Aviso
O aviso final foi transmitido pelo sussurro do letreiro, piscando as palavras que estavam se formando na noite.
Quando a saudade alcança, não nos dá esperança, só dá pancada, vem sem aviso, acerta o peito, desorganiza o fôlego e nos lembra, com brutal delicadeza, que houve amor onde hoje só mora o vazio.
Há memórias que são feridas abertas, sangram sem aviso, ignoram o tempo e nos lembram que o passado nunca dorme.
A tristeza vem como uma estação implacável, sem aviso, sem pausa e nos deixa com as mãos frias, tocando lembranças que nunca se foram.
Vocês já notaram que, no inverno, a grama é modestamente verde?
Deve ser um aviso aos poetas:
Um olhar minucioso basta.
Na força do chão que treme,
a vida mostra o que é real:
tudo pode acabar sem aviso,
e o que era vaidade, perde o valor.
Descobrimos o quanto são fúteis
tantas brigas e discussões...
e que o único que importa
é o amor que deixamos no outro.
Acordemos, enquanto é tempo.
O que fica, é o que vem do coração.
Força, Venezuela! Vocês não estão sozinhos. ❤️
O amor que passou rápido deixou um aviso prévio: você sobreviveu ao fim e agora tem a chance de começar muito melhor.
A dona dos meus dias
A dona dos meus dias chega sem aviso, faz do tempo um lugar
mais lento e bonito.
Quando sorri,
o mundo aprende a respirar,
e tudo em mim encontra
um motivo pra ficar.
Ela mora nos detalhes
que ninguém vê:
no silêncio que conforta,
no jeito de entender.
É porto seguro em meio à confusão,
é calma vestida de amor,
batendo no meu coração.
Se um dia eu me perder nas curvas da vida, que seja nos braços dela, minha direção escolhida.
Porque amar assim
não é acaso ou poesia:
é destino escrito
— ela, a dona dos meus dias.
Lembrei de ti
Lembrei de ti sem aviso,
como quem abre uma ferida antiga
e encontra nela ainda quente
o nome que nunca foi meu.
Te amei em silêncio, amor não devolvido,
fiz do olhar um abrigo e do sonho um lar.
Enquanto teu coração seguia outro rumo,
o meu ficava, esperando qualquer sinal.
Guardei teus gestos como quem guarda cartas
que nunca serão enviadas.
Sorri por fora, sangrei por dentro,
aprendi a te amar sem existir em ti.
Hoje lembro de ti sem pedir nada,
apenas com a saudade mansa de quem aceitou.
Amor não correspondido também é amor —
só dói mais, porque fica.
Progressão Impossível
Você chegou sem aviso,
feito acorde suspenso que não pede licença,
e desde então minha alma vive esperando a resolução do teu som.
Teus olhos...
carregam a calma do modo Jônio nas manhãs claras,
mas às vezes escondem uma saudade em tom Eólio
que me faz querer ficar e escutar teu silêncio.
Teu sorriso tem intervalo perfeito.
Não é terça, quinta ou sétima.
É daqueles que a teoria não explica,
porque desafina qualquer razão em mim.
Teus cachos dançam no vento
como arpejos correndo pelo braço da guitarra,
subindo casa por casa,
até meus pensamentos fazerem um bend no coração
e esticarem sentimentos além do tom.
E eu estudo teus detalhes
como quem passa noites decorando modos gregos:
Dórico nas tuas fases fortes,
Lídio quando teu olhar parece iluminar tudo,
Frígio quando teu mistério me desmonta.
Talvez você não saiba,
mas meu peito virou instrumento depois que te conheceu.
Porque toda vez que você chega perto,
meu coração esquece a técnica...
erra a escala, perde o tempo,
e toca só de ouvido.
Porque existem músicas que a gente aprende.
Mas existem pessoas
que a gente sente.
E você…
você parece aquela progressão impossível
que, por algum milagre,
encaixa perfeitamente dentro de mim.
Tão Cedo
Helaine Machado
Tão cedo a vida me tocou
com mãos frias,
sem cuidado, sem aviso…
como quem não se importa
se a alma ainda é pequena demais
pra suportar o peso do mundo.
Tão cedo eu chorei
lágrimas que nem sabiam cair,
presas na garganta,
engasgadas no silêncio
de quem ainda nem aprendeu a pedir ajuda.
Ainda era flor…
e já me arrancaram pétalas,
uma a uma,
sem pressa de curar,
sem medo de ferir.
Tão cedo eu senti
o abandono dentro de abraços vazios,
palavras que doíam mais
do que qualquer silêncio,
olhares que atravessavam
como se eu não estivesse ali.
Cresci antes de existir por inteiro,
aprendi a me calar
quando tudo em mim gritava,
a sorrir
quando por dentro eu desmoronava.
Tão cedo perdi partes de mim
que nunca mais encontrei…
inocência, leveza,
um pedaço de esperança
que ficou pelo caminho.
E há noites…
em que ainda volto lá,
naquele lugar escuro
onde tudo começou a doer.
Onde o tempo não cura,
só ensina a esconder.
Porque foi cedo demais…
cedo demais pra entender,
cedo demais pra sentir,
cedo demais pra sofrer
tudo aquilo que ninguém deveria viver.
E mesmo assim… eu sobrevivi.
Mas nunca mais fui a mesma.
Helaine Machado
“Desculpe… não foi apenas desejo.
Foi algo que me atravessou sem aviso.
Não foi o corpo que falou mais alto,
foi o coração que, em silêncio, se apaixonou
Helaine machado
Acordei como quem tivesse
caminhado por muito tempo,
Não foi por falta de aviso,
para evitar este mal que
não deveria nem ter nascido.
Nenhum povo merece passar
nem um segundo por isso:
Ser arrancado do lar e destino
por causa do que é vil e do perigo.
Sempre que insistirem fazer
que a vida perca o sentido,
assumo ser a que persisto
com o grau de rebelião mais fino.
Os teus pés como os meus não
nasceram para ser refugiados;.
Nós nascemos com raízes,
passaram conosco dos limites.
Sou mais do que pedra e fuzil,
sou todo o povo que está farto,
poema denúncia em disparo
para não calar o quê tem sido fardo:
(Deslocamento interno forçado).
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