"A troca da Roda" Bertolt Brecht
Melancolia da Alvorada
"E nesta solitude vazia, interrogo-me se a paz do silêncio supera a sinfonia de violinos ao amanhecer, tempo em que o espectro sob
os lençóis simulava o sono.
Afinal, qual o tributo de me manter inabalável, vertendo sangueante os espinhos de um jardim desprovido de rosas e um deserto
de fantasmas?"
Jorge B Silva
Setembro (crônica)
"Olho pela janela e vejo passar mais alguns dias simples. Há uma paz morna no ar, um acalento que só pertence às coisas que consigo enxergar quando o coração está grato e o espírito finalmente descansou. Por dentro, os sonhos ainda pulsam com a mesma força de antes, mas o caminhar agora é solitário. Não sigo triste, tampouco abatido; sinto apenas uma perplexidade silenciosa, um estado pensativo de quem assistiu ao tempo correr rápido demais. Muitos anos se foram.
É engraçado como a mente viaja. Hoje é setembro, mas as minhas lembranças insistem em voltar para janeiro. Penso naquele céu em festa, no frescor da noite e nos corpos a descansar sobre a areia, celebrando uma ilusão de eternidade em luzes. Hoje tudo é diferente. O cenário mudou, as pessoas mudaram, e eu acabei ficando exatamente onde estava - no lugar de onde, talvez, nunca devesse ter saído.
Nessa jornada, a vida me ensinou do jeito mais duro que as pessoas esquecem. Descobri que há quem nos fira com precisão, mesmo sendo capazes de distribuir sorrisos largos e fáceis para estranhos e desconhecidos numa viela qualquer. A hipocrisia dos afetos rasos já não me surpreende.
Agora, o horizonte me oferece mais algumas luas, mais algumas noites e mais alguns céus. Não há estrelas em festa desta vez, ou corpos com olhares voltados as luzes multicoloridas, o firmamento está quieto. Mesmo assim, encontro motivos para comemorar algo que pouquíssimos se permitirão vivenciar ao longo de suas passagens por este mundo: uma liberdade verdadeira. Uma independência da alma que nada nem ninguém pode roubar, quebrada apenas, de vez em quando, pelas memórias barulhentas do fim de dezembro e do início de janeiro. Mas o inverno já se foi. O silêncio me acolhe, e o setembro também há de passar quieto e bonito."
Marcelo HB
"Quando você continuar a ser ameaçado pelo passado, fechea porta - e outra, e outra, até que sua mente consiga ver opresente. Sua segurança emocional depende disso; o restante é barulho e distração de um mundo dejogadores. Também os silencie."
Alessandro Bous'T
"A maior fonte de conhecimento de um ser humano ao longo de sua existência é o sofrimento passado e superado."
Jonnas Macarddi
"O que faz o mundo "funcionar" é a capacidade de distinguir homens
de garotos e mulheres de garotas. Quando um homem e uma mulher
cedem ao universo da inexperiência e da superficialidade dos mais
jovens em início de vida, eles se afastam dos princípios que
aprenderam, regressando a um estágio primário de
aprendizado e iniciando uma busca ilusória por
aquilo que já possuem - uma vida pronta."
Asas do amor (Texto poetico)
Numa vida repleta de grandezas, que não a materialidade das
coisas, vãs são todas as outras que aprisionam sua liberdade,
podando-lhes as asas para que se esqueçam de poder voar.
Quando você ama, não deseja podar asas, mas cuidar destas;
traçar novos voos e, junto, também voar. Se, no momento do
voar, esquecem-te, após ajudar a cuidar das asas, não é amor
que tens - então, é o momento de voar sozinho mais uma vez,
e mais quantas vezes não valorizarem e cuidarem também
de vossas asas.
Amar é isso; deixar voar e voar junto na mesma direção.
Há, com toda certeza um pouco de sonho e um pouco de
poesia neste escrevinhar, mas nada absurdo para quem
consegue simplesmente enxergar e ver além de
suas próprias asas.
Marcelo HB
As Virtudes
Sabedoria,
Coragem,
Justiça e
Temperança;
Valores a serem estabelecidos
e trabalhados.
Alessandro Bous'T
"Se o meu silêncio te incomoda, senta-te e escuta-te a ti mesma,
também em silêncio — talvez consigas entender um novo
abrigo, um novo lar."
Jorge B Silva
"...não porque eu tenha água, mas porque, também eu, sei o que
é sede; e também eu, não me perdi, experimentei a perdição."
Clarice Lispector
Trecho da Crônica "Mineirinho"
"Crescer exige suportar o desconforto
de deixar para trás uma vida que já conhecemos para construir outra
que não sabemos como será."
Carl Rogers
Nossos meninos
"Observa-se um padrão de comportamento masculino caracterizado pela alternância estratégica de projeções identitárias com o escopo de atrair parceiras afetivas. Inicialmente, o indivíduo manifesta uma postura de vulnerabilidade e autovitimização decorrente de suas próprias contingências; subsequentemente, adota uma projeção de autossuficiência e resiliência.
Sob uma análise psicossocial, tal conduta evidencia imaturidade emocional crônica e ausência de diretrizes existenciais pragmáticas. O objetivo subjacente a essa dinâmica não converge para o estabelecimento de uma parceria conjugal simétrica, mas sim para a busca de uma figura vicária maternal, apta a assumir o suporte logístico e a regulação emocional de suas disfunções e fracassos funcionais."
Alessandro Bous'T
À Sombra do Sol
Enquanto alguns passam a vida lamentando as falhas dos pais,
outros escolhem superá-los. A grande diferença é que os
primeiros viverão sob a sombra do passado, enquanto os
segundos se transformarão em seus próprios sóis...
Ninguém escapa da própria raiz,
Carregamos a história que o sangue diz.
Mas o destino não é o que herdamos,
É o caminho que nós mesmos traçamos.
Enquanto alguns passam a vida a lamentar,
As falhas dos pais que não puderam mudar,
Outros escolhem a dor de crescer,
E vão além do que viram nascer.
A grande diferença habita no fim:
Uns vivem na sombra, trancados em si,
Reflexos eternos do que os gerou.
Os outros são sóis que a vida acendeu,
Brilhando na luz que o peito escolheu.
Estar à sombra do sol é entender,
Que a própria luz faz a sombra nascer.
Não é apagar o passado ou a história,
É caminhar sob a própria vitória.
Marcelo HB
"A eficiência e a excelência dão trabalho. Estas não simbolizam
valores, mas a dedicação e o poder de se sacrificar por algo
maior que a concepção geral da sociedade: o mediano."
O Duque
O mar e a areia (poesia)
Que um dia
os que foram negligenciados
sejam lembrados, e que o sejam
antes que a carne se desfaça,
sucumbida pelo fim do tempo,
ou antes que restem apenas ossos
e o pó misturado à terra.
Porque todos, sem qualquer exceção
ou vã generalização, precisam de algo
além de si mesmos. Qual seria, afinal,
o sentido de existir no isolamento,
dedicando a vida a um único ser?
Que um dia
os mesmos olhos que choram
sorriam; que o mesmo oceano
que banha a areia sedenta
por sua espuma, receba também
alguns de seus grãos,
num gesto manso de afeto
pelo simples direito de coexistir.
Marcelo HB
Alma de Cristo
"Alma de Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro das Vossas chagas, escondei-me.
Não permitais que eu me separe de Vós.
Do inimigo maligno defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me.
Mandai-me ir para Vós,
Para que Vos louve com os Vossos Santos
Pelos séculos dos séculos."
Ámen!
Voo do Regresso
O amor não morre, ele apenas muda de tom.
Deixa o fogo que queima e vira farol:
guia manso, atento, sutil e bom.
Para o peito cansado de novo se abrir,
as asas não têm pressa, promessa ou refrão.
O afeto renasce no passo que sabe aonde ir.
Menos urgência, mais direção.
Sem o vento heróico da antiga paixão,
mas com o gesto maduro que sabe cuidar.
Cessa o exagero, o drama, o rascunho.
O amor agora se escreve com calma,
na lógica exata de quem cura a alma.
Marcelo HB
De pele
"A única guerra onde tudo é permitido
é a do amor - aquela feita na cama ou
despretensiosamente numa
parede da sala."
Mário Sérgio
"Não necessitamos saber tudo ou os pensamentos do outro, apenas estarmos prontos para o infinito, pois é o que cabe em nós, o infinito."
Marcelo HB
