Régis L. Meireles

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*Quem ganha alma é sábio* - porque não há sabedoria maior que ajudar alguém a querer viver

Duas coisas deixamos registradas na memória dos outros: a palavra e o humor -
digo os conselhos e as boas gargalhadas

SOCIEDADE DE TEATRO


Vivemos de personagem e máscara,
ensaio diário pra parecer.
Sorriso de foto,
opinião de legenda,
virtude de story que some em 24h.


E no escuro, quando o palco apaga,
a gente grita.
Grita por socorro.
Grita por herói.


Mas o herói que aparece
também tá de máscara.
Finge fazer justiça,
porque justiça real não viraliza.
Não dá palco.
Só dá calo.


E seguimos assim:
máscara salvando máscara,
personagem aplaudindo personagem,
todo mundo perdido,
ninguém salvo.

Inserida por regismeireles

A humildade é uma fonte de energia que, silenciosamente, absorve a força dos pseudos donos de direitos.

Face da existência


Cada rosto esconde uma história,
suas experiências de vida,
sua realidade, que é a sua verdade.
Rostos que sorriem,
mas que já se molharam em lágrimas;
rostos sisudos,
mas que já foram suaves;
rostos focados,
mas que já foram dispersos.
Rostos marcados por causas,
circunstâncias e pelo tempo.
Rostos experimentados.
Rostos humanos!

Religião e política expõem o caráter humano:
uma pelo poder de influenciar,
a outra pelo risco da corrupção.”

“Se não houver entendimento nas crenças,
que a inteligência nos conduza à boa convivência.”

TELA GRANDE


Toda gente tem sua história,
e toda história merece passar em tela grande.


A luta de cada um é um enredo único,
embora muitas histórias permaneçam ignoradas.
Quem nunca se sentiu invisível por um instante?
Quem nunca desejou que alguém enxergasse
a batalha que travava em silêncio?


Certamente, assim como para respirar
é preciso inspirar e expirar,
para viver também se derramam lágrimas.
Todo mundo sabe o quanto já chorou,
mesmo que nem todos conheçam os motivos.


Todo mundo vive seus momentos
de altos e baixos,
de risos e de choros.
Hoje se ganha,
amanhã se perde.
Mas sempre encanta
quem se levanta e segue.
Aliás, é assim que a vida acontece.


O sentido de tudo,
por mais deslumbrante que seja a tela grande
pela qual se paga para apreciar,
está na mente de quem busca viver
e escrever a própria história no tempo.


Imitar a vida encanta;
viver a própria, porém,
de vez em quando complica.


Nas telas e nas páginas,
é na cabeça que nascem a música e as cores.
É lá que os sonhos ganham voz,
que os medos encontram forma
e que as lembranças permanecem vivas.


Senão,
tudo é cinza,
preto e branco.

O INTERIOR



O céu,
o inferno,
ou o meio-termo,
estão dentro do próprio coração.


Antes de crer na grandeza do universo,
é preciso ponderar o que existe dentro da própria cabeça.


Fazem-se perguntas para as quais ainda não se está pronto para as respostas.
Criam-se expectativas que, muitas vezes, rasgam as próprias entranhas.


A vida boa é no passo do gado:
pastando, remoendo,
na sombra, vendo o sol se pôr.


A eternidade, a doce eternidade,
é assunto da crença de cada um.


Se não crê no inferno,
mas não destrua o céu dos outros.

HUMANIZAR-ME


Humanizar-me não é fácil.


É abrir mão das fantasias,
da cultura que me separa,
da arrogância que me eleva,
da humilhação que me diminui.


É voltar ao berço,
depender do colo dos meus pais,
entregar-me ao embalo,
descansar no acalanto.


É não considerar diferenças,
não fazer comparações,
não contar os dias,
não viver em busca de satisfação.


É chorar para beber,
chorar para comer,
esperar o tempo dos outros,
sem pressa de compreender.


Humanizar-me é viver.


É apenas respirar,
apenas chorar,
apenas comer,
apenas mamar.


É reconhecer que antes de ser alguém,
eu fui somente vida.

Há dias que nunca se esquecem.
Sejam de glórias, de dores, de tristezas ou de intensas alegrias,
as lembranças desses dias sempre provocarão o marejar dos olhos.
Num dia, chora-se.
Noutro, celebra-se.
Viver é experimentar de tudo:
lágrimas e sorrisos, perdas e conquistas, despedidas e reencontros.
Porque a vida não é feita de um único sentimento,
mas da soma de tudo aquilo que nos transforma.

Enquanto não me humanizar, não poderei viver uma espiritualidade verdadeira.