Rayme Soares

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Paz

Vem chegando, vem...
Por todos os espaços, fotos, textos
Sem passos em falso, cercando de luz
Uma presença linda, quero fazer jus
Quero um futuro de cercos assim
Sua presença não silencia
Hipnotiza, encanta, vicia
Está tão longe, mas...
Vem

Rayme Soares
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Flor do meu jardim - Canção

Pelo chão, roupas, versos, dias vãos.
Minhas mãos trêmulas e sós.
No silêncio da sua voz

Era o céu, pitangueiras no quintal
Araçazeiros, nenhum mal
Você flor do meu jardim

As palavras soltas choram mais
Que as verdades mortas de um rapaz
Que cantava flores e jamais
Pensou no risco que é viver

Sobre a mesa nada que desperte um sorriso
Um livro fechado, um nó
Na lembrança, sua tez

Tinha o céu, os arbustos de onde dizia
Que da vida era o que eu sabia
E eu queria você pra mim

A casa vazia grita mais
Que o coração cheio de uma paz
Que por entre as linhas do seu texto
Falou de amor

A verdade me atrai.

Rayme Soares
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META

Tenha em mente uma meta
Pra onde lance a sua seta
Na sinuosa estrada turva
Tenha em mente a linha reta

Pois a vida logo ensina
O futuro é aqui e agora
O seu sonho e sua sina
Realizar, fazendo história

Muito longe de utopia
Creia no que você desperta
Com postura assertiva
Perseverando a gente acerta

Do seu sonho, tome posse
Com seu empenho, vá em frente
Se algo quer calar seu norte
Pro seu intento, acorde, atente.

Rayme Soares
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QUARTO BRANCO
(Rayme Soares)

O frio, o fel, a falsa verdade
Justo aqui neste branco quarto
É quando a mim vem a realidade
E eu que me julgava tão especial

Era meu olhar, minha filha
Creia, nunca me vi de perto
Eu queria ser o gigante que pensava
Mas não me sinto nem isso, nem nada

Os anos que cria ser imenso se foram...
(Queria o seu abraço carente de mim)
(Cadente não, cadente não, só estrela)
Traças no papel do meu livro.

Vivi tanta ilusão, tanta, tanta!
Não posso me abater, eu sei
Meu Deus, quantas vezes mais
Eu vou chorar neste quarto branco?

Rayme Soares
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A Peneira do Tempo

Agudas lembranças: cheiros de ruas, praças, marés, brinquedos.
Lembrança de ter sido herói, filho, menino-pai e pai-menino, é o que fica
Pra ter teu passo, pra andar junto e, sendo feliz, não pousar. Fortalecem-se as asas
O tempo não deixa esmaecer o que houve de significância, cravando nos atos
As nossas graças, a nossa infância e a nossa maturidade
Porque na peneira do tempo nem turvo, nem maldade
Revele-se infinitamente, resplandecentemente, felicidade

Sobre Juliana.

Rayme Soares
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Livro Fechado - Canção

Pelo chão roupas, versos, dias vãos
Cada passo de um caminhar
Que um dia eu não quis olhar

Era o céu: as estrelas nas minhas mãos
Nossa ida para o mar de amor
Minha boca silenciou

As palavras soltas dizem mais
Que as verdades mortas de um rapaz
Que cantava flores e jamais
Pensou no risco que é viver

Sobre a mesa nada que desperte um sorriso
Um livro fechado, um nó
Na lembrança, sua tez

Eu tinha o céu: mas eu nunca soube voar
Achava que da vida eu sabia
E eu só queria amar você

Na casa vazia muito mais
Que o coração cheio de uma paz
Que ficou no meio de um desejo de puro amor

Rayme Soares
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MARIANA
A gente brincou de céu
A nossa viagem, minha filha
Em uma nave de papel

A gente na beira do mar
Castelo de areia e certeza
De que nada iria findar

Agora meu canto no ar
Mas eu nunca perco a esperança
De te ver em algum lugar

Eu quero lembrar seu sorriso
Eu posso ouvir a sua voz
Ecoando no meu paraíso

De uma forma que ninguém ouviu
Se você seguiu seu destino em paz

Há de existir algo bem maior
E esse é o chão, minha luz, meu sol

Ah se eu soubesse como não parar
Ou como parar o tempo, pra você ficar

Eu faria

Rayme Soares
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Demência

Pedra estática, quando a terra treme
Pedra muda, quando o barco afunda
Pedra surda, quando da dissimulação aguda
Pedra nula, quando dela se quer um norte
Pedra-paisagem, inerte demência à mostra
Pedra abstrata, sem tom, sem forma, sem nada
Pedra inútil, se havia ou tinha é pedra velada.

Rayme Soares
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ALMA LEVE

Suave, voa linda ave leve
Quem sabe, a ela cabe e se revele
Leve, leve, leve, leve
O solo onde um encanto lhe reserve
Um voo novo, forte e sem fronteiras
Leve, leve, leve, leve
E o vento, as agruras e as barreiras
Pra longe da esperança verdadeira
Leve, leve, leve, leve
No passado, a tristeza derradeira
Uma maldade transformada em poeira
Breve, breve, breve, breve
Então, cante e voe a uma altura
Que te mantenha alma pura.
E te eleve ave leve.

Rayme Soares
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FINITO - À Mariana.

Da janela do meu quarto, entendo ser finito
Além do céu cinzento, um inerte monolito
E nada estanca a lágrima corrente no meu rosto
Tempo parado, pela dor que sinto e trago tão aflito

A vontade de esquecer, nunca esteve comigo
E se tentei estar atento, foi só pra ter contigo
Os bons intentos preservados nos momentos de um sonho
Mas da janela do meu quarto, um retrato do meu grito

Queria só te ver
Pra talvez compreender
O que não cabe mais em mim
Queria só viver
O tanto a mais pra ver
O que não cabe mais em mim
De amor

Rayme Soares
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Quando tá a fim olha e sorri pra qualquer
Qualquer toque é toque pra sinalizar
Deixando fluir sem subtrair
Quer mais somar, a maré tá pra barca embarcar

Um segundo passa
E a vida abraça uma ilusão

Quando tá a fim faz caras e bocas
Coisa louca. Marca toca sem pestanejar
“Se posiciona”, tenta um disfarce
Vê se cola e quando rola é pura ilusão

Dá na pinta à toa
O que interessa é sua coleção

Panela sem tampa, sobe e desce a rampa
Piscadela tá na tela chamando atenção
Se pinta o flagra, cara de paisagem
A cara lisa e clara, cara da contradição

Fica só de boa
Quanto tá à toa vira corrimão

Rayme Soares
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