Aviao sem Asa Fogueira sem Brasa sou eu assim sem
Enxergamos o que está dentro de nós. Assim pensam os loucos, não diferenciando o interior do exterior. Eu sou um deles.
A arte é fazer uma simulação. É fingir que se sabe o que não podemos saber. Assim, se cria. Compartilhar é o segredo, é dar muito mais do que recebemos, é se doar por sermos senhores de si.
Alguém me disse "cuida da saúde"
E outro alguém disse "assim como a tua sombra vem do teu corpo, as doenças vêm da saúde"
… Me remete ao pôr do sol, intenso internamente, ao ponto de poucos se aproximarem. Ainda assim, demonstra beleza, paz e segurança.
Lembre-se de que, assim como o sol, você também precisa se pôr. Precisa permitir-se descansar, para que amanhã possa continuar brilhando com toda a sua força.
Não há nada de errado em descansar.
Não existe mais
Mapinguari
morando no mato,
Mesmo assim
é preciso seguir
com cuidado
nesta vida;
O Bicho-Preguiça
continua útil,
se seguir preservado.
Os tempos mudaram
definitivamente...
Só sei que existe
mais de um
Mapinguari
por todos os lados,
E não têm mais idade
e as línguas deles
estão sempre afiadas.
Os tempos são outros...
O Bicho-Preguiça
traz o melhor ensinamento:
O convívio não
pede enfrentamento
com Mapinguari de qualquer tipo.
Os tempos de hoje pedem que
não seja dado mais nenhum espaço.
Quando um Mapinguari surgir
para provocar ou mentir,
é só mudar o seu caminho,
fingir que escuta,
deixar falando sozinho
ou comece a ler um livro.
Só não deixe o Mapinguari
continuar enchendo os seus ouvidos.
Itapiranga
Pedra ou concha vermelha
na língua tupi,
Pedra vermelha fundamental
assim nasceu catarinense,
Berço Nacional da Oktoberfest
e de uma gente linda
estabelecida por sonho
da Sociedade União Popular.
Navegando com o Padre
pelos Rios da Várzea e do Uruguai,
ali foi estabelecida uma cidade,
Sonhos de muitos por liberdade.
Linda Itapiranga poética,
só tenho razões para me declarar,
és a minha canção favorita,
meu bonito rincão do Extremo Oeste
do Estado de Santa Catarina.
Minha Itapiranga profunda,
o quê tu foste, és e será,
sempre com esperança e grata
no Festival da Canção Alemã
sempre será uma razão para cantar
e meu motivo para aqui continuar.
Dois amores em pleno Alarão,
não posso mais ficar assim,
tenho que escolher quem vai realmente ser bom para mim,
e me honrar com amor no coração.
Não importa mesmo
se for Tucumã-do-Pará
ou Tucumã-do-Amazonas,
Só sei que Tucumã,
assim como beijos de amor,
em hipótese nenhuma,
jamais podem faltar,
Para nos teus lábios
com doçura grudar
sem nunca cansar de beijar.
Assim com golpes suaves
praticamente diários,
muitos foram mortos
em terra e em alto-mar,
Viramos sem pensar
um continente de desacordados,
três navios petroleiros roubados,
e o que fizemos foi nos calar.
(Um preço ainda mais caro,
sei que vamos pagar,
se nada por aqui mudar).
Assim como o vento
balança a Palma Real
assim age no pensamento
a sua presença sem igual
Nas tuas mãos tens
o tempo e a urgência
apenas levo a inspiração
até a última consequência
Tem se erguido a cada
dia no destino a poesia
mansa com total sinestesia
Assim anda agindo o destino
combinador para unir
incansáveis passos no caminho.
O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato
O Paradoxo da Engrenagem
Quem…
ou o quê…
decidiu que o universo
tinha que ser assim?
Por que…
o ciclo da fome,
a dança do predador e da presa,
a lágrima da vítima servindo
à glória do algoz?
Isso é perfeição?
Ou é apenas
a falha inevitável
de quem cria mundos físicos?
Será que…
a própria matéria carrega em si
a impossibilidade de ser perfeita?
Será que…
não há como existir vida perfeita
em um mundo que, por definição,
precisa de colisão,
de atrito,
de gravidade,
de começo…
e fim…
para simplesmente existir?
Quem arquitetou essa engrenagem?
Por que escolheu a dualidade
ao invés do Uno absoluto,
pleno, harmônico, sem rasgos?
Foi limite?
Deficiência?
Ou intenção?
Será que…
o Criador deste universo
é também uma criatura
de algo ainda maior?
Que também… não sabe responder?
Se a natureza é perfeita…
Por que o jacaré devora o pato?
Por que o gato caça o rato?
Por que a dor da presa
parece sempre maior
do que o prazer do predador?
Será que a dor…
é o combustível oculto,
um elo invisível,
sem o qual
o próprio tecido da existência
não se sustentaria pulsando?
E então me pergunto…
no silêncio mais profundo
da minha consciência:
❝Seria possível existir um universo
onde a vida fosse perfeita…
sem dor, sem perda, sem fim?❞
Se não…
— então que tipo de Deus seria capaz
de sonhar com o imperfeito…
e chamar isso de Criação?
Se sim…
— então onde está esse outro universo?
Ou será…
que só existe dentro daquilo
que chamamos de Espírito?
E se for assim…
Então por que raios estamos aqui…
experimentando o contrário…?
A Ilusão da Semelhanças
Qualquer semelhança é de fato coincidência.
Assim acontece numa ação,
Duas coisas acontecem em sequência
Até parece ser a mesma coisa, mas não são!
É uma ilusão da semelhança,
A diferença sutil entre coisas parecidas.
Podem até trazer lembranças,
Todavia estão apenas distorcidas.
O que nos parece quase igual
É, na verdade, muito diferente.
Uma semelhança casual
É um engano para a nossa mente.
Coisas iguais estão separadas na essência,
Podem até estar próximas fisicamente
Mas na verdade, só na aparência
O que confunde muito nossa mente.
Raimundo Nonato Ferreira
Maio/2026
