Branco
Adoçar os lábios
com Ingá-Branco,
Fazer votos lindos,
Beijar-te tanto,
Quero sem censura
contigo tocar até a Lua
e pela Via Láctea viajar
sem deixar o amor faltar.
O Camboatá-Branco doa
a sombra poética e inspira,
Te quero com amor
e sempre com toda energia,
De longe já percebo
que me deseja como companhia
não só para um momento,
e sim para toda a nossa vida.
Encontrar um Jequitibá-Branco
no caminho e abraçar contigo
em pleno Domingo de céu azul,
Sentir o carinho das tuas mãos
enternecidas e mergulhar
nos teus olhos de Jabuticaba amorosos e deles não querer
outra coisa na vida a não
ser a imensa e grata poesia,
Cultivando juntos com delicadeza
e entrega a cada nova expectativa.
Feita de Guatambu-branco
a minha poesia é o meu
Berimbau romântico,
Não entro em disputa
pelo coração alheio,
Porque só desejo aquilo
que vem espontâneo,
Como mulher conheço
o meu lugar e tamanho,
O amor quando virá
não trará desengano,
não será passageiro
e com o mesmo plano
estaremos embarcados.
Como a chuva fina
molha o Louro-Branco
em plena florada,
Para os teus sentidos
a sua amada,
Penetrei na sua alma
há muito tempo,
Sou eu a dona do seu
coração e do seu pensamento.
Escutei um barulhinho
é o Pica-pau-branco
fazendo o seu ninho,
É um recado da Natureza que
em breve você estará vindo.
No Hemisfério Celestial Sul
floresceu o Ipê-Branco
da Via Láctea do destino
da Corujinha-das-Guianas
que cruzou no meu caminho,
Ouvindo "Guayana Es"
prevejo a volta do Esequibo
e entregarei os meus poemas
para onde poderei ver
de perto e tocar as estrelas.
O Rabo-branco-cinamôneo
foi ao encontro do Sol,
O poema é o fenômeno
do tempo que não se detém,
Ninguém é o tempo todo refém.
O Rabo-branco-de-sobre-amarelo
apareceu junto com a claridade,
É poesia voando para todos os lados
espalhando sementes de girassóis,
Ninguém domina nada o tempo todo
nem a mentira, nem a verdade,
nem a voz e nem mesmo o silêncio:
(Indomável mesmo é a liberdade
mesmo aquela que se acha que
pode controlar por certo tempo).
Beija-flor-de-rabo-branco
sobrevoando os jardins do destino,
Assim sou eu poeticamente
em busca de amoroso abrigo
desde que seja somente contigo.
A lenda do primeiro gaúcho
conta que ele é filho
de branco com moça da tribo,
Quem nunca comeu
uma Tainha na Taquara
não sabe o que é se saborear
enquanto o coração dispara
e continuar sorrindo.
Nó Chimango
Um nó Chimango
no seu lenço branco
de gaúcho deve
ser feito simples,
Uma boa pilcha
sempre deve ser
vestida com louvor,
Se você não sabe
como são os nós
dos lenços gaúchos
te ensino com andor
Porque te quero
com todo o amor.
Mulher de Branco
Deixando-me levar por
uma aparição navegantina
que rasga as roupas
dos pescadores lá no Gravatá
Fui atrás da Mulher de Branco
que ainda a História causa
espanto lá do alto
da Pedra da Miraguaia
Não tenho receio de espíritos
mesmo em noite de Lua Cheia,
quando ela aparecer vou
declamar para ela um poema
Para quem sabe um
dia ela pare de assombrar
todo aquele que fica de vigia,
e possa tranquilamente pescar.
Zabé da Loca
Coloquei o meu vestido
de renda branco,
e fiz uma prece para Zabé da Loca
tocar o pífano
do Universo para que eu desvende
o mistério para tocar
o seu coração do jeitinho certo.
Roda de Chorinho
Debaixo do arco branco
de Mandevilla Sanderi
toca o Piano, o Violão de sete
cordas, o Violão tenor
e eu canto com todo o amor.
Passando o arco amarelo
de Mandevilla Sanderi
vem chegando o Bandolim,
o Cavaquinho, a Flauta e o Flautim
e a esperança de cantar e tocar algo
que faça bem para você e para mim.
Ainda debaixo dos arcos
de Mandevillas Sanderis
vermelho e cor-de-rosa trançados
vem chegando o Clarinete, o Clarone,
os Saxofones, o Trompete e o Trombone
tocando uma antiga prece amorosa.
O Bombardino, a Tuba, o Pandeiro,
o Reco-reco e a Caixeta
daqui a pouco estarão vindo
para fazer completa esta roda de Chorinho,
no final de tudo quando você se declarar
receberei você com amor e todo o carinho.
04/04
Se alguém te ofendeu
não deixe passar em branco,
esclareça até o final
para que nunca mais ninguém
venha repetir o mal.
Louro-branco
Dança o Louro-branco
saudando o tempo,
Compreendo que guerra
é guerra entre exércitos,
A paz que eu dou é a mesma
que de ti quero receber,
E se por acaso não receber
de volta vou insistir
enquanto continuar a viver.
