Borracha
Lá estava ele, brilhando em toda sua plástica glória, um labirinto de fios de borracha e inteligência eletrônica tão avançada, que nem era considerado um videogame, mas um sistema de entretenimento de 8 bits.
Um carro novo na década de 70 e um celular última geração.
Precisei por capa, borracha e tapetinho para não riscar, sujar ou quebrar.
Contratei seguro e instalei sistema de segurança.
Tive que verificar, testar as portas, janelas e instalar acessórios extras.
E antes de ligar verifiquei todos os botões, sintonizei o rádio e comecei a usar.
Com uma Borracha
As minhas lembranças são tantas,
Mas infelizmente algumas foram esquecidas, com um simples passar de uma borracha...
Há coisas que nem sequer eu lembro mais.
Talvez era pra esquecer.
Talvez eu não precise delas.
Mas eu às adoro tanto.
Minha vida está em minhas lembranças.
Momentos que se eternizaram em mim.
Queria vivê-las de novo...
Mas não posso às trazer de volta,
Porque foram esquecidas...
Com um simples passar de uma borracha...
EM CORREDOR HOSPITALAR
Hoje em corredor hospitalar, sobre o deslize e som rangido de borracha cilíndrica sob o chão, de idade de respeito e com olhar longe, mas simpático, onde os cabelos brancos por todo, cobrindo uma vida de histórias, entre as alegrias, tristezas, dos amores e desamores, a avó sentada, levada pela assistente suporte, foi-lhe questionada sobre a presença de um homem, homem este, sobre ondas de lisos fios de cabelos brancos, de igual idade de respeito.
Sabe quem é este homem? Questionou a assistente.
Sob uma trémula e doce voz, disse ela: Não me lembro, não sei de quem se trata..
Aos meus passos, e sob curiosidade expontânea, abrandei, e pude ouvir…
É o Zé, o teu filho…
Naquele momento, a emoção escalou sobre o meu corpo, e sob olhar úmido, mas de cabeça firme, senti, senti, bem, no fundo a dor de não nos lembrarmos de quem um dia, tanto amor transbordamos, tantas lembranças nós criamos, e tanto carinho dedicamos.
Foi hoje…exatamente hoje…
Em um corredor hospitalar .
07/07/2023
Felizes, são os que não dão à borracha, o atributo da finitude e da fatalidade, mas corajosamente, apoiam o antebraço na mesa nova, enxugam o suor da mão no mesmo lenço que enxuga as lágrimas; segura a pena com a mão combalida e trêmula, podendo reescrever a sua própria história. O que seria do artista se não houvesse rascunho?
Nascemos com três objetos, um papel, uma caneta e uma borracha.
O papel representa nossa história, a caneta, nossas ações e escolhas. Usamos a caneta para escrever nossa história, porém temos a borracha que serve para apagar o que já foi escrito, mas não dá para apagar o que foi escrito pela caneta, então para que serve a borracha?
Deveria haver uma maneira de passar a borracha e recomeçar, do zero, do nada. Encarar novos personagens, inventar uma nova história, extrapolar. Aceitar aquela ajudinha que fora dispensada. Aguardar o próximo bonde, e se atrasar propositadamente. Suspirar, gritar de emoção, dar risada do que parecia ridículo e criar, criar e criar. Inventar, experimentar e amar mais. E para desta vez, então, errar diferente.
Pense comigo...
Tudo que é maravilhoso dura para sempre... Porque boas lembranças a borracha que o tempo usa não apaga. Se não tiver uma foto que registrou o momento, haverá uma musica... uma data, um perfume... O subconsciente... Mas vai estar lá... Registrada em um cantinho especial da sua memória e no seu coração. A gente não esquece nada, nem bom nem ruim... E se esquecer, acredite: não teve importância!
A única coisa que eu tenho para oferecer meu inimigo é um lápis e uma borracha,aos meus amigos eu tenho canetas,confiança não é para todos
