Vida Moída A mesa transborda, o prazo... Smokier

Vida Moída


A mesa transborda, o prazo se esgota,
A mente é um vidro prestes a quebrar.
O dia nem nasce e a alma derrota
O pouco de fôlego que resta ao acordar.


É conta que chega, é o grito contido,
Um nó na garganta que insiste em crescer.
O esforço de agora parece perdido,
Pois quanto mais faço, mais resta a fazer.


O tempo me engole em seu passo voraz,
As mãos já tremendo não sabem parar.
O mundo exige, a vida não traz
O silêncio bendito de apenas descansar.


No peito, o compasso de um ritmo incerto,
O muro se fecha, não há mais saída.
O deserto é grande, o abismo está perto,
No cansaço imenso de uma vida moída.