Rosangela Calza
Da solidão
A solidão era tudo o que eu tinha.
Mantinha um grito sempre aprisionado em minha garganta.
Queria chorar.
Deixar as lágrimas meu rosto lavar... minha alma acalmar.
Uma inundação...
Que tudo de ruim levasse pra bem longe de mim. E que essa dor tivesse fim.
Enfim!
Pensamentos loucos
Falas de amor...
E eu a me perguntar: como falar o que sinto?
Sinto tua falta do amanhecer ao anoitecer.
Procuro-te pelas ruas da cidade.
Não te encontro.
Pergunto-me: onde estarás?
Estás em mim a pensar?
Lembras de nossos beijos?
De nossa troca de carinho.
Das milhares de vezes que dissemos te amo?
É amor?
Ou apenas um indicativo de amor.
Somos apenas uma falta que completa a falta do outro?
Eu sei...
Tenho pensamentos loucos...
Apagados
Quero calar a saudade.
Saudade dos tempos passados...
Saudades da ausência de meus amados.
Sou a última a resistir.
Sou a última a daqui sair.
Estou em pé.
O tempo parece não querer me derrubar...
Quer me fazer durar e durar.
Então, fico aqui querendo calar a saudade... apagar memórias... enturvecer minha história.
E assim estou.
Vou de momento em momento...
Até estar apagada como poeira varrida ao vento.
Resisto. Mas não sou eu que insisto.
Meu caminho
Queria um caminho aconchegante.
Quente... como uma tarde de verão.
Claro... como um meio-dia de sol a pino.
Queria um caminho que me abraçasse.
Um caminho em movimento...
Andando junto nas andanças do vento.
Sem medo do que está depois da curva.
Sem receio de descer ao mais profundo abismo.
Navegar no mar sem fim...
Segura de mim.
Queria andar nesse caminho sem cerimônia.
Queria procurar detalhes que ninguém vê.
Queria enraizar amor
Por todo o caminho por onde eu for.
Podes mudar
Podes optar.
Andar pela direita...
Ou pela esquerda enveredar.
Podes mudar de opinião.
Agir com a razão...
No momento seguinte dar preferência ao coração.
Arrisque-se.
Prudentemente.
Diariamente.
Desabafe... contigo mesmo.
Ande a esmo... se preciso for.
Pode haver dor... mas nunca serás o mesmo.
Não vá perder a hora
Já é hora,
de tomar a decisão...
não demora
já é hora
de fazer
o que decidiu há muitas horas o seu coração.
Ontem o seu hoje era futuro,
um nada, um escuro.
Agora seu hoje é um presente,
que logo, logo vai ficar ausente.
Já é hora, vai perder a ocasião?
Vai esperar seu coração
pular fora do peito
e fazer por conta própria
o que você mesmo deveria ter feito?
Já é hora
não me deixe ir embora,
parir um futuro sem você
seguir um caminho que ninguém segue sozinho..
Já é hora de nosso futuro fazer nascer...
é hora de partilharmos todo amanhecer...
é hora de deixar de fazer de conta
que uma vida está vivendo...
é hora de começar a viver nossa vida pra valer.
... é hora... não a deixe ir embora (também)
meu bem ❤😘❤
Ah! Essa faça falsa calma.
Tens um turbilhão em teus pensamentos.
Empurras-me cada vez mais para um buraco sem fim. Pobre de mim.
Que faço?
Mudo minha rota?
desisto desta calma desesperada que estás tentando me impor?
ou me encaixo nela...
Estou com minha alma cósmica perdida.
Da vida não consigo mais encontrar a saída.
Encolho-me toda.
Dedico-me às escritas amenas?
Apenas a duras penas...
Sinto vontade de chorar até não sobrarem lágrimas.
Por que me mostrastes um mundo que não poderia me aquecer...
Um mundo cheio de tristezas que eu só queria esquecer.
Tenho defeitos demais.
Ah! Eu só queria voltar atrás.
Fixar-me naquele mundo opaco,
habitado por seres itinerantes.
Por que não volta tudo a ser como antes?
Choro. (eu sei que de nada adianta, mas choro...)
Degredo
Que se passa em minha alma?
Não consegues tu imaginar.
Meus passos não foram tu que pela estrada andaste a pisar.
Hoje é fácil apontar o dedo.
Mostrar ao mundo todo o que em mim é puro segredo.
Minh´alma chora.
Em nada mais encontra paz... em nada mais tem alegria.
Sou escravo de mim mesmo.
Mandado para degredo.
Aqui estou eu preso em grilhões.
Ninguém é culpado se o mundo
Me tirou a esperança
Se as pérolas espalhadas por aí já não me traduzem mais emoções.
Nada há que me aqueça
Gotas de chuva vêm me molhar.
É o céu a chorar.
Pequeninas lágrimas a escorrer.
Um mundo inteiro quer ver florescer.
O céu.
Azul.
Imenso.
A me cobrir.
Um amor intenso me faz sentir.
Eu e meus pensamentos, apenas.
Na solidão das horas...
No silêncio da solidão.
O sol não aparece.
Nada há que me aquece.
O céu.
A chuva... gotinhas pelo meu corpo a escorrer.
Minha garganta queima e quer gritar.
O vento começa a uivar.
Sinto-me pouco a pouco nos meus pensamentos a me afogar.
Ah! O poeta...
Há pedras no caminho.
O poeta olha pra elas com carinho.
Há nas rosas espinhos.
O poeta as ignora... se as machucam, ele não chora.
O poeta bebe o néctar da brisa.
Sente a melodia das ondas do mar.
Respira no meio da multidão o mais puro e limpo ar.
Ele tem a veia sensível, afetuosa.
Lapida o nada.
No gris da vida ele vê um mar de rosas.
Você se julga livre.... melhor seria se você não conhecesse a liberdade. Ser escravo é ser propriedade de alguém. Isso não faz bem?
O seu dono pode fazer o que bem quiser com você... ah! mas, nem vem, não quero isso não. Sou dono da minha vida, dos meus atos, de absolutamente tudo o que a mim compete. Ninguém compete comigo quando o assunto diz respeito a mim. Eu sou meu. E de mais ninguém... entendeu?
Claro, claro... não quero tirar de você o gostinho de ser dono do próprio nariz... e quem sou eu pra contrariar você? Não sou ninguém... sou apenas escravo de alguém.
Eu lavo os pés... eu carrego o peso... eu corro ao grito de guerra... eu paro ao som do apito... eu danço quando a música começa... eu paro quando ela chega ao fim...
Se eu escolhi isso pra mim? Não sei bem se foi uma escolha própria, ou se alguém escolheu por mim... só sei que conheço a escravidão... e que ela não faz mal ao meu coração... Já fui julgad@ ou alguém foi julgado por mim... então, não precisarei esperar o julgamento no fim...
Você sabe o que Nietzsche falou? “Os homens foram considerados ‘livres’ para poderem ser julgados, ser punidos – ser culpados”.
Culpad@! É isso que eu não ouvirei no fim... sou escravo.. não sou don@ de mim.
Sou uma pessoa de pontos finais. Não me incomodava com isso. E ponto....
Até que li "O vendedor de sonhos", de A. Cury.
No livro, que me deixou meio zonza, o narrador diz ter sido um homem de pontos finais... até alguém lhe mostrar que a vida precisa mesmo...que a vida é feita mesmo de vírgulas. Algo mais ou menos assim... vírgulas...
Vírgulas significam uma pausa... uma breve pausa. Você sabe que existem os ponto e vírgula, né? Uma pausa um pouco maior que a vírgula e menor do que o ponto.
Fiquei me sentindo errada por ser uma pessoa de pontos finais... e comecei a treinar vírgulas. Até me saí bem, sou rápida em me adaptar...
Mas... ontem fiquei a pensar: há coisas na vida que a melhor coisa é quando acontece um ponto final. Ou não?
Pense: uma procura por um emprego... preparatório para concurso... uma doença... um aparelho nos dentes... uma monografia, dissertação ou tese que se tem de defender... uma gravidez de risco... uma amizade que só sabe sugar... um vício... um casamento descasado... um amor desamado... uma paixão sem razão...
Vai dizer que não é bom um ponto final... ah! se é...
Um amor desesperançado... acabado. Põe bom nisso...
Voltei aos meus pontos finais.... afinal tem coisa que só tem que durar enquanto é bom... tem que ser eterno enquanto durar... e tem que acabar pra você conseguir recomeçar...
em outro tempo... em outro lugar... onde é amar + amar = amado e amado enquanto durar.
Punto e basta!
Os estranhos se reconhecem como estranhos...
O que é o estranho? Quem são os seres estranhos neste mundo tão estranho... ah! nem vem... vai me dizer que o mundo é conhecido como a palma de sua mão? Faz-me rir.
Um estranho é um conhecido ainda desconhecido... é isso? Ou um desconhecido futuro conhecido... um ex-desconhecido? Um futuro amigo ou um futuro inimigo? Ou um eternamente desconhecido? Um estranho...
E esses amores estranhos que passaram em sua vida? O que você é pra eles, hoje? Um estranho!?
Um estranho em sua cama.... sim, sim... ou você acha que pra além da nudez do corpo esse estranho ali do seu lado desnuda a alma também?
Faz-me rir.
Quantos segredos?
Quantos não ditos?
Muito estranho isso de não dizer, ou dizer com meias palavras, ou ambiguizar o que se quer dizer.... e mais estranho ainda é você acreditar em tudo o que esse estranho, que dorme na mesma cama com você, (des)conhecido fala pra você.
Você acredita em tudo o que lê? Estranho.... mas tudo bem: os seres humanos são animais muito estranhos.... já disse Huxley.
E você já ouviu de seus pais: não fale com estranhos... e, aposto, você sempre desobedeceu... não é estranho isso?
E Carpinejar já escreveu: "Atendi o pedido de meus pais, de não falar com estranhos e até hoje não me escuto."
Pois, pois... você é um estranho pra você mesmo, ou não?
Não, não... não se preocupe não há nada de estranho se sentir um estranho.... se saber um estranho...
Estranho.... escrevi, escrevi e tenho a impressão de que esqueci alguma coisa...
Ah! já sei... se eu pudesse deixar na sua porta um presente pra você, deixaria minha alma desnudada... completamente desnudada. Mas se eu fizer isso, você vai achar estranho...
... então...
Desesperançada
Hoje é fácil, para ti, apontar o dedo.
Mostrar ao mundo todo o que em mim é puro segredo.
Minh´alma chora.
Em nada mais encontra paz... em nada mais tem alegria.
Sou escravo de mim mesmo.
Mandado para degredo.
Aqui estou eu preso em grilhões.
Ninguém é culpado se o mundo
me tirou a esperança
Se as pérolas espalhadas por aí já não me traduzem mais emoções.
Triste fim
Um dia vou jogar no mar minha vida.
É o mar minha única saída...
Tentei viver uma vida normal...
Mas estou tão imersa em minha dor
Que mato todo sinal de amor...
que de mim se aproxima.
Triste mesmo esta minha sina.
Tenho meus segredos.
Tenho meus planos.
Tento viver meu lado mais humano...
mas meus atos são sempre tão desumanos.
Hoje não está nada bem.
Trovões e solidão povoam meu coração.
Um dia eu mato essa dor.
quem não me conhece, talvez vá chorar...
vai pensar: 'por que será que ninguém fez nada pra ajudar?'
É... ninguém fez...
ou... fez sim...
quem podia ajudar me empurrou ainda mais para esse triste fim.
E fim!
Recomeçou em outra direção
Tirou sua máscara.
Mas tirou-a tão lentamente que ela demorou tanto a perceber o que ele realmente era.
Um coração partido.
Uma vida sem sentido.
Um nada perdido num emaranhados de nadas...
De uma vida tão desesperada.
E ele conseguiu enganá-la.
Ela foi sendo enredeada como uma aranha enredeia sua presa.
Foi sendo sufocada.
Va-ga-ro-sa-men-te...
Tão vagarosamente que nem sentia mais a falta de ar.
Nem sentia mais as dores das amarras.
Nem sentia mais que ele a estava a matar prazerosamente.
Mas...
Nenhum personagem se sustenta por tempo demais.
E, em tempo, ela conseguiu perceber o que estava ele a fazer...
E tomou, então, a decisão.
Sim, cortou-lhe o coração.
Emoções à tona
Tecelão literário...
Entrelaça palavras.
Diz tudo sem dizer nada.
Usa meias-palavras pra tudo dizer.
Esconde-se atrás das brumas.
Revela o irrevelável.
Mostra a crueldade do mundo com palavras amáveis.
Palavras amenas não canta o amor apenas.
Elabora sem medos do submundo os segredos...
Compõe os fios da vida.
Tece esperança.
Emociona.
Vive de trazer emoções à tona.
Desenlace de amor
Tempos turbulentos.
A vida vivida de momento em momento.
Tristeza ao nascer do sol até ele se pôr.
Um dia inteiro passado sem um pingo e cor.
Isolamento total.
Medo mortal.
Bombas que caem.
Pássaros que dos ninhos já não mais saem.
Pessoas que pela linha da vida se equilibram.
Respiram um ar poluído.
Terra que esmorece.
Lentamente adoece.
Sigo.
Trilhas difusas...
Coração partido.
Mente confusa.
Tenha fé
Está presa.
Pés grudados no chão.
Qualquer luta é lutar em vão.
Num beco sem saída...
A vida deixou de ser colorida.
Chuva forte se aproxima.
Uma porta empenada range.
Os retratos nas paredes olham pra ela com um olhar indiferente.
Um dia foram gente.
Hoje não passam de um pedaço de papel a amarelar no tempo.
O tempo passa.
O relógio tiquetaqueia na sala de jantar.
A toalha ainda segura aquela mancha de café...
Parece estar a dizer: tenha fé... tenha fé... tenha fé.
Minha vida
Paredes brancas.
Muros desbotados.
Céu nublado.
Sol apagado.
Há um aconchego pairando no ar.
Está tão fácil respirar...
Ando pelas ruas vazias.
A chuva que passou tudo lavou...
Tudo levou.
Entrelinhas da vida.
Em poucas palavras resumida.
Há risos
Melhor sinfonia da vida.
A tristeza que vigorou ontem foi apagada... esquecida.
Ressignificada hoje a minha vida.
Sem cores
Grossas gotas de chuva batem na janela.
A terra está encharcada.
As raízes apodrecem.
As águas dos rios crescem.
E com força extrema vão carregando tudo o que veem pela frente.
Sem dó.
Mundo dolorido.
Mundo sofrido.
Um mundo quase em agonia...
Chove o dia todo... todo dia.
Ouço falar de tristeza.
Ouço falar que se foi junto com as águas toda a beleza.
Queria ouvir falar de flores...
Mas...
O que mais ouço é falar de dores...
De um mundo sombrio, sem cores.
Sonhar? Tomo tanto cuidado...
E quando amanhece assim tão devagar?
Sol claro... mas sem brilho.
Um murmurinho de saudade
paira por sobre a cidade.
Os telhados acordam um a um.
Cada amanhecer é assim que acontece.
E depois...
Depois anoitece.
Um dia a dia (a)normal.
Sem brilho.
Sem calor.
Sem amor.
Um dia a dia de sonhos controlados.
O medo de sonhar errado.
Te foste
Ah! As cicatrizes...
Os meus olhos de silêncio.
Sempre que me cortavas...
Palavras duras.
Palavras silenciadas.
Lembro-me do quanto odiava os dias assim.
Mas não conseguia me desvencilhar.
Estava amarrada.
Presa.
Colada.
Sangrava a pele.
E um algodão-doce me adoçava.
Hoje já não sinto tua falta.
Nem do algodão-doce.
Te foste, graças a Deus, de mim te foste.
Essa saudade, que dor...
Que dias sem expectativas.
Foi-se seu tempo.
Esvaiu-se no ar como o perfume da flor.
E a vida continua normalmente a bailar.
Como se a morte não tenha acabado de te levar.
Triste.
Sigo.
Ou não...
Sei lá.
Acho que de agora em frente estarei sempre na contramão.
Uma incerteza audaz e intempestiva...
Por que insiste em me manter viva?
Já respirou minha alma a magia...
Já bateu meu coração de alegria.
Já brilharam meus olhos ao te ver...
Hoje me dedico a tentar te esquecer.
Um céu de outono que não se acaba mais.
Um medo do agora... e do que virá depois.
Dor na alma...
O ir e vir tão imperfeito.
Quem escreveu que as vidas deveriam ser desse jeito?
Nunca igual
Nuvens sombrias pairavam sobre as colinas.
Sentia-se no ar o cheiro que antecede os temporais.
Na enseada um pensamento flutua ao acaso.
As ondas batem forte no costão.
Uma sombra insistia em cobrir o tempo.
Lápis-carvão esfumando o fim do dia.
Uma noite que chega com a força de um tufão...
Sinto o peso do abismo.
Meu olhar direciona-se para o ponto-final.
Morre outro dia.
Como todo dia acontece.
Mas nunca igual.
