Jean la bruyère
Se manter num lugar errado só porque deu trabalho chegar até lá é o mesmo que ficar preso numa casa em chamas porque demorou pra construir.
Segunda Feira
A chuva risca a janela com uma calma cruel. Lá fora tudo molha, mas aqui dentro sou eu que escorro. Ando pela casa como quem esqueceu o porquê dos móveis, dos cantos, dos passos. Segunda-feira tem gosto de café morno, meio amargo, esquecido na borda da xícara — como certas lembranças. Tem cheiro de abraço que virou eco, de vozes que sumiram sem fazer barulho.
O mundo lá fora se arrasta em passos que não reconheço. Gente com pressa de viver o que eu nem sei mais nomear. Aqui, o tempo não passa — ele assenta, pesa, gruda. Nem acendo a luz. Pra quê? A manhã não traz nada além desse espelho embaçado que insiste em me devolver um rosto que já não me responde.
Deixar uma pessoa por quem ainda temos admiração sem a fraqueza de ter que diminuí-la com narrativas enviesadas apenas para proteger a vaidade de nosso ego é uma das lições mais duras que um homem pode aprender nesta vida.
Você não precisa entender a vida. Precisa senti-la, aceitá-la e, acima de tudo, respeitá-la.
— Maycon Oliveira
Essa frase foi escrita por Maycon Oliveira – O Escritor Invisível, autor do perfil ‘O_Escritor_Invisivel’ no site Pensador.
@o_escritor_invisivel
Lança de Luz
Na terra dos mártires, lá do Oriente,
nasceu um guerreiro de alma valente.
Soldado de Roma, mas servo do amor,
ergueu sua espada ao chamado do Senhor.
Montado em seu branco cavalo sagrado,
enfrentou um dragão com olhar iluminado.
Não foi só a fera que ele derrotou,
foi todo o medo que em mim já morou.
Quando o mundo se fecha, quando tudo me fere,
é teu nome, Jorge, que o peito prefere.
Teu manto me cobre, tua fé me conduz,
és santo de ferro, és chama de luz.
Tu não recuaste diante do mal,
pagaste com vida teu gesto leal.
Mas tua lenda atravessou a distância,
e virou promessa, virou esperança.
Hoje, meu santo, com canto e respeito,
te trago em palavras guardadas no peito.
Que tua coragem nunca me abandone,
e que tua lança meu passo apronte.
“O que ferrugem é para ferro, o que as traças são para a lã, o que as térmitas são para a madeira, essa inveja é para a alma – o assassinato do amor fraternal. ”
Não pode protegê-la sempre. Por mais que tente, por mais gente que você mate.
Mais do que um contrato, o casamento é uma aliança sagrada entre corações dispostos a amadurecer lado a lado, sob o mesmo céu.
Sofrimento ecoa, chuva cai lá fora, corpos marcados por traumas do passado. Por que os seus não retornam? Será que a relação que você imaginava era apenas uma ilusão? Talvez sim, talvez não. Um silêncio que chora, quem pode entender sua vida sem conhecer sua história? Atos sombrios, angústia, mentiras, doenças e maus-tratos. Quem aqui sabe distinguir o certo do errado?
" FOI-SE "
E lá se foi o tempo, a juventude,
os dias de seresta e serenata…
Perdeu-se a voz do sonho, da bravata,
o instante de fingir qualquer virtude…
A vida nos transforma, nos formata
e vão-se os dias mansos, de quietude,
ficando, para trás, força e saúde
conforme a idade chega, ainda novata.
Não há mais nada novo na velhice
se como o tempo nunca mais abrisse
as portas da curiosidade nata…
O tempo foi-se… Ficam suas marcas…
Lembranças, pouco a pouco, frágeis, parcas…
Na pele, as rugas… No cabelo, a prata!...
Passageiros da Vida
Lá no céu, olho para longe,
busco minha fé indomável.
Quero acreditar na verdade,
na sinceridade do amor.
Mas as badaladas incompreensíveis,
ecoando com tão pouca verdade,
não me deixam crer.
O mundo é desigual,
feito água do mar
e água sem sal.
As pessoas vestem a fantasia do nada ser,
tentam se achar eternas,
mas são vazias, estúpidas e imortais.
Lançam desejos e descrenças,
atuam no alto poder,
distantes da vida plena,
espiritual e arqueada de bondade.
Os caminhos nos levam a apenas um túmulo,
laqueado de tristeza,
que já não oferta mais vida,
apenas a marca indelével da saudade.
O que nos vale agora é o espírito,
porque aqui somos passageiros,
descendo nas paradas incertas
que a vida nos destina.
O segredo está nas micro-oscilações: é lá, na vibração entre as partículas, que o futuro conversa com o presente.
