Smokier
Fio de ouro
O caminho era em um caminho de tons de cinza,
Pavimentado de tijolos de frieza.
Cada passo com o mesmo peso sombrio,
Perdido entre paredes cheias de vazio.
Um fio de ouro fura o teto de chumbo,
Fazendo o peso perder o seu rumo.
É um olhar atento ou apenas um sinal?
Uma fresta aberta no muro de sal.
O que era estátua agora é batida,
Um pulso de cor que devolve a medida,
Do riso que brota, rasgando o asfalto.
Se antes eu caía, hoje eu salto,
Desse amor que me leva ao ponto mais alto,
Onde o futuro insiste em ser nós dois.
Vida Moída
A mesa transborda, o prazo se esgota,
A mente é um vidro prestes a quebrar.
O dia nem nasce e a alma derrota
O pouco de fôlego que resta ao acordar.
É conta que chega, é o grito contido,
Um nó na garganta que insiste em crescer.
O esforço de agora parece perdido,
Pois quanto mais faço, mais resta a fazer.
O tempo me engole em seu passo voraz,
As mãos já tremendo não sabem parar.
O mundo exige, a vida não traz
O silêncio bendito de apenas descansar.
No peito, o compasso de um ritmo incerto,
O muro se fecha, não há mais saída.
O deserto é grande, o abismo está perto,
No cansaço imenso de uma vida moída.
