Luiz Guilherme Todeschi
Maior que eu
Talvez eu esteja sonhando alto,
ou até mesmo esquecendo meus asfaltos.
Por que eu me embriaguei?
Uma dúvida bate a minha porta,
me sinto nublado nessa noite ensolarada.
Não precisa nem ter sentido.
Eu sei que eu serei grande e o que me falta é apenas tamanho.
Me jogue fora e eu me reconstruirei.
Me diga que essa voz dentro da minha cabeça não é apenas uma carta aberta ao fracasso.
Eu sei que isso é maior que eu.
Me diga que eu não sou mais um nesse mar de sonhadores que apenas se perde na maré.
Não me afogarei na água rasa nem que seja a...
Eu não me afogarei na parte rasa.
Não estou dizendo que me afogarei em algum momento crucial.
Só estou refazendo os meus planos que estavam juntos a mim todo o tempo.
Talvez eu esteja mesmo louco.
E eu sei que o meu lado mais obscuro vai me salvar
Diga me com quem tu andas, e eu o julgarei.
Que chuva gostosa, nem sinto as gotas me rasgarem como antes.
O que me diz de experimentar a minha pele?
Me diga que essa voz dentro da minha cabeça não é apenas uma carta aberta ao fracasso.
Eu sei que isso é maior que eu.
Me diga que eu não sou mais um nesse mar de sonhadores que apenas se perde na maré.
Não me afogarei na água rasa nem que seja a última coisa...
Eu não me afogarei na parte rasa.
Tão clichê, tão bobo, tão belo e tão feio.
Nem sei se ao menos eu sei que caminho trilhar,
e nem ao menos que caminho desviar.
Me sinto numa encruzilhada, e eu nem me direcionei até isso.
Se eu me render, você me dá alguma chance?
Por que eu continuo falando comigo mesmo?
Se alguém ouvisse essa conversa eu estaria preso.
Me diga que essa voz dentro da minha cabeça não é apenas uma carta aberta ao fracasso.
Eu sei que isso é inspiração.
Me diga que eu não sou mais um nesse mar de sonhadores que apenas se perde na maré.
Não me afogarei na água rasa nem que seja a última coisa que eu faça antes de parar de respirar.
Eu não me afogarei na parte rasa.
Não aqui...
Em certos momentos eu estive certo de que sabia o que queria.
Hoje estou certo que continuo com alguns desses desejos, latentes, mas ainda aqui, contudo tenho medo de perder o interesse e ter sido só mais tempo perdido.
Eu me deparo, cada vez mais, com as incongruências da vida. Por vezes eu só queria ter o condão de não me deparar com elas, seria menos complicado talvez.
Eu penso, penso e penso mais.
Mas não chego à nenhuma conclusão.
Talvez seja hora de poer o pé no chão e fazer a realidade distar do que ela é.
As razões com denominadores cada vez menores e um numerador fixo tender a aumentar ao passo que diminuamos os denominador.
Se nos focarmos nas centelhas do todo, a todo instante, deixamos de viver o tudo para viver uma parte infinitesimal deste.
Eu deveria procurar-me com outrem?
Provavelmente não. Mas ainda assim me preocupo, na maior parte das vezes.
Que a minha derivada seja sempre diferente de zero, pois caso contrário eu seria constante e isto é inadmissível a longo prazo.
