Beleza
"Este texto poético não é sobre a beleza do voo, massobre a violência da queda. "Do Céu à Terra" é o rastro deixado por tudo aquilo que ardeualto demais antes de colidir com a miséria do mundo.
Do Céu à Terra
O mundo não está pronto para o amor,
nem para o fogo das paixões.
Recusa a intensidade do existir humano,
com seus desejos fluidos e sólidos
que, aquecidos como meteoros,
rasgam o céu dos corpos de carne.
É o mesmo mundo que sufoca em teorias,
perdido no buraco negro de uma dialética
pobre e nas mentiras manipuladoras
que o homem inventa.
Despreparado para amar,
mas desesperado pelo amor (o mundo),
segue na busca de um céu na terra
e de uma terra no céu."
Jorge B Silva
*Pro Zé Beleza*
Sou filho do Zé Beleza, pode ter certeza,
Aqui não mora tristeza.
Ele passou deixando riso na calçada,
E proeza em cada fala contada.
Era mestre de causo e de solução,
Transformava aperto em gargalhada e união.
O que ele deixou não foi só saudade,
Foi luz, foi jeito, foi humanidade.
Se o mundo perguntar quem foi esse homem,
Diz que foi aquele que fazia tristeza ir embora.
E que o filho dele seguiu o costume:
Espalhar alegria por onde for.
(Saul Beleza)
*O Cordel do Zé Beleza*
Numa terra boa de gente valente,
Nasceu Zé Beleza, figura da gente.
Homem de riso fácil e mão de ajudar,
Que onde pisava fazia o sol brilhar.
Dizia o povo: "Chegou o Zé Beleza!"
E a tristeza pegava a mala e ia nessa.
Porque o homem tinha um dom de verdade:
Transformar aperto em felicidade.
Contava causo, dava conselho,
Ajeitava a vida com jeito de velho.
Deixou pro mundo um monte de proeza:
Amizade, respeito e muita leveza.
Partiu o Zé, mas não levou tudo não,
Deixou semente boa no coração.
E o filho veio pra continuar
Esse ofício bonito de alegrar.
Se alguém perguntar quem foi esse senhor,
Responde alto, com orgulho e amor:
"Foi o Zé Beleza, pai da alegria,
Que ensinou que tristeza aqui não cabia!"
(Saul Beleza)
*"SAUDADE"*
(Saul Beleza)
Gente, hoje me bateu uma saudade...
Mas não é aquela saudadezinha romântica de filme, sabe?
Não. Me bateu uma saudade VIOLENTA.
Aquela que chega igual boleto vencido.
Sem avisar. 22h numa terça-feira.
Você tá de boa, comendo arroz, e do nada: PÁ!
Porque a pessoa esteve na sua vida por MUITOS e MUITOS anos.
Quando é pouco tempo, ok. Você esquece.
"Ah, foi só um verão".
Mas quando é muito tempo... meu irmão, o corpo vira HD externo.
Eu vou no mercado e meu cérebro:
"Compra aquele iogurte que ela gostava".
Mano, ela nem mora mais aqui!
Eu tô comprando iogurte pra fantasma.
E o pior é a playlist.
Toca uma música e na hora meu corpo já sabe a coreografia da saudade.
O peito faz "tum".
O olho faz "brilha".
E a dignidade faz "some".
Aí você tenta explicar pra alguém:
"Ah é que eu sinto falta..."
Falta do quê, Saul?
Falta de tudo! Falta do café que ela fazia ruim.
Falta da briga por causa de toalha molhada na cama.
Falta até do silêncio que era confortável.
Porque quando a pessoa fica MUITOS anos,
ela vira móvel da sua casa.
Você não repara até mudar de casa e perceber:
"Caramba, aqui tá vazio. Cadê o sofá?"
E o Google ainda ajuda, né?
Você digita só a primeira letra do nome e ele já completa.
Obrigado Google. Queria esquecer, mas você tá aí lembrando.
Saudade violenta é isso.
Não é que você quer voltar.
É que você queria que ela tivesse visto você hoje.
Só pra contar uma besteira.
Só pra dizer: "olha que idiota que eu sou".
E no fim... a gente ri.
Porque chorar todo dia dá espinha.
E porque se foi tanto tempo,
foi porque em algum momento valeu MUITO a pena.
Obrigado, gente. Boa noite. E se bater saudade aí, bebe água. Ajuda em nada, mas hidrata.
*O VAI-E-VOLTA"
*(Saul Beleza)*
Gente, vocês já ficaram com alguém que é igual ônibus?
Ela vai... ela volta... ela vai... ela volta...
E você lá no ponto. De guarda-chuva. Na chuva. Há 3 anos.
Aí um dia você se pergunta:
"Quem é o problema aqui? Ela que volta... ou eu que deixo?"
Mano, é os dois.
Ela é o problema que volta.
E eu sou o problema que abre a porta.
Ela vai e volta igual controle de TV com pilha fraca.
Some 2 semanas, do nada: "Oi sumido"
Mano, sumido nada. Eu tava aqui. Você que tava na Disney.
E eu aceito.
Por quê? Porque saudade é igual cachaça ruim.
Você sabe que vai dar dor de cabeça amanhã,
mas na hora você bebe e grita: "VEM MAIS UMA!"
Aí ela volta, a gente finge que é recomeço.
É recomeço nada. É Ctrl+C, Ctrl+V.
Mesma briga, mesma maquiagem, mesma promessa de "agora vai".
Sabe qual é a diferença entre vai-e-volta e relacionamento?
No relacionamento tem futuro.
No vai-e-volta só tem retorno.
E o pior é que a gente vira especialista.
"Ah, ela vai voltar na terça"
"Não, volta depois do feriado, que ela sempre volta depois do feriado"
Irmão, você virou meteorologista de ex.
Se ela se vai e logo volta...
O problema tá nela que não sabe ficar.
E tá em mim que não sei soltar.
E tá nos dois que transformaram amor em elástico.
E elástico, gente... uma hora estoura.
E quando estoura, bate na cara.
E dói. Mas pelo menos para de esticar.
Obrigado, gente! Se seu ex te mandou "oi" hoje,
responde com "tô ocupado".
Ocupado nada, estou aqui, oi sumido!
MUSA
SER DE NOTÁVEL BELEZA.
QUE O POETA IMAGINA
NO MOMENTO DA INSPIRAÇÃO.
E HAVENDO SIMILITUDE
COM A MULHER QUE ELE AMA
A POESIA SE FAZ TERNURA.
E UM CAMINHO DE FLORES NA CAMA.
Beleza é conceito,
ter ou não ter 'defeito'
é convenção,
Ter ou não ter 'juízo'
é relativo,
O quê te falta ou sobra
pode ser ou não
motivo de admiração.
O importante é você
não se perder de você,
Deixar que falem
sem deixar de viver
e não cultivar
o vício da sofreguidão
e o hábito do conflito.
Na verdade o quê
realmente importa
e preenche uma vida
toda é a bondade
e a amorosidade
existentes no coração.
Ele era uma figura misteriosa,
um mulato de beleza única,
com um corpo musculoso,
olhos verdes andando,
fala aveludada e respeitoso.
Com o seu cavalo bem cuidado,
ele um autêntico peão brasileiro,
o nome dele era Dario,
que mantinha o orgulho elevado
do ofício desempenhado,
e rezava com fervor inigualável
o Santo Rosário em dedicação
à Nossa Senhora de Aparecida.
Eu ainda bem menina dava
um trabalho danado
junto com as crianças da vizinhança,
a nossa infância era além
muito do pé no barro,
mas os cabelos também por nossa
própria obra era alcançado.
E assim pela estrada a gente fugia,
ele sempre muito paciente
depois de tudo o quê fazia,
e se fosse preciso párava tudo,
para acompanhar as Mães
em busca intrépida de cada
um por toda a estrada vazia.
Não tem como eu me
esquecer destas inúmeras
vezes quando na porta
de casa ele um por um trazia,
ou quando ele passava
sem montado com o seu Baio
e me via pela estrada,
e prontamente dizia:
- Já para casa, menina!
...
Nota da Poetisa sobre a palavra "mulato":
"O termo 'mulato' utilizado para descrever Dario neste poema é uma escolha deliberada e histórica, fiel à linguagem da época e da região das minhas memórias de infância. Naquele contexto, a palavra era o descritivo de sua ascendência mista e da sua beleza singular. Longe de qualquer intenção de depreciação, a figura de Dario é celebrada aqui em toda a sua dignidade e força. O uso é uma homenagem à sua pessoa, e não uma adesão ao peso pejorativo e racista que o termo carrega historicamente."
O ritmo da busca segue a dança
do Hemisfério Celestial Sul,
a beleza do movimento involuntário
ocupação vibrante, que sustenta,
dança por dentro e põe a exalar
as estrelas em plena liberdade,
o que que quer que aconteça,
para que a nossa dança não acabe;
por ela estremecer e preceder -
o que faz o estertor acontecer.
O léxico de fogo ancestral
das tradições poéticas da porção
austral trago na pele de marfim
entre o abissal e o insondável -
o desejo que não tem fim,
e da tua parte leio o sim;
mais claro embora discretado
diante da minha existência
que te faz desconcertado.
O estado da arte em curiosidade
continua proporcionalmente
intenso e sem nenhuma perda,
porque pela tua existência, arde;
e convicto é atemporal poema
com o calor que consome a pele,
com andor da paixão intensa
em adustão que precede o toque
- sem limite cortante do desejo;
justamente onde o prazer
encontra o perigo mesmo sem ver.
Assumido efervescente estado
da alma com a previsão da antecipação
da mútua celebração rítmica do ápice,
para que a paixão não mais se cale,
e o amor com brio e vontade se celebre,
no tempo de colheita das frutas,
do Extremo Sul da América do Sul,
sob todas as auroras e românticas luas.
No Hemisfério Austral,
deixar que as fases
do tempo encantem,
Fazer a colheita
da beleza no Maitén,
Beijar e ser beijada
por tudo o que mantém
o coração batendo,
os olhos brilhantes
e a alma em elevação
para sereno e o sublime,
Para do amor não haver
nenhuma distração -
e nos reunir em gamação.
Adormeci sem querer
num lugar de extrema beleza,
onde as terras foram dote
do casório real da nossa Princesa.
Não é sonho nem mentira,
é fato puro e histórico:
procure conhecer Orleans,
quem sabe um dia venha ver de perto.
Eu te ensinarei com prazer
o caminho certo e mais bonito.
O sonho parecia tão real
que eu quase acreditei,
mas no final era só ilusão...
Que grande infelicidade
para este meu pobre coração!
Eu vi o Zé Diabo e o Padre
animados, confabulando,
tentei chegar mais perto
pra escutar o que falavam.
Eles olharam para mim
de um jeito que me estranhavam.
Dei uns passos adiante,
olhei para trás bem devagar,
e vi que as Esculturas do Paredão
estavam todas prontas, lindas de admirar!
Foi um susto bom, incrível demais,
depois de tantos anos de espera...
Quando olhei de novo, espantada,
acordei do mais intrigante dos sonhos desta Era.
Diante do teu olhar entreguei
beleza, mistério e poder
como a marianeira ao frutificar
generosa concede ao sabiá,
estamos dispostos a esbanjar,
e sei que a gente se envolverá.
O nosso silêncio há de vir
com a progressão voluptuosa
dos fatos e do encontro
para a gente envolver
a mente, o coração e a alma,
e com a mudez derreter.
De longe ando percebendo
quando fala ou pensa em mim,
até a sua respiração muda.
Isso não é sedução por acaso —
é o retorno à ordem universal:
o masculino e o feminino
em encontro se rendendo total.
Olhe para mim. O que passou, passou.
Não me interessa nenhum pouco
o que não pude fazer antes de te conhecer;
a sua peregrinação já me previa antes de ser.
O que importa é que, depois de mim,
toda carícia conhecida será esquecida,
e só irá obter o desejável êxtase
com a minha atemporal delícia.
Longe de mim querer igualdade,
o que desejo entre nós é intimidade.
Você foi feito para ser meu
com magnitude e intensidade,
nos teus toques que nos dissolverão
nos andares da alta sedução,
como âmbar e mel em fusão.
Ser além da curva com reverência,
acariciado com a minha presença
e adorado na alma por eu que
sei como solenemente cortejar,
e não irei jamais precisar implorar.
Sempre que for necessário,
virei ou receberei sem pedir
por tudo aquilo que é meu
por natureza: a sua entrega total
para alcançarmos juntos o sideral.
A tua plenitude existencial
provoca, infrene, a cobiça;
Ver toda a tua beleza física
plena, a minha fantasia atiça.
A reverência e a exaltação
tão queridas serão prestadas
quando nas nossas mãos forem entregues
as rédeas da inequívoca cumplicidade
com intensidade e verdade.
Não é porque é Lua de Morango
que ilumina o Alecrim-do-campo,
Que estou de peito aberto revelando:
é porque sinto que estou me apaixonando.
Permitir que o amor tome
conta de cada escolha,
Trazer a beleza consigo
da Juçara-da-amazônia
recebendo o pouso bonito
do tucanuçu no destino,
E deixar que tudo tenha
igual o curso de um rio.
Sob a aurora matutina
manter o pacto silente
fortalecido com a vida,
com amazona convicção,
Mesmo que tenham
destruído uma ponte
de diálogo no caminho,
nasceste com asas
e a tua pacífica direção.
Não é preciso validação
de ninguém para ser
quem és e quem deseja
ser onde você quiser,
Até para escrever
os versos intimistas:
Para dar-se o luxo
de percorrer novas rotas,
permitir viver todas
as sonhadas escolhas.
Feitas sob medida
para o seu bem-querer
como as pestanas
são os parabrisas do ver,
Do jeito que o sol
está para o amanhecer,
De um jeito novo
todos os dias renasça
quantas vezes for
preciso para manter
o seu melhor para viver.
Semente de ceibo
para unir com beleza e flor,
sentimento de pertencimento,
toda a gente com muito fervor
ao mar e ao continente inteiro.
Para o florescimento
glorioso da Argentina
de janeiro a janeiro
con amor e encantamento.
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