servem para deixar mais verdes os campos.
Quase se poderia dizer que sĂł existo na medida em que existo para o outro e, no limite: ser Ă© amar.
