Boas Vindas para um Amiga
“A verdadeira amizade é um encontro de almas que se reconhecem além do tempo. Quando dois seres caminham juntos com sinceridade, suas energias se entrelaçam e se fortalecem, criando uma luz capaz de sustentar ambos nos desafios da vida. A amizade é um Reiki silencioso que cura, ampara e eleva.”
“A melhoria de um país começa pela escolha consciente do bem por cada indivíduo, afastando atitudes nocivas e assumindo responsabilidade moral coletiva para construir uma sociedade melhor.”
“Mesmo quando estamos envolvidos em algo prazeroso — como um jogo, uma atividade de que gostamos ou qualquer distração — não devemos perder de vista aquilo que realmente é importante na vida.”
“No Reiki, aprende-se a cultivar um coração puro, sereno, expansivo e em harmonia com a Energia Universal e com a natureza.”
Minha conversa com Heráclito
Encontrei Heráclito sentado à margem de um rio. Não sei se era o mesmo rio de que tanto falaram depois dele, mas isso pouco importava. A água passava silenciosa, indiferente à nossa presença, levando consigo folhas, reflexos e alguma coisa do tempo.
Sentei-me ao seu lado e perguntei:
— É verdade, Heráclito, que ninguém entra duas vezes no mesmo rio?
Ele olhou para a água antes de responder:
— Olhe para ela. Quando seus olhos voltarem ao mesmo lugar, aquela água já terá partido.
— Então tudo muda?
— Tudo se transforma.
Fiquei algum tempo em silêncio. Depois pensei no mundo que conheço, nas cidades enormes, nos homens trabalhando até o cansaço, na riqueza acumulada em poucas mãos e na pobreza atravessando gerações.
— Se tudo muda — perguntei —, por que algumas injustiças parecem nunca mudar?
Heráclito abaixou os olhos para uma pedra junto aos seus pés.
— Porque mudança não significa justiça.
A resposta me perturbou.
— Então podemos mudar para pior?
— Naturalmente. O rio corre, mas não pergunta ao homem para onde ele deseja chegar.
— Nesse caso, de que nos serve saber que tudo se transforma?
Ele finalmente me olhou.
— Para compreender que aquilo que existe não possui o direito de chamar-se eterno.
Pensei nos impérios. Pensei nos reis. Pensei nos homens que, em diferentes épocas, acreditaram que suas riquezas, suas fronteiras e seus poderes durariam para sempre. Pensei também naqueles que vivem embaixo, sustentando silenciosamente aquilo que outros chamam de ordem.
— Há uma coisa que sempre me incomodou — disse a ele. — Quando uma sociedade produz tanta riqueza, por que alguns possuem tanto e outros precisam lutar pelo mínimo?
Heráclito não respondeu imediatamente.
— Essa pergunta pertence mais ao seu tempo do que ao meu.
— Talvez. Mas a desigualdade é antiga.
— Sim. E exatamente por ser antiga, muitos cometem o erro de imaginá-la natural.
Olhei novamente para o rio.
— Eu não acredito nisso. Não consigo aceitar que a miséria de um homem seja necessária para o conforto de outro.
— Então não aceite.
— Parece simples quando você diz.
— Eu não disse que seria simples.
Sorri.
Heráclito continuou:
— Os homens confundem frequentemente aquilo que existe há muito tempo com aquilo que deve existir para sempre.
A frase ficou dentro de mim.
Talvez seja assim que tantas injustiças sobrevivam. Primeiro tornam-se hábito. Depois tradição. Mais tarde recebem outro nome: normalidade.
E finalmente aparece alguém para dizer que sempre foi assim.
— Mas você dizia que os contrários fazem parte do mundo — provoquei. — Rico e pobre também seriam contrários necessários? Oprimido e opressor? Fome e abundância?
Heráclito franziu a testa.
— Cuidado para não transformar filosofia em desculpa.
Fiquei surpreso.
— Explique.
— Reconhecer que existem tensões entre os contrários não significa declarar justa toda contradição criada pelos homens.
Aquilo me pareceu importante.
Há uma diferença enorme entre compreender o mundo e ajoelhar-se diante dele.
— Então a filosofia também pode ser perigosa?
— Toda ideia pode tornar-se perigosa quando alguém a utiliza para justificar aquilo que não deseja transformar.
O rio continuava passando diante de nós.
Perguntei:
— E o Logos? Essa ordem que você dizia existir por trás das coisas? Onde está essa ordem quando uma criança sente fome diante de uma mesa onde sobra comida?
Heráclito permaneceu em silêncio.
Dessa vez fui eu quem respondeu:
— Talvez aí não exista ordem nenhuma. Talvez exista apenas uma ordem construída pelos homens para favorecer alguns homens.
Ele sorriu discretamente.
— Então você começou a fazer filosofia.
— Porque discordei de você?
— Porque perguntou.
Olhei para minhas mãos.
Talvez a filosofia começasse justamente ali: quando deixamos de aceitar uma resposta simplesmente porque alguém importante a pronunciou há dois milênios.
— Heráclito, eu ainda acredito que o mundo pode ser mais justo.
— Mesmo depois de tudo o que já viu?
— Talvez justamente por causa de tudo o que já vi.
Ele pegou uma pequena pedra e lançou-a no rio.
A água abriu-se por um instante, formou círculos e depois continuou seu caminho.
— Veja — disse ele. — Uma pequena pedra não impede o rio.
— Mas modifica a água.
— Por um instante.
— Às vezes um instante é suficiente para começar alguma coisa.
Heráclito sorriu.
Levantei-me.
Antes de partir, fiz minha última pergunta:
— Se tudo passa, Heráclito, o que devemos fazer enquanto estamos aqui?
Ele olhou novamente para o rio.
Não respondeu.
Talvez porque algumas perguntas precisem permanecer abertas.
Comecei a caminhar e, depois de alguns passos, voltei os olhos para trás. Heráclito continuava sentado diante da água.
Foi então que compreendi alguma coisa que talvez ele nunca tivesse dito:
se o mundo está sempre mudando, nossa responsabilidade não é impedir a mudança.
É disputar a direção dela.
Porque o rio do tempo continuará correndo conosco ou sem nós.
Mas enquanto estivermos em suas margens, ainda podemos decidir que espécie de humanidade desejamos colocar dentro de suas águas.
“Se o mundo está sempre mudando, nossa responsabilidade não é impedir a mudança. É disputar a direção dela.”
HERÁCLITO — A MUDANÇA
Heráclito me mostrou que nada permanece. Somos feitos de passagem, contradição e transformação. Por isso, não temo tanto a mudança. Se tudo muda, aquilo que é injusto também pode mudar e nós podemos participar dessa transformação.
Aceitar o fim é um processo lento, mas necessário para abrir espaço ao que ainda pode recomeçar. É difícil entender, de primeira, que algumas despedidas também carregam o poder de curar.
Crescer dói. Machuca. E, às vezes, parece um inverno que nunca termina.
Mas decidi que não vou deixar meu coração congelar.
Minha cura está em continuar enxergando o mundo em cores, mesmo quando tudo ao redor insiste em parecer cinza. Talvez minha maior revolução seja justamente essa: continuar escolhendo a pureza, a sensibilidade e a fantasia em um mundo que tantas vezes tenta nos tornar rígidos.
Por isso, sigo como um eterno menino perdido, colorindo os dias e me recusando a abandonar aquilo que ainda existe de mágico em mim.
E quando o mundo pesa demais, volto para a minha própria Terra do Nunca.
Ela se chama Ademah.
É onde encontro refúgio nos caminhos lúdicos da minha mente, onde transformo aquilo que dói em histórias, músicas e mundos — e, entre tudo aquilo que crio, encontro pequenos fragmentos da luz que pensei ter perdido.
Talvez crescer não seja abandonar a criança que fomos.
Talvez seja aprender a protegê-la.
Ser um cristão pautado na ortodoxia bíblica permite filtrar com clareza o que é ensinado, rejeitando o que carece de fundamento apostólico.
Chega um tempo em que a gente para de pedir licença para ser quem é.
Depois de tantas travessias, já não há necessidade de esconder as marcas, explicar escolhas ou caber nas expectativas de ninguém.
Porque existe uma força que só nasce depois que a vida nos atravessa. Uma coragem que não faz barulho, mas nos ensina a voltar para nós mesmas.
Hoje, quando olho para trás, não vejo apenas o que doeu. Vejo tudo o que precisei vencer para chegar até aqui sem perder a fé, a ternura e a vontade de continuar.
Não sou apenas quem sobrevivi sendo.
Sou também a mulher que escolhi me tornar.
E talvez uma das maiores liberdades da vida seja chegar diante do espelho, depois de tantos caminhos, e finalmente poder dizer:
essa sou eu.
Edna de Andrade
O 'amor que tudo suporta' na Bíblia não é um convite à aceitação de abusos, traições ou desrespeito. Ele se refere à resiliência diante das crises, como a doença e a escassez, e à paciência com as imperfeições humanas.
A REPRESA QUE VAZOU!
Estava fazendo a leitura de um certo texto quando me lembrei das represas encontradas ao longo da minha trajetória, e das muitas vezes em que precisei ser musgo.
Algumas vezes, também tive, estrategicamente, de ser planta: aguardar o momento certo para vazar-me, criar passagem e, com coragem e resiliência, deixar minhas ideias florescerem na natureza que eu mesma criei, nos espaços que conquistei.
Foi o vento, companheiro condutor, contribuiu: soprou o aroma das minhas sementes, carregando a essência do essencial , a força vital de quem insiste.
Carrego comigo a natureza ancestral, eu sou a vida que pulsa, que insiste, que pede passagem.
Porque eu sou a própria arte. Eli Odara Theodoro
Na Tua companhia
Melhor é o dia caminhando sobre o fogo
na tua companhia, do que um caminho
de paz dado pelo mundo.
Marcelo HB
O pecado nunca é apenas uma falha comportamental; é o fruto de um coração que cessou de vigiar suas motivações. Caímos porque buscamos satisfação em ambientes e amizades que alimentam nossos falsos deuses, em vez de guardarmos nossa identidade em Cristo. No fundo, tanto a nossa falta de oração quanto as nossas preces egoístas revelam que tentamos usar Deus para fins pessoais, em vez de simplesmente desejarmos a beleza de Quem Ele é.
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