Boas Vindas para um Amiga
ANJO DE DOR.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Sinopse.
Um romance sobre as marcas do passado, os reencontros da alma e os caminhos silenciosos da redenção.
Em Anjo de Dor, a existência humana é apresentada como uma grande jornada de aprendizado, onde lágrimas e esperanças se entrelaçam diante dos mistérios da vida. Através de personagens marcados por escolhas difíceis, sentimentos profundos e lembranças que atravessam o tempo, a narrativa revela que nenhuma experiência é perdida quando conduz ao crescimento interior.
Entre amores interrompidos, despedidas dolorosas e reencontros inesperados, surge a compreensão de que a renúncia pode ser uma das mais elevadas expressões do amor. A alma, em sua caminhada evolutiva, encontra nas provas e nos sacrifícios oportunidades de transformação, reparação e amadurecimento.
Inspirado na reflexão sobre a reencarnação e a continuidade da vida espiritual, o romance conduz o leitor a contemplar os vínculos que permanecem além da existência física, mostrando que antigos compromissos da alma podem ressurgir em novas experiências, convidando ao perdão, à humildade e à renovação.
Anjo de Dor é uma história sobre aqueles que carregam feridas invisíveis, mas descobrem que a dor, quando compreendida sob a luz do amor e da esperança, pode tornar-se uma ponte para a libertação e para a verdadeira paz interior.
08 de Outubro de 2024.
Manhumirim - MG
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Link do autor:
https://a.co/d/01DUdpML
Talvez seja assim mesmo que a coisa funciona. Não é uma porta que fecha de um dia pro outro, é mais um instante aqui, um minuto ali, se somando devagar, sem pedir licença…
Fiz a promessa de beber um copo d’água
toda vez que sentisse sua falta.
Agora,
me peguei
bebendo uma caixa d’água inteira,
e ainda assim
a sede não passa.
Fiquei com vergonha de ter ficado bem por um tempo. Como se esquecer, nem que por meia hora, fosse uma espécie de traição — traição à dor, que já virou quase uma companhia velha.
Se todos os humanos pudessem brilhar sem se preocupar com as guerras. Seria um paraíso até para nós vulgares e pecadores.
Quem demelência de paraíso.
O luto da “Vida” — 200 dias
Quando nasce uma criança especial, nasce um sentimento. Nasce a culpa, a revolta, nasce um luto. Aquela criança não é a que imaginaram, não é o que sempre sonharam. Mas nenhuma criança é exatamente aquilo que imaginamos ou sonhamos.
E, enquanto se sonha com uma criança que não existe, há uma ali, querendo abraços, querendo um olhar de amor, sorrindo sozinha...
Enquanto cresce, espera ser apreciada pelo que é, e não pelo que deveria ter sido.
Ainda não lhe deram a chance de aparecer, de mostrar para que veio.
E sua cabeça de “pai”, racional demais, não sabe o que pensar. E, baixinho, com medo de ser ouvida, pergunta:
— Para que nasceu? Por que ainda vive?
Enquanto isso, seu coração, acelerado como sempre, já ultrapassou o tempo e sofre calado, por medo de um dia vê-la partir ou de partir primeiro.
Quando alguém deixa ou se vai, não está abandonando aquele bebê, e sim a si mesmo. Está antecipando a própria dor, diminuindo o amor, protegendo-se de algo que acredita ser inevitável.
Mas quem sou eu para falar?
Não tenho filhos assim.
A vida, porém, me deu essa oportunidade.
Por impulsividade, troquei de escola e me tornei professora de dois adolescentes com deficiências múltiplas.
Para mim, era normal.
Eu simplesmente havia mudado de escola e tinha uma variedade de alunos.
Até começarem os comentários.
Comentários de lá, de todos os lugares... Gente dizendo que eu deveria desistir. Outros sofrendo por mim, lamentando a minha “falta de sorte”.
Eu não entendia.
Por que desistir?
Por que aquela seria uma escolha ruim?
Até que, cinco dias depois — no feriado prolongado de Carnaval —, aconteceu.
Era sábado.
De repente, senti o cheirinho de perfume de bebê de um deles.
Não quis acreditar.
Talvez fosse apenas uma lembrança.
Talvez fosse imaginação.
Mas aquele cheiro deixou uma lacuna em algum lugar aqui dentro.
Na terça-feira, senti falta do outro.
Talvez eu ainda estivesse em negação.
Talvez alguma coisa dentro de mim já soubesse, enquanto eu ainda tentava entender.
Era algo que gritava.
Algo intenso demais para passar despercebido.
E, então, pronto.
Não podia mais negar.
Eu estava apaixonada por eles.
E, naquele instante, tudo mudou.
Eu iria cuidar.
Iria protegê-los como pudesse.
Faria o meu melhor.
Quis devolver.
Mas, para esse tipo de coisa, não existe devolução.
Então, tive que usá-los.
Usei os outros 195 dias para brincar, cuidar, ensinar...
200 dias tinham sido muito.
Para que tanto?
Hoje eu sei.
Não precisei de 200 dias para amá-los.
Precisei de apenas cinco para descobrir que já os amava.
Realmente, 200 dias foram, exageradamente, bastante para alguém que não os teria; para alguém que estava apenas de passagem por suas vidas e que passaria o resto da vida sufocando a saudade.
Talvez os 200 dias não tenham sido dados para que eu aprendesse a amá-los.
Talvez tenham sido dados para que eu descobrisse que, depois de amar, não existe devolução.
Queria ser amada,
sem saber que, um dia,
por ele seria condenada.
Buscava em seus braços a alegria,
mas, da noite para o dia,
não entendia
a sua covardia.
Achei que tinha encontrado
o meu príncipe encantado,
mas ele havia me matado.
— Mikayla
Bom dia, com muita alegria em seu coração! Que seja um dia muito abençoado. Que a paz esteja convosco.
Entre as montanhas da Serra do Espinhaço, Brejaúba repousa em um vale onde o frio e a brisa se encontram ao aconchego da névoa.
Eu já fui um desejo tão profundo
que tornou outono tudo que
floresceu antes
de mim.
Eu já fui um homem bêbado
que discutiu com os ponteiros sobre
o hoje já ter
estado ali.
Fui um ladrão honesto, um vadio trabalhador,
Um aventureiro acorrentado,
um explorador de terras
conhecidas.
Eu fui a parte de uma parte, jamais um ser inteiro e desse mesmo teor
eu nunca deixei de ser
quem sou.
“Toda vez que um animal indefeso é abandonado, o Direito recebe uma pergunta que não pode responder apenas com artigos, incisos e parágrafos: quem era responsável por essa vida?”
“Uma sociedade que precisa de uma lei para ensinar alguém a não abandonar um animal já revelou, antes mesmo da sentença, uma parte de sua falência moral.”
“Onde a lei enxerga apenas um animal, o Direito deveria enxergar um ser vivo diante de uma responsabilidade humana.”
Salmos 84:7
Vão indo de força em força;
cada um deles
em Sião aparece perante Deus.
“Deus não apenas nos chama para Sião; Ele também nos sustenta durante toda a caminhada.”
Reflexão de vida
"Um caminho te leva a vários lugares.
Mas a direção certa... Só Deus te dá."
@Suédnaa-Santos
Ainda Bem Que Acordei a Tempo
Há uma canção interpretada por Ney Matogrosso que começa com uma imagem que sempre me impressionou: alguém tem um pesadelo e consegue acordar a tempo.
Hoje fui eu quem teve esse pesadelo.
Sonhei que você estava indo embora.
E naquele instante senti um vazio que não sabia que existia dentro de mim. Vieram sentimentos estranhos, medos que nunca havia experimentado, uma angústia quase sem sentido.
Sem sentido?
Não.
Hoje eu sei que não.
É que me acostumei com você.
Mas não esse acostumar que transforma alguém em rotina e faz sua presença perder o encanto. É justamente o contrário. Acostumei-me a ter você tão profundamente perto de mim que sua existência começou a fazer parte da minha própria maneira de existir.
Você está nos meus pensamentos.
Está naquilo que escrevo, naquilo que sinto, nas decisões que tomo e até nas coisas que observo quando caminho sozinho.
Você se tornou inspiração.
Tornou-se uma espécie de luz nos caminhos que ainda não sei percorrer.
Talvez você nem perceba.
Talvez nem goste de tudo aquilo que escrevo para você. Talvez algumas das minhas palavras pareçam exageradas e alguns dos meus sentimentos grandes demais. E quando tento transformar esse carinho em gestos, você quase nunca aceita.
Então encontrei outro jeito.
Eu escrevo.
Escrevo porque o papel não recua quando meu coração se aproxima.
Escrevo porque existem sentimentos que minhas mãos não conseguem entregar, mas minhas palavras conseguem alcançar.
Escrevo porque, quando não posso colocar alguma coisa diante de você, coloco um pedaço de mim numa frase e deixo ali.
Talvez seja essa a maneira que encontrei de amar você sem invadir o seu espaço: transformando sentimento em palavra.
Por isso aquele pesadelo me assustou tanto.
Não foi simplesmente imaginar você partindo.
Foi imaginar o silêncio que ficaria depois.
Quem estaria nos meus pensamentos?
Para quem eu escreveria aquelas coisas que somente você consegue despertar?
Onde colocaria todas essas palavras que nascem justamente porque você existe?
Então acordei.
E você ainda estava aqui.
Foi quando percebi que alguns pesadelos não chegam para anunciar uma perda. Às vezes, chegam apenas para nos mostrar o tamanho daquilo que temos enquanto ainda temos.
E eu tenho você na minha vida.
Talvez não da maneira que meus sonhos inventam.
Talvez não da maneira que meu coração gostaria algumas vezes.
Mas tenho sua presença, sua importância e tudo aquilo que você desperta em mim.
E isso significa muito.
Por isso, se algum dia você encontrar entre meus papéis tantas palavras falando de amor, não estranhe.
Elas existem porque você existe.
Ainda bem que aquele pesadelo terminou.
Ainda bem que acordei a tempo.
Porque até para transformar um pesadelo em poesia, de algum jeito, eu preciso encontrar você dentro de mim.
Te amo.
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