Márcia
Victor Hugo explorando a Catedral de Notre Dame de Paris encontrou a palavra "fatalidade" gravado a mão numa parede; a forte impressão dessa descoberta desencadeou a escrita do romance "O corcunda de notre Dame"
Memórias do cárcere
Sempre que ela pensava na obra dele ela dizia: ele não devia estar aqui. Nunca deveria ter saído da estante do apartamento do Porto na delicia da juventude que respira e inspira de Asprela. Toda vez que passa por ele e seus olhos param nos cinco volumes na antiga e gasta estante branca diz com seus botões: Oh céus! Ainda esperam, sequer abriu um volume e ainda esta menos da metade de suas memórias do cárcere.
O que ela vê é uma mesa de cozinha antiga com um jogo americano, um copo e um prato e mais a frente uma pia verde água com algumas louças esperando serem lavadas. Quando e por quem? Não sabe, não sente um pingo de vontade. Deseja apenas que o dia esteja menos quente, ou se é para estar assim que o mormaço a leve ate a praia da amorosa e deixe seu corpo flutuar nas águas e nas algas geladas do belo e terno oceano.atlântico onde tudo se eleva numa profunda calma.
Assim como se deu ontem quando estava esperando que a malta começasse o debate neste mundo desprezível, uma lufada de vento frio entrou pela janela e ela se transformou nela mesma e foi levada em espiral até sua rua preferida Miguel Bombarda... Emergiu pela calçada estreita com quase ninguém e seu horizonte parecia ilimitado e minutos mais tarde estaria abrindo as portas da igreja românica de cedofeita. Ainda teria tempo de ver Ana Plácido colando o ouvido à porta do quarto do amante, para lhe ouvir a respiração, e então entrar exclamando:
- Estamos livres! Estamos perdoados!
Sabes que para voar apenas precisas fechar os olhos, ouvir o teu silencio e aos poucos vai aparecendo uma melodia e quando deres conta estás a voar... Voa baixinho para os radares não te detectarem e não te roubarem o vôo...
Fragmentos de um pequeno discurso amoroso
<3
Depois de experimentar uns dois vestidos e dizer:
Que horror! Escolhe um de corte reto em tons alaranjados. Pergunta se gostou de sua escolha. Ele deitado na cama fumava devagar no prazer sutil de soprar nuvens. Tinha no rosto um leve sorriso enquanto dizia a ela que sim que gostou muito e o tom alaranjado combinava com sua pele. Puxou a pelo braço e suas bocas colaram-se num beijo úmido e intenso fazendo-a cair em seu colo...
Ficou alguns segundos olhando em seus olhos, lentamente ia lhe dar um segundo beijo, quando rapidamente ela se desvencilhou dos seus braços e disse:
Agora não, é tarde, tenho que ir...
Pudesse tornar isso uma realidade
Entrou no vagão lotado do metrô, procurou um lugar. Folheou o livro que tinha nas mãos: A lógica do cisne negro. Ficou olhando para ele sem a mínima vontade de abrir. Já sabia, era mais uma história que leva a canto nenhum.
Procurou um motivo para tornar a sua presença real, encontrou em cada um à sua fisionomia. Aquele homem ali sentado. Aquelas mãos ali cruzadas, aquela outra manuseando o celular, aquele casal que não para de se beijar. Isso deveria ser crime...
Vejo-o, vejo-o....
Sinto no corpo toda a caricia dos seus dedos, a sua carne entrando na minha
a sua pele deslizando na minha
e a alegria do silêncio nas horas de esgotamento...
Pudesse eu beijar-te os olhos...
Seus pensamentos são quebrados pela voz no alto falante:
Envie torpedo denúncia para 97509749...
As pessoas somem exceto eu – pensou
Tinha que suportar este dia, um dia a mais e mais um outro
como se fosse prisioneira do tempo....
Tarde no palácio
Perguntaram se ia mais gente ao palácio, além de mim
foi ai que percebi
Somos uns 60, ou menos
mas a única que desce sentido Sé sou eu
O sol é de rachar
todo cristão conhece, seja do sul ou do norte
Procurei a sala conhecida do ano passado
Dei com as portas fechadas
Não estão mais no térreo no primeiro andar
As audiências criminais subiram para o sexto andar
Ontem, quando cheguei
fiquei pensando...
tipo minha mãe mandou eu escolher esta daqui
e fui parar na sala 601
pensei que seria mais uma tarde como tantas cheias de habeas corpus
e o primeiro era um habeas corpus
Um hábil advogado de bela oratória
artigo 316 - Apelação - Comarca de Pirapozinho
artigo 316-CP - Concussão - Vereadores exigiam dinheiro do prefeito
para aprovarem projetos
O rosto imóvel
não tirava os olhos do advogado, exceto para olhar para os desembargadores
É chamado desembargador uma espécie de juiz, membro do Tribunal de Justiça ou do Tribunal Regional, responsável pelo cumprimento da lei nos estados brasileiros. Ele é uma espécie de sábio da justiça, pois é encarregado de julgar a decisão de juízes mais novos quando algum dos julgados não fica satisfeito com a sentença dada em um tribunal.
Se aqueles vereadores não ficaram satisfeitos com o veredito em sua cidade
se ferraram
Pois seus atos chantagistas encontraram
raciocínio rápido, imparcialidade, concentração, total domínio do repertório de leis vigentes no país, sensibilidade, discrição, gosto pela pesquisa e pelo debate, autocontrole, autoconfiança, habilidade para a comunicação, equilíbrio emocional e capacidade de análise e síntese.
Foi logo no inicio do segundo caso
quando um dos desembargadores lia os autos
fui dando conta que era sobre um erro médico
na cidade de Franca
parecia ser de uma senhora
parecia
porque foi ai
que fui acometida por um sono devastador
estava enfeitiçada
justo agora
tanto tempo que tenho para dormir...
Olhava pela janela, desejando o vento
e um pouco de água do chafariz da Sé
Voltava a cabeça em direção a eles
para logo mais cair de lado
e pesadamente dormir enquanto ouvia
sobre a paciente sofrendo
e sua companheira de quarto, testemunhando todo o descaso
As aves indecisas, abriam as asas ameaçando o voo
continuavam indo e vinham
teimando, insistindo, numa tentativa vã de fazerem ninho em minha cabeça
Voavam em redor, no alto da sala, pousavam nos ferros que seguravam o teto
baixavam na cabeça dos desembargadores, inquietas, fazendo rodas, combinando algo.
Quem poderia dizer o quê
O céu estava ficando escuro
quando a última ave se foi a procura de um novo abrigo
Então?
O segundo desembargador dizia da dificuldade de julgar uma pessoa que não era um traficando, um ladrão, um assassino... Era um médico
fez um resumo de todo sofrimento da jovem
uma garota de 19 anos...
Olhei para uma senhora sentada ao lado de uma outra
e vi que ela chorava e concordava com tudo o que os juízes diziam
chorava tanto que pensei: é a mãe
Por último o juiz, o que esta sentado na frente de todos
deu seu parecer
e disse
que eram sim, agiram como se fossem, bandidos, assassinos, traficantes
eram inimigos da doente, indefesa, sangrando em uma cama de hospital
A tarde estava ficando tão triste
foram condenados
e senti a alma daquela mãe aliviada
Talvez agora pudesse descansar
e dormir
tão pesadamente como eu dormi naquela tarde
Talvez fosse possível subir
subir ao céu
juntamente com o vapor diáfano
subir além do solo aquecido
e no céu de um azul intenso
dormir de mãos dadas com Priscila
Voltei ...
eu
nunca fui
não totalmente
em vagos momentos apareci
para logo sair
Estava tudo igual
nada mudou
tudo ainda mais louco
tudo mais triste
cruel,
mortal
intranquilo,
é nessa atmosfera que vivemos
onde as horas passam rapidamente
com pensamentos vorazes,
onde os relógios marcam a
infelicidade
com profunda
e significativa solenidade
Coisas
Coisas que me fizeram parar e pensar...
As minhas fotos de crianças...
Onde estão as minhas fotos de criança?
Perderam-se no diluvio?
Quando o Tamanduateí transbordou?
Em minhas mudanças
para Florianópolis? Monte Verde?
Ou será que foram
Naqueles entulhos que eu joguei na caçamba?
Onde eu estava quando minha mãe
reunia a turma e dizia: Façam X
Eu não gostava de fazer X
disso eu lembro
Mas, tinha uma ou três em algum quanto
Agora que eu quero ser igual a todos vocês não posso
Outra coisa foi aquele homem as 8:45 da manhã no metrô
Depois de passarem uns 5 abarrotados
e nós ali na plataforma sem sair do lugar
ele me sai com essa:
"Não sei onde o Brasil arrumou dinheiro para financiar a copa"
Eu olhei para ele e respondi:
Disso aqui
Dessa nossa desgraça
E na copa nem se preocupe, ninguém estará aqui
para lembrar disso aqui
Estarão todos em casa
porque será feriado
Todos bêbados
Falando palavrão ou
gritando gol !!!!!!!!!!
Ele não disse mais nada
Nem eu
Fiquei no meu canto, amassada como sardinha em lata
pensando nas fotos de criança
Estava encucada com isso
estava hoje a tarde
dentro do trem
já tinha pensado em tudo
estava além da morte da bezerra
sem mais nada para atormentar minha mente
Foi ai que veio aquelas antigas histórias que sempre me perseguem
São duas...
Acredito que antes do meu último suspiro
será ela a ser lembrada
A primeira aconteceu na porta da estação de trem
duas senhoras
uma mais jovem e a outra já idosa
discutiam
a idosa tentava se afastar e a outra segurava-a pela bolsa
Já tinha assistido Regresso para Boutiful
e assistido no cidade em alerta sobre filhos espancarem seus pais
assim, fui meter meu bedelho onde não fui chamada
- O que esta acontecendo - Perguntei
- Minha mãe esta doente, eu cuido dela, mas ela quer ir embora
- Me deixa, eu quero ir pra minha casa - Implorava a mãe
Fiquei olhando ainda alguns minutos, com vontade de dizer; "Deixa ela ir. Deixa ela viver ou morrer onde quiser"
Mas ai lembrei de toda a trajetória do filme e seu final e pensei se o meu seria igual
me deu uma canseira... Ela sonha em fazer uma visita a sua cidade natal, Bountiful, mas não consegue mais dirigir e nem pode sair sozinha, por conta da super proteção de seu filho e da nora egoísta
O outro caso.
Eu estava lá pelas bandas da Brigadeiro Luiz Antonio, quase em frente ao extra. Quando próximo a mim uma jovem e uma senhora discutiam, pareciam mãe e filha.
Dali a pouco a filha atravessa a rua correndo fugindo da mãe e a mãe corre como uma cabra atrás.
Tive vontade de gritar: "Deixa a menina em paz, sua vaca. Não esta vendo que ela não te aguenta!"
Mas, não disse nada, fiquei só torcendo pela menina, para que ela criasse asas e voasse pra bem longe.
Vira e mexe eu lembro desses casos. Eles ficam bem na minha mente quando ela esta esgotada de tanto pensar. Essa senhora com certeza já morreu vitima de complicações emocionais como diabetes, pressão alta, colesterol, coração, artrose e outros diabos. A menina, ainda não tenho um final, mas sempre tenho a sensação que ela esta perto de mim, no trem no metrô, nas escadas rolantes eu fico sempre olhando pra ela sentindo vontade de passar a mão em seus cabelos, mas tenho medo de ser mal interpretada.
O domingo
Foi como outro qualquer
O que mudou foi a cor
que usei
NEGOCIEI
com um artista de rua
uma foto
Julia Petit
ensinou que tipo de sapato usar
depois aprendi como andar
os braços devem ter o mesmo movimento
e o que eu faço com o guarda chuva
a bolsa
a sacola
e o mundo que eu carrego nas costas?
Onde coloco?
Para que serve o domingo?
Para refletir
Nada de bom na TV
Novamente como ontem
hora de dormir
Novamente como ontem
meu nome é sono
um caminho suave e doce
ao descanso
agora sim
O domínio de si
Aquele pássaro
favorito da primavera, o tordo,
faz seu ninho em vários locais.
Usa ramos ou forquilhas em árvores;
arbustos, trepadeiras, arcos de roseiras,
postes de cercas, muros de pedra, escaninhos de prédios,
pontes, barcos e vagões,
e viveiros de aves feitos por
algum humano bondoso.
A altura destes lugares,
segundo se observa,
varia de alguns metros
a uns vinte e um metros do solo
Esse tordo sou eu
Lai, seu primeiro nome,
é igual ao de qualquer um.
Lai de Lailin nasceu em 1571, e o nome Lailin
é referente à cidade em que viveu.
Por muitos anos acreditou-se que poeta teria nascido nesta cidade,
mas hoje muitos historiadores trabalham com a hipótese
de sua cidade natal ser Laiziquistão.
Foi somente em 1576 que a família se mudou para a vila de Lailin, com a intenção de fugir da peste que assolava Laiziquistão.
Conhecida como uma poeta "tenebrista",
cujo estilo de escrever é banal,
beirando o chulesco, de origem chulo
sem virgulas, pontos,
grassos erros gramaticais
e acusada de plagio e trapaças
ficou famosa,
também, por seu gênio tempestuoso.
Transformou seu quarto em uma biblioteca e pensou que passaria o resto dos seus dias ali a escrever longas histórias sobre nada, até descobrir que já existia muita gente fazendo isso
Se você não tirar fotos de uma Nuvem
de uma árvore
do momento em que parou
para ouvir o silêncio
interrompido somente pelo canto da cigarra
vai passar...
e você nunca mais vai ver aquela imagem que te encantou...
Novamente!
Me chama de amor
... em pé ao luar
Deixe meu coração satisfeito com o seu cheiro
Estou embriagada de luz
fantasia e amor
Posso ver a sua cama desfeita
Posso sentir suas mãos segurando um livro
Posso vê-lo no inicio de um sorriso
Posso ver seus olhos fechando...
dormindo... sonhando
Posso ver seu corpo relaxando
Posso vê-lo me amando
Da dor
A DOR implacável devasta a vida de uma pessoa.
Rouba-lhe a paz,
a alegria e os meios de subsistência
tornando a vida tão infeliz que alguns buscam alívio através do suicídio.
O médico-missionário Albert Schweitzer disse:
“Como tirano da humanidade, a dor é mais terrível do que a própria morte.”
A dor crônica tem sido comparada a um “alarme falso” que simplesmente não desliga.
É esta dor que leva as vítimas a gastar bilhões de dólares por ano na busca de alívio, e ela mutila a vida de milhões.
Contrário à dor aguda, a dor crônica não é um sintoma;
A dor crônica não é um sinal de alerta
A dor crônica não tem finalidade alguma.
Foram apresentados
Ele poeta
Ela pintora
O encontro foi breve
No verão de 1996
Susan vivia numa simpática casa
junto a serra da mantiqueira
um local paradisíaco
Foi por essa altura
que ela começou a receber a visita regular
daquele poeta que conhecera três anos antes
Ficavam abraçados no tapete da sala
bebiam chá
e ficavam a olhar um para o outro
calados ou falavam de coisas da vida
trocavam idéias...
Desses encontros nasceu o amor
O poeta absorvido na sua maneira de falar, de andar,
o jeito de vestir
Ouvi-a em silêncio
lia seus pensamentos
Entre elas havia uma comunhão de almas
O tempo passou
O poeta ficou famoso
As duas almas que em tempos se amaram
separaram-se
Ela foi sucumbindo e ficou no esquecimento
Ficou as lembranças do passado
de momentos eternos
de um entendimento profundo e de uma tristeza e nostalgia
encontrados na poesia
Mais vale guardar o perfume evanescente das nossas vivências mais queridas, que atropelar o destino no vão desejo de as pretender eternas
Então isso é um novo dia nascendo
E todas essas pessoas na rua são encantadoras
e todo esse sol que queima o meu rosto
é o mesmo
que entra em sua janela
alcançando o seu corpo
adormecido
Tudo está tão bonito e simples
Embora não possa dizer o mesmo de mim.
Meus tipos inesquecíveis
Estava pensando nisso sr. facebook...
Aliás vivo pensando neles. Naquela gente do bem que nasceram para deixar um exemplo a ser seguido.
No começo tinha por alvo gente famosa, tipo: Gandhi, Jesus, Maria Curie.... Depois fui conhecendo na minha vida, face a face... louvado sejam eles. Infelizmente dá pra contar nos dedos. Gente como o Professor Miguel Costa Júnior dono de uma sabedoria rara, que serviu a ele para deixar latente sua bondade. Em outros a arrogância. Era uma pedra preciosa. Quando ligava para ele, o que fazia todas as manhãs, perguntava como estava e ele dizia: "maravilhosamente bem" Não entendia como um senhor de 90 anos num sociedade podre dizia isso. Quando ele morreu em 2000, aquela biblioteca alexandrina deixou uma lacuna muito grande em minha vida que nunca mais foi preenchida e hoje quando amanhece sou eu quem diz para mim mesma "Estou maravilhosamente bem"
Uns quinze anos depois conheci Luciana Maria Fracalanza Pimentel pessoa que trata todos por igual, desde o empregado ao Dr. Honoris causa. E quando seu pai atingiu uma idade em que a maioria é abandonado a míngua ela cuidou com muito afeto, muito mesmo e seu Fracalanza ultrapassou os 100 anos rodeado de carinho e bondade.
São meus tipos inesquecíveis. Quando me sinto amargurada lembro do sorriso escancarado do professor Miguel. Ou do telefonema e da presença da filha todos os dias perguntando: "Pai você está bem?".
E assim sigo perguntando em empatia de maneira prática.
