Siomara Reis Teixeira
QUANDO EU NÃO MAIS VOLTAR
Permeia com teu olhar,
Mas não só meia, e observa logo o todo,
Todo esse corpo com languidez...
Reflete nos olhos e em teu pulsar,
A cobiça...Percebendo e se enchendo
Dos desejos mais secretos.
Se envolve e me envolve
Com teu canto,
Sem lembrar do meu cantar
Que, calado estará,
Quando eu já não mais voltar!
CRENÇA
A fiel concordância desta vida
É a herança edificada
Na mente que não generaliza
A crença em Deus Pai enraizada.
Germina sementes de esperanças,
Brotando da terra maltratada.
Cresce por entre resquícios de lembranças
E floresce na convicção enfatizada.
DEIXO VIVER
Muitas taças coloridas
A esperar por tua bebida
Muitas tramas, muitas vidas
Atrações multicoloridas
Impressões ensandecidas
Que transbordam sonhos
Esvaziam esperanças
Evaporam o amor
É fato beber da realidade
De quem apenas "deixa viver"
E vai buscar, outra verdade!
FÉ ETERNA
A espera parece eterna
Mas eterna é minha fé
Assim como a vida é eterna
A morte por aparência
Mera conveniência
Dar tempo a razão
Traçar metas, objetivar a direção
Ganhar forças para a batalha
E no equilíbrio da emoção
Encontrar em paz, a solução!
ORAÇÃO
Senhor,
Banha de Paz minha existência!
Conduz todos os meus passos
E se preciso for,
Carrega-me em teus braços.
Não permita que me esgueire
Em remansos frios, sombrios.
Abençoa Senhor, o meu caminho
P"ra que eu nunca me sinta sozinho!
Entregue
Por favor, esquece-te mansamente no abraço que te aquece
Lentamente... Sem ser breve...
Pois brevidade é ato fugaz para aqueles em que amar, tanto faz.
E então em meio a sons e desejos, o calor e a entrega...
Brilhe!
Reluza lindamente entre o amor e o sonho, a esperança e a vida
Espelhando em cor o sabor dos teus sorrisos e sorrindo,
Beija docemente, dente a dente,
Pele a pele...
Ardentemente!
DEFINIÇÃO
Fossem estrelas e luas e nuvens no céu
Fossem palavras e talvez e quem sabe um dia
Fossem planos, segredos, projetos e medos
Fosse o sol, a chuva, o calor ou o frio
Os dias que passam um após o outro
Do nascer ao pôr-do-sol
E a mágica incessante da existência
Fosse tudo ou fosse nada
Só então existiria, do risco calculado
ao engano presumido
A definição!
GOSTO DE GENTE
Gosto de gente sincera que diz a que veio
e não usa artifícios ou outros tipos de meio
Gosto de gente que olha nos olhos,
que fala pausado - Tipo, um poema não arquitetado...
Gosto de gente de alma leve, profunda e verdadeira
que se faz ouvir com inspiração e bom grado
Gosto de gente honesta que mostra a face
a alma e o coração
Gosto de gente que não dissimula
que não mente e não esconde emoção
Gosto de gente que diz pra onde
a vida, bem vivida, lhe conduz
Gosto de gente que com seu estilo doce, agrádavel
e sincero, se traduz...
INTROSPECÇÃO
Quero poder falar a você,
Meu amigo, minha amiga,
Que a vida vou levando,
Vou vivendo, vou cantando
E de quando em quando,
Ou por tristeza ou alegria,
Sem projetar ou desejar,
Derramo lágrimas sem parar
É a vida do poeta...
Parece sábio, pensador, cordato
Não transparece rebeldia
Somos como as ondas do mar, sempre girando
Muitas vezes, somente calmaria
Mas na grande maioria das vezes
Cheios, impregnados de melancolia
E aí o mar revolto nos projeta ao ostracismo
E ao desconectar, perdemos a sintonia
Estranhos de nós mesmos
É navegar no ceticismo
Nos fechamos para o mundo,
Momentos necessários, fundamentais,
Introspecção pensada,
Para que os futuros poemas, sejam reais
Abraçar a Deus
Parada em meu quarto, penso,
O quão maravilhoso é Deus
A administração implacável da ação
Jamais inibe a reação
Nunca sabemos em quais esquinas,
Tropeçaremos ou soergueremos-nos
Mediante nossos atos,
Pensados ou impensados.
Portanto, olhemos o horizonte,
E como reis que somos em espírito,
No invólucro ínfimo chamado corpo,
Saibamos que a direção é bem adiante,
A conduta é o centro, o equilíbrio da terra.
Mente, corpo e espírito alinhados.
E o objetivo final da existência
Galgando cada degrau na fé incorporado,
Um dia abraçar a Deu Pai,
Em toda sua magnificência.
MAIS UMA DE AMOR
E me transpassa a graça de ser jamais
tanto fez, tanto faz
o importante é estar em paz
o importante é ser, mais e mais
Carregar o ardor nos sentidos
guardar a libido pra sempre, talvez
transmutar em versos e em altivez
sublimando na esfera, os instintos
Seria só isto que aqui ficaria
pra dor, sorriso e euforia
pro amor, carta de alforria
ILUSÃO
Toca e acolhe o que te tolhe à mente
Angústia do meio que entrementes
Abre e fecha portas, pois, não comporta
O início e o fim
Sugere que não seja nada, já é pagina virada
Apenas emoção passageira
A alma é ligeira...
A dádiva, não!
SIM! SOU RUIM DA CABEÇA E DOENTE DO PÉ
Sim, eu confesso
Sem remorsos, falsos pudores
Sem assinar manifestos
Sem em meus gestos e gostos prediletos
Fazer sucesso...
Eu confesso!
- Sou muito ruim da cabeça
E também muito, muito doente do pé!
E não haverá neste mundo nada que me dissuada
Para brincar carnaval
Não vou pra avenida, desligo a TV
E convicta com o sentido da vida
Peço-lhes, não me levem a mal
Pois, nem do afoxé
Aos blocos de axé ou às sombrinhas coloridas
- Que sorriem agitadas, felizes para a vida -
Consigo, pelo inconsciente coletivo
Ou educação de uma imensa nação
Em minha convicção, dar-me por vencida...
Quero paz, amor e sossego
Meus livros na casa perfumada
Mantras em luz ensimesmada
O Divino, o silêncio...
Só isto e mais nada
Sobre os Sonhos
E os sonhos nos atrelam a esperança e nos ancoram a vida.
Sonhe alto.
Sonhe grande sem jamais esquecer de alimentar o espírito com o alimento que é só do espírito.
Não se esqueça de exercitar sua fé e a viver o sagrado no dia-a-dia.
A trabalhar os seu egos em uma dança exaustiva, porém firme e determinada de aniquilação.
Não se esqueça de viver e transpirar e doar o amor Crístico em cada segundo,
pois só o mais profundo, verdadeiro e incondicional amor, salva.
Não se esqueça de ser doce, gentil e amável de coração...Do coração.
E sonhe! Sonhe grande! Sonhe alto!
E só então, fazendo jus ao merecimento,
tudo o que for de acordo com a lei na sagrada e divina infinitude cósmica,
o universo, providenciará.
RANCOR
Quanto tempo pode durar uma magoa?
alguns dias, uma semana, um ano talvez?
mas se durar tanto tempo, esse sentimento
não será magoa, mas sim, rancorosa estupidez
Ele diz não guardar raiva ou ressentimentos
mas seu temperamento denota a insensatez
manda embora, não deseja entendimento
ignora quem dizia amar com embriaguez
O tempo não passou arrematado em espinhos
foram os sonhos que passaram pois não existiram
libidos devassas movimentavam-lhe o moinho
Falava de amor, coração, emoção e mesma estrada
como consegue ter paz, atrás de atos que mentiam?
Atitudes frias e vão-se os dias...Não resta mais nada!
UMA SAUDADE
Hoje a saudade que senti
Dilacerou, rasgou meu coração...
Não imaginava-te ainda aqui
A dominar minha emoção...
A dor, tomou-me por completo
De assalto, imensa, densa
Percebi que este amor é complexo
E a vontade de rever, imensa...
Tento esquecer-te a cada dia
Amor solitário, não compensa
Faz sofrer em simples melodia
Peço a Deus em lágrimas, clemência
"Arranque-o do meu peito, desfaça a sintonia"
Preciso esquecer e enterrar a tua ausência!
FELIZ POETISA
Vens cá, poetisa da emoção
vamos fazer um trocadilho?
Explodir a porta deste exílio
libertando nossas vidas; coração?
Expandes tua luz sem empecilhos
percebes do esplendor a sensação?
São teus valores em fagulhas de paixão
celebrando quem és tu, sem estorvilhos
Enlevas firme e docilmente teu talento
ignoras sabiamente o infausto infeliz
Ah, incauto! Não te condiz merecimento!
Funesto na desonra, profano em mil perfis
Enquanto tu, sacerdotisa das letras, pitonisa
Glorifica a vida, finita, convicta de que és, feliz!
EPÍLOGO
DI-GA!
O que te instiga a viver sempre assim?
Roubando [em mim] idéias precisas?
O que mais desejas enfim?
Que cante a ti, a impotência e o desamor?
N-Ã-O!
Não desejo palavrear poemas forjados
em um desenfrear de ressentimentos guardados
Quero cantar em versos o verdadeiro amor
A melodia da mais sagrada e pura, poesia
D
E
U
S
MEU DE-US!
Recitei o Divino e impronunciável canto
então, cubra-me com teu manto se foi heresia
este intenso sentir que há tanto extasia
levando tudo contigo e todo e qualquer pranto
CON-FE-SSO!
Acesso o infinito nesta prosa incessante
E todo o resto passa a ser insignificante.
Não sei se Lacan mentia quando dizia:
- Que o melhor da festa é esperar por ela...(?)
FAN-TA-SI-AAA!
Conspiração sutil de referencias?
Pois que sejam banidas então
toda a ilusão e todas as interferências
inferências na ação que hipnotizam a razão!
BLEFES
Mas se destes bem mais do que supunhas dar
Destes também a saudade em equivalência
Fez da dor, avalanche gélida p’ra inundar
Os negros buracos da existência
Triste e bela, se imaginava em teu olhar
Tola e sem par, sob o toque da carência
Dominada por um barato conquistar
Girou, indo ao encontro da fluência
Hoje, só, tem mil sonhos p’ra sonhar
Mas, não sonha, rechaça a inconsciência
Ilusões do ego que só vem p’ra maltratar
Novamente, recorre à luz da consciência
Recua mil passos, no cansaço de observar
Que amar é blefe sórdido, aliado à inconsistência
TEU ENCANTO
Por toda parte
Um cintilar
Que arde
Sou chama
Emoção
Brilho intenso
Da tua luz
Ardo
Me desfaço
E aos pedaços,
Encantada
Me refaço
É teu canto...
Magnífico,
Encanto!
DESEJOS D'ALMA
Quero partir da premissa
De que o mundo é muito maior
Que o medo em relação à vida.
Dissociar o pensamento,
Libertando anseios e projetando sonhos.
E que estes não sejam inócuos e ilusórios.
Libertos do cárcere
Que impetramos a nós mesmos
Da não felicidade.
Que sejam a mais pura
E perfeita tradução
Dos desejos profundos d’alma.
Inerte a ti, a mim, a nós
Duros nós em desalinho ultrajando a consciência
Ultrapassando a paciência
Machucando a inspiração
Dura rota pertinaz
A revel do amor
A revel do sonho
Eis o circo
O abandono
A bifurcação
Move, remói, destrói em profusão
Estou farta de ti,
Estou farta de mim,
Estou farta de nós!
