Boa Educação do Pai para o Filho
Quando desvalorizarem nós mulheres brasileiras, tenham em mente o seguinte:
não conheço nenhum país do mundo que tenha tido na História uma heroína de dois mundos.
Eles ignoram quem pensa diferente,
e quando se incomodam prendem: "Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”; Não, uns estão distribuídos na 'Casa dos Sonhos'
e outros em Infernos suspensos e subterrâneos,
todos são jovens demais para estar frente a frente com Ele: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso”; É dia de lembrar a Crucificação
deste século sem milagre e sem medida humanitária: “Mulher, eis aí o Teu filho (…) Eis aí a Tua Mãe”; Sede, fome, privação do básico e tortura,
eis o quarteto de desgraças friamente planejadas: “Tenho Sede!”; Deus Pai nunca abandona, a Justiça dos Homens
repete reiteradamente o erro bíblico
que faz a Humanidade se sentir no abandono do limbo: “Eli, Eli, lema sabachtani? – Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonastes?”;
Pensar diferente, ser capturado e padecer
lentamente por ter ao 'status quo' desagradado: “Tudo está consumado!”; Lembrando do Teu Filho Amoroso
neste dia de hoje e as passagens d'Ele,
entrego os meus poemas como se entrega o próprio espírito,
porque Ele foi o primeiro e mais importante preso político: “Pai, em tuasmãos entrego o meu Espírito!”.
Está na hora de libertar o General, a tropa
e cada civil que continua preso por apego a consciência,
Não é preciso aprovar o quê o outro pensa,
mas quem prega a liberdade tem o dever de ter coerência.
De uma terra distante
o teu acorde não
falou mais alto e nem
bonito no meu ouvido.
O Pai de Arpa e Thor
foi condenado,
mais não foi esquecido.
Podem falar em todas
as línguas para tentar
ser convincentes.
Será muito difícil,
pois nada haverá de
ser como antes.
Se não se conforma
com a sua imaginação,
Nada posso fazer,
Estou a implorar para
saber do paradeiro
de um General que foi
preso injustamente,
e segue desaparecido.
Sou livre para falar
o quê eu quiser,
e manifestar a quem
eu bem entender.
A esposa espera
o corpo do marido
Capitão-de-Corveta
para enterrar,
Não estão querendo
à ela entregar,
E o vexame a cada
dia só faz aumentar.
América Latina
é um lugar onde
Pai e a sua filha
foram arrastados
pelas oligarquias
e afogados
pelas correntezas
do Río Bravo.
Todos nós não
passamos de
uns afogados
no oceânico ego,
E sem saber
que nele
já falecemos:
Viramos um
real cemitério
de gente viva.
Na Colômbia
virou corriqueiro
ter seus
líderes sociais
assassinados,
e ficar tudo
por isso mesmo.
Mais de um
imigrante haitiano
tem sido
assassinado,
Todo o dia
um venezuelano
se vê obrigado
a ir querendo
nunca ter ido,
e sem razão
nenhuma
sendo ofendido.
O General
que tanto falo,
Você sabe que
ele é inocente
e que já era
para ter
sido posto
em liberdade.
O ideal seria
se os filhos
da alta
hierarquia
não fossem
humilhados
pelos erros
dos pais,
Se a proposta
de fato é
viver em paz;
Não é justo
perseguir
os jovens
por aquilo que
nada fizeram,
É preciso
reeducar
o coração se
a intenção é
reerguer a Nação.
Se é verdade
ou mentira,
da poesia
sou o tempo ruim,
embarcação virada
e migrante
desaparecida
por vinte
e nove vezes.
E assim sou
a poética
que circula
livremente
por Fuerte Tiuna
conversando
sobre a tropa
e o povo
até obter
a liberdade
do General
injustamente
capturado,
sou o verbo
de amor saído
da sua boca.
Não sou gato
para ter
sete vidas,
mas sou
gente
para ter
vinte
e nove,
e não
me bastar
até cada
uma delas
serem
encontradas.
Soneto do amigo
Um velho que me diz verdades duras
em horas que não desejo ouvir
como um pai ou uma mãe a me pedir
cautela, para olhar além das amarguras
Às vezes tão distante e tão presente
contar com uma amigo é ter certeza
da voz que exala brandura e madureza
a infundir coragem, a nos tornar contente.
Alguém fiel, mas imperfeito como nós
humano e errante, mas leal e constante
um amigo antigo desata os nossos nós
Feliz é quem encontrou um grande amor
se a sorte não nos valeu neste sentido
pelo menos nos conceda um amigo de valor
Evan do Carmo 02/04/2018
Para todos os meus amigos, declarados e anônimos
Meu pai
Cresci admirando um homem
Que saía de manhã e voltava à noite
Ao sair, beijava minha mãe e eu
Ao regressar, beijava a mim e a aminha mãe.
Cresci observando um homem
Que tinha mais virtudes que defeitos
Um trabalhador incansável
Um modelo quase perfeito
Aprendi com este homem
Uma lição que jamais esqueci.
Este homem ainda está comigo,
Habita dentro de mim.
Cresci.... Agora sou eu quem sai
De manhã e volta à noite
Ao sair, beijo minha mulher
Ao regressar, à noite, beijo meu filho.
Me acostumei com a imagem de um homem
Entrando e saindo da minha casa
Mas que nunca saiu da minha vida.
Evan do Carmo, do livro, o Cadafalso, 2009
Meu pai Herói.
Meu pai se chamava Heleno Francisco do Carmo, não tenho dele muitas lembranças, ele morreu quando eu tinha onze anos, contudo, guardo algumas lembranças, sobretudo da época em que ficou doente. Meu pai era um homem muito forte, um trabalhador exemplar. Era um lavrador, homem que cuida da terra, ele próprio tinha um pequeno pedaço de terra, por onde passava um riacho, terra fértil, onde plantava cana e milho e melancia. É disso que me lembro bem, também plantava bananas.
Não sei dizer se meu pai era um homem triste, se tinha crises existenciais, talvez fosse muito feliz, pois tinha uma bela família e uma linda esposa, honesta e trabalhadeira. Lembro-me da sua relação com minha mãe, eram felizes, combinavam em quase tudo, ambos desejavam que seus filhos estudassem para não serem analfabetos como eles eram. Meu pai era alto e moreno, tinha ombros largos como eu, era um homem bonito, mas não me recordo que alimentasse alguma vaidade nem vícios. Trabalhava incansavelmente para sustentar sua família, grande para os padrões atuais.
De domingo a domingo ele sempre repetia sua rotina; acordar cedo e ir ao trabalho, além de suas próprias lavouras, milho e feijão, ele ainda trabalhava de meia ou para outros produtores rurais. Meu pai era homem temente a Deus, pelo menos é essa a impressão que tenho até hoje, pois sempre ia à missa aos domingos de manhã, com toda família, mas ao voltar pra casa, logo depois do almoço, ia ao trabalho, cuidar de um pequeno e produtivo roçado, que ficava perto de casa, meu pai só retornava à noite com um feixe de cana nos ombros.
Éramos oito filhos, cinco homens e três mulheres, minha mãe ficou grávida de uma menina quando meu pai faleceu. Foram seis meses longos, a duração da doença fatal de meu pai. Meu pai nunca ficava doente, era como touro, todos os homens o invejavam por seu físico e por sua moral. Mas todo herói fatalmente sucumbe no final da epopeia. Meu pai tinha chagas desde adolescência. Fora picado por um barbeiro, na região onde foi criado esse inseto fez muitas vítimas, e a medicina não tinha os meios para prolongar a vida dos seus pacientes. Meu pai só veio manifestar os sintomas da doença aos quarenta anos, foi avassaladora sua enfermidade, em seis meses apenas ele veio a óbito.
Minha mãe foi uma guerreira e fez tudo que pôde e o que não pôde para salvar a vida do seu amado. Lembro-me com muita tristeza, de uma vez que eles voltaram de uma cidade próxima; aonde eles foram, em busca de uma nova forma de tratamento, mas não havia muito que fazer, meu pai estava com o coração muito comprometido, estava rejeitando os remédios, e não havia nenhuma esperança de cura ou de melhora, ele vivia muito cansado, e minha mãe passava longas noites ao seu lado. Nós éramos muito pequenos, mas já compreendíamos que nosso herói estava condenado à morte trágica. Logo se agravou seu quadro, minha mãe teve que o internar no hospital público de nossa cidade, onde foi bem cuidado, mas em poucos dias, ele já demonstrava fraqueza extrema, não se alimentava e as injeções que tomava não causavam mais nenhum efeito paliativo, então meu guerreiro pediu para morrer em casa, pedido que fora atendido pelos médicos dele, minha mãe o levou pra casa, mas meu velho não aguentou a pequena viagem de pouco menos de três quilômetros, faleceu nos braços de minha mãe dentro da ambulância.
Essa é mais uma das inúmeras tentativas que faço, para escrever sobre meu pai. Sei que daria um belo e humano romance, todavia nunca serei capaz de levar a cabo esse projeto, é doloroso demais para mim, pois a dor e o trauma da sua ausência em minha infância ainda são deveras penosos para mim.
MEU PAI
Em teu rosto posso ver o amanhã
tuas rugas são marcas do tempo
que revela a tua senil bravura
tua luta incomum pelo incerto
neste mar de ilusões e de agrura.
Sei das dores que velas escondido
na candura do teu velho coração
de um desejo por ti já reprimido
a incerteza da vida e do pão.
Tuas mãos calejadas de plantar a paz
de espalhar sementes de esperança
no teu fazer diário, como uma prece
que da fé carece homem e criança
Há em ti um enigma divino
que explica facilmente a eternidade
neste elo infalível de amor
onde o PAI cumpre o acerto da vontade
de no filho imprimir a sua alma
na perpétua lição de uma verdade
O que temos de fazer
Quando tudo está perfeito
Levantar as mãos pro alto
E ao pai agradecer.
Senhor, não sei o que dizer
Pois quantas vezes neguei
Tua existência, por medo
Do teu julgamento
Fiquei irritado, procurando
Culpado, sem paz
sem Paciência.
Hoje compreendi, que quando me diz não,
é pro meu próprio bem, pra minha salvação.
Não tenho resposta pra muita
Coisa, coisas simples como o engenho da chuva que rega e faz crescer o trigo que faz o pão.
Por isso resolvi calar diante do espanto
que me causa a natureza.
Devo aguardar em silêncio
A tua decisão, pois só tú
Tens o poder, a justiça, a fonte
De toda sabedoria e beleza.
Evan do Carmo
HELENO
(poema para meu pai)
Não sei se o tempo te levou
ou apenas te escondeu —
num canto do corpo,
num gesto meu.
Tinhas mãos de lavra e mundo,
silêncio denso, olhar profundo,
e uma coragem que não gritava,
mas era chão.
Era chão.
Morreste cedo demais pra mim,
mas deixaste cedo o bastante
pra nunca morrer de todo.
Ficou teu modo de erguer o rosto,
de não baixar os olhos ao medo,
de fazer do pouco
um gesto inteiro.
Tu não sabias de poesia —
mas tinhas verso nos ombros,
rima nos passos,
e um segredo de eternidade
no modo exato de calar.
E eu, que fiquei menino,
fiz da tua ausência
meu templo.
Aprendi a te lembrar
sem fotografia,
a te honrar sem retrato,
a te ouvir
sem som.
Heleno:
nome de força quieta,
de alma que não se despede.
Tu foste antes que eu soubesse
quem eu era —
mas hoje,
tudo em mim te repete
Ser pai é o mais próximo que um homem pode chegar da sensação de amor e justiça que Deus tem por todos nós.
Cada letra e versos da minha responsabilidade individual
contam o calvário de uma tropa,
de paisanos e de um General
que seguem presos de consciência
porque no excesso habita
uma injustiça e caos total.
O General está preso desde o dia
treze de março do ano de dois
mil e dezoito, e a cada dia só vejo
aumentar a sucessão de desgostos,
Ele continua preso porque
a mentira contínua solta e impune
onde a injustiça o acusou
falsamente de instigação
a rebelião e ninguém nos ouve.
Conto não somente o quê
não vem poupando o General,
a tropa e outros paisanos que
em separado porque cada caso
é um caso nas mãos da injustiça,
porém o sofrimento coincidente
é extremo e igual que não vem poupando nem mesmo o velho tupamaro numa cruzada sem igual.
Conto de tantos fatos da região,
do continente e do mundo
que têm nós colocado em abalo,
e até mesmo dos jovens presos
políticos de Cuba a espera
de uma abertura pelo milagre
do talvez da própria liberdade.
Só sei que onde a tropa, os paisanos
e o General seguem injustamente presos o tempo tem sido perdido,
Porque em vez de um infernizar
o outro: todos juntos já deveriam estar .mais do que reunidos
para recuperar o Esequibo.
Todos os poemas da dupla fronteira
venezuelana e brasileira,
somente a mim pertencem,
No Yakontipu-tepui
do Esequibo Venezuelano
os meus versos latino-americanos
com intimidade ali transitam
e nos outros onze tepuis habitam.
O quê é do meu Brasil
é do meu Brasil,
O quê é da Venezuela
é da Venezuela,
O quê é de um
país é de um país,
Nem por acordo
de cooperação
deve se interferir:
Está porvir
a decisão
do Tribunal Internacional.
O quê eu li transformo
em poema cantando
em ritmo da terceira
estrofe ao som de Lulú Basanta,
porque a Guiana é plana.
Conflitos internos
não podem alterar a História
e nem servir de argumento,
Mesmo que digam que
ativistas sociais continuem
sendo presos porque
separar os fatos é preciso.
Falando de tudo isso
os meus poemas da dupla
fronteira venezuelana e brasileira,
somente a mim pertencem
tal qual os lamentos sobre
o General, paisanos, a tropa
e o velho tupamaro em greve
de fome injustamente presos.
No Wei-Assipu-tepui
e no Monte Roraima
estão nossa dupla-fronteira
venezuelana e brasileira
e os meus versos latino-americanos
com intimidade ali transitam
e nos outros dez tepuis habitam.
Ser pai é também carregar o sentimento do mundo atravessando céus, estradas, montanhas, desertos e oceanos muitas das vezes solitários.
Hoje é o dia lembrar e orar pelos pais que partiram, abraçar os pais que aqui estão e agradecer a todos aqueles que têm sentimento de paternidade pela Humanidade que seguem orientando, cobrindo de bondade o cotidiano e protegendo os mais frágeis como se fossem
os seus próprios filhos.
Muitos pais pelo mundo afora estão em guerras, presos em campos de concentração e presos em cárceres políticos, lutando e resistindo para que todos tenham um futuro melhor e mais pacífico.
Feliz Dia dos Pais!
Com o Pai-do-Mato
caminho lado a lado,
da Criação Divina
ele cuida como se
fosse a própria filha,
E por ele também
me sinto protegida.
Com o Pai-do-Mato
caminho por onde
nunca ninguém
antes tinha imaginado,
Ele me livra inclusive
do teu mau olhado.
(O Pai-do-Mato é lançador,
dos arbustos é sacudidor
e da consciência alheia
que acha bonito andar
no meio da Natureza
insistindo fazer malvadeza).
Estudantes
Neste mundo onde
os homens infelizes
e maduros sacrificam
o futuro dos países,
Valorizo os estudantes
que com os seus
movimentos nos dão
coragem para um dia
quem sabe ser livres
e ter o direito de viver
plenamente em paz e felizes.
Meu pai morreu jovem,
não tive tempo
para conhecer o herói,
eu só tenho isso
para a memória
que foi compartilhado
pelos demais
e o apego à tradição campeira
do Rio Grande do Sul
no meu coração poético.
Como filha de gaúcho,
aprendi com meu pai
quando ele era jovem
a ser filha do tempo
e dos Pampas,
Fazer um churrasco,
preparar um Chimarrão,
domar um cavalo
e honrar a tradição
do Rio Grande do Sul
com todo o meu coração.
Murapiranga magnífica
com as suas flores
aqui em Rodeio em pleno
Médio Vale do Itajaí,
És paixão absoluta
desde a primeira que te vi.
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