TayrelenedoVale
Às vezes a gente finge que não se importa, só para não sentir a dor de saber que a outra pessoa não se importa com o que a gente sente...
Entre o nascimento e a morte, existe um intervalo que de alguma forma, modifica a vida de alguém. Seja intenso.
Dói...
Quero correr, nadar, pular, subir paredes, ranger os dentes, gritar até rasgar o céu.
O verde se apaga nos meus olhos,
o amarelo se turva como febre antiga, o branco e o azul me chamam... horizonte de silêncio, promessa de fuga.
Minhas mãos tremem de ausência,
os pés pisam em chão que afunda.
Mas sigo.
Mesmo que doa.
Mesmo que arda.
Porque no branco há paz,
e no azul, um respiro.
Às vezes me pego pensando em você, vó.
Como você está hoje?
Como está se sentindo?
O que estaria planejando para o fim de semana?
Você estaria feliz ou triste?
Estaria aproveitando o sol, se o dia estivesse ensolarado?
Ou reclamando da chuva, e depois encontrando nela algum motivo para sorrir?
São perguntas simples que continuam surgindo na minha cabeça, mesmo sabendo que não posso mais te ver e pentear seus cabelos grisalhos.
Às vezes, por um instante, esqueço que o tempo passou e penso em contar alguma coisa para você. Depois lembro que você não está mais aqui.
E então penso em como a vida é curta.
Curta demais para deixar que a saudade seja apenas tristeza.Curta demais para passar os dias olhando para aquilo que não podemos mais mudar.
Talvez seguir em frente não seja deixar você para trás.
Talvez seja levar comigo tudo aquilo que você deixou em mim e continuar vivendo, orando, louvando e sentindo tudo aquilo que posso sentir com a maior intensidade possível.
Aproveitar o sol.
Sentir a chuva.
Fazer planos.
Rir.
Ser feliz.
Porque você partiu, mas a vida que você ajudou a construir em mim continua.
E enquanto eu viver,
uma parte sua também viverá em mim.
Hoje me sinto um pouco perdida.
O chão parece instável, apesar de eu parecer estar bem.. ou nem tanto.
Há pouco, tudo parecia tão claro, cristalino, singular, genuíno...
Agora, algumas certezas se desfizeram no caminho de forma tão repentina e o futuro voltou a parecer uma estrada coberta de neblina.
Talvez eu tenha confundido um passo com um destino.
Então, por enquanto, fico com o presente.
Sem promessas sobre o amanhã,
sem tentar enxergar além daquilo que os meus olhos alcançam.
Porque, às vezes, seguir em frente também é aceitar não saber para onde estamos indo.
E, mais uma vez... é estranho muita coisa mudar e nada mudar mesmo assim.
