Bolero de Ravel Carlos Dummond de Andrade
Gostaria de um presente dos deuses que me equipasse novamente com o vigor, a saúde e a energia vital. Todavia, o tempo não tem volta, assim como meus inimigos vencidos se foram, vou eu também como inimigos dos outros.
As regras inúteis da escola quebram a resistência dos alunos para os embates com o futuro. Colocam-nos em fila para aprenderem o quê, se os livros são poucos? Será se os coordenadores desconhecem a realidade!
Na guerra, o homem perde a consciência e, tendo de matar um leão todo dia, perde o respeito de si. Então, sem consciência e respeito próprio, viram canibais da carne e da reputação uns dos outros. Nisso são reflexivos mutuais.
Vivemos em um mundo onde o oprimido também é opressor, tal qual, o violentado é violentador. Os humilhados alunos são os achadores de erros nos seus professores para humilhá-los da mesma forma que são humilhados pelo Sistema.
Os boatos, tomo de alerta, fugindo dos grandes abismos! Por isso, gosto de meus inimigos, suas demências justificam as minhas.
Os alunos de antigamente nos tratavam com um "sim senhor", hoje é "querido" e a relação professor/aluno cada vez pior. Eles entendem por elogio, "cantada". Deus me livre de colocar parabéns em suas redações.
A rebeldia dos fracos leva à divulgação maldosa (fake news), aos gritos, fermentando os supostos erros dos outros! Por não terem cacife, ao atribuir-lhes o mais severo castigo, fazendo tempestade em copo d'água, objetivando a simpatia dos terceiros de mau gênio, sedentos por diversões extravagantes.
O Critério para se ter um Deus verdadeiro é não conhecê-Lo. O meu não tem sentimentos, mas é totalitário! E se há alguma coisa fora dele são seus atributos.
Mesmo que demore, esperarei contra a esperança pela justiça, de uma causa de milhares de crianças e professores que não merecem ser reféns do caos educacional.
Falando sobre escola real, a falsa é aquela que promove mais o uniforme e o luxo dos seus alunos, do que o saber para um viver de reais valores.
O professor "ruim", sem imposição, deixa o aluno fora da sala na hora de sua aula. O coordenador "bom" é aquele que inspeciona, o tempo todo, nos corredores da escola, tangendo alunos para dentro das salas. E o aluno "esperto" é aquele driblador do sistema, usando o comportamento mais bizarro possível, ainda se justificando com desculpas bem elaboradas.
OS ALUNOS FICAM MAIS FORA QUE DENTRO DA SALA DELES, VINGANDO-SE DOS PROFESSORES CHATOS, POIS A COORDENADORA PEDAGÓGICA CULPA O MESTRE.
Quando um professor tira um aluno da sala, porque está atrapalhando sua aula, ele finge ser meu amigo; invade minha sala para se refugiar. Como um intruso, puxando conversas frívolas, tira novamente a primazia do tempo dos que querem estudar.
Qualquer planejamento feito por um grupo de pessoas é gorado. Não há segredo na boca de muitos, em cada doze, um assumirá o Judas para vender uma cópia do projeto.
Quem insiste em dizer que a Bíblia é a palavra de Deus com tantas versões e traduções? Talvez um dia, chegue a sê-lo, quando as palavras tiverem significados iguais: 'Bíblia da mulher; Bíblia dos gays; Bíblia do pastor, Bíblia da criança; Bíblia de estudo'.
Se a família não serve para educar suas crianças, obrigada a matriculá-las na escola, que se eduquem as famílias, ainda objeto de confiança dos menores. Falsa equivalência!
É fácil fazer caridade com o chapéu dos outros! Difícil é encarar o desapontamento do pedinte; para ele, tanto quanto para mim, quando me recuso a colaborar!
