Boas Vindas na Escola
Minha escola tem nome: eremonopsicofilosofante. Onde só há um professor: Pauleremonopsicofilosofante.
Dor é escola. Tristeza é tinta. Solidão é casa.
Alfonsina Buconzo Ngoio é mãe. Eu sou outro.
Não confunde. Meu nome não é sombra. É raiz, raiz de Paulo Macaia Poba, meu pai, meu chara e meu Deus na Terra.
“Há uma prudência silenciosa na alma que reconhece quando um lugar deixa de ser escola de virtudes e passa a tornar-se campo de desgaste. O espírito disciplinado não se apega ao que corrói, nem insiste onde a razão já advertiu sobre o dano. Afastar-se, nesses casos, não é fraqueza, mas exercício de governo interior, é uma escolha serena de preservar a própria integridade, como quem guarda a chama da lucidez contra ventos que apenas consomem e não edificam.”
" As coisas simplesmente acontecem e forçar a barra pode ser a escola, para aprender o que é sim e o que é não...
“Na escola, primeiro você aprende a lição e depois precisa fazer a prova. Já na vida acontece diferente: ela coloca você diante das dificuldades primeiro, sem aviso, sem preparo e sem respostas prontas. Só depois, com o tempo, vêm os aprendizados, a maturidade e as lições que aquela dor ou experiência precisava ensinar. Talvez seja por isso que crescer seja tão difícil… porque muitas vezes entendemos o sentido das coisas apenas depois de sobreviver a elas.”
A vida é uma verdadeira escola, onde somos constantemente testados. É como se estivéssemos matriculados em um curso de evolução pessoal, no qual as provas não são opcionais. Temos que enfrentá-las para avançar para o próximo nível.
Por esse motivo, ao invés de lamentar o que poderia ter sido diferente, prefiro olhar para frente e continuar buscando o meu crescimento. Afinal, a vida é isso: uma imensidão de possibilidades, de tropeços e de superações. É vivendo e aprendendo que nos tornamos os protagonistas da nossa própria história...
- Edna Andrade
Jardim de Pragas Antigas
Era uma quinta feira normal, fui pra escola como sempre, sentei-me em minha carteira e esperei a aula começar. Tudo estava ocorrendo normal como todos os dias, conversas sem pausa, professores pedindo por respeito e alunos que não fechavam a boca por nada. Até que chegou a aula de sociologia, a professora estava lecionando sobre cultura, e entre uma palavra e outra trouxe o exemplo do carnaval, uma cultura muito forte no Brasil. Quando que do nada percebi os diversos comentários horríveis: ‘O povo que vai pro carnaval deve ir pro inferno’, ‘esse povo da Bahia, que cultua a macumba, é do demônio’. Isso e muito mais foi o que alguns meninos falaram. O clima ficou pesado, senti como se tivesse caído uma tempestade em cima de mim, a umbanda faz parte de mim, e escutar aquilo colocou-me no tão temido inferno que eles acreditam.
Fiquei pensando naqueles meninos, esses atos não são de agora, remetem ao passado, são como ervas daninhas em um jardim florido, mas que apesar de destruir todos os diferentes à sua volta, tem raízes profundas, tão fundas que remetem ao descobrimento das terras que conhecemos hoje. São plantas tão bem estruturadas que não são mortas com qualquer veneno, a cada novo ser que nasce nesse jardim, ele é brutalmente infectado, fazendo-o proferir a mesma praga de seus antecessores. Aqueles que não são contaminados, sofrem com essa praga, combatem-na com toda a sua força, são pessoas que ainda acreditam na salvação desse canteiro. Esses novos seres que nascem, são os únicos que podem acabar com o padrão de contaminação, já que estas plantas jovens têm seus caules mais puros e se olhassem para outro lado, poderiam se agarrar em vegetações firmes, assim seriam livres dessas ervas daninhas.
O silêncio ecoava pelos corredores, era uma quietude que doía e ao mesmo tempo ardia na alma, tudo aquilo estava sem controle, nenhuma palavra vinha para acalmar aquela tempestade, e nem se quer uma tentativa de segurar aquelas pragas. Tudo estava já danificado, eu teria de ser forte, já que ninguém estava lá para arrancar as ervas daninhas. Mas mesmo que calassem-nas, não adiantava mais, raízes profundas não morrem com o corte do caule, devem ser tratadas em essência.
Quando bateu o sinal para finalmente ir para casa, fechei a mochila e fui caminhando para casa. O peso da mochila era gigante, o silêncio amedrontador da escola misturado com todas aquelas ervas daninhas ao meu redor, e aquela tempestade imensa em cima da minha cabeça. Refleti o caminho todo, não sou como eles, pensei, e é isso que importa. Enquanto mergulham em águas turbulentas, eu vivo a minha fé, e caminho por jardins límpidos. Claro, tenho muita vontade de curar suas pragas, mas não sou capaz, só eles próprios podem acabar com um padrão imposto em seu interior. Só sei de uma coisa, algum dia a própria terra em que estão plantadas, cobrará o preço, o inverno chega e só fica quem é verdadeiro e saudável por dentro.
“Quando a escola adoece emocionalmente seus professores, ela também adoece silenciosamente o futuro de seus alunos. Cuidar da saúde mental de quem ensina é um dever humano, ético e educacional.”
Prof. Valter de Menezes Eugênio
“A escola que apenas pune o sintoma pode aprofundar a dor que deveria ajudar a compreender.”
Do livro Psicose Infantil: Transtornos e Espectros no Divã, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“A criança pode carregar o não dito da família, da escola e da cultura antes mesmo de conseguir dizer o próprio nome da dor.”
Do livro Psicose Infantil: Transtornos e Espectros no Divã, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“A escola que compreende o TDAH deixa de perguntar apenas por que o aluno atrapalha e começa a perguntar do que ele precisa para aprender.”
Do livro TDAH: A Mente que Não Descansa, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“O amor não basta quando falta rede, falta escola preparada, falta acesso à saúde, falta descanso e falta humanidade.”
Do livro Mães Atípicas: As Filhas do Silêncio, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“A escola se torna viva quando o aluno deixa de decorar respostas e começa a investigar o mundo com pensamento crítico, criatividade e propósito.”
Do livro BNCC Aplicada na Prática — Conectando a Educação com a Realidade para Despertar o Interesse dos Alunos, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
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