Raimundo Santana
Caminhos disfarçados induzem à confusão.
Nada se revela; apenas se perde em sombras.
Confia em ti, vai onde ninguém penetra teus pensamentos e busca teu Criador.
Não há dúvidas nem perguntas, não há revelação nem espaço para discussão, pois não existe incerteza. Quanto mais se cava, mais se afunda. A leveza não define o peso do sucesso. Vivemos num cordel, trilhando entre metáforas e parábolas, guiados por aqueles que se dizem donos do conhecimento.
Aprenda com a vida para que não haja decepção.
Estudar não o faz sábio, o conhecimento não o faz sábio, ensinar também não o faz sábio.
Sábio é aquele que aprendeu a viver em paz com Deus e com o mundo, amando e sendo feliz.
Na verdade da vida vivida, o povo não tem segurança nem direção, precisa se agarrar a algo para não cair.
O que te impede de ser forte e vencedor na vida? Tudo depende da tua escolha: seguir adiante para vencer ou retornar ao labirinto onde te escondes.
Escuta e aprende a lição até decorar: você pode estar machucado, doente, rastejando, mas ninguém vai se importar com a tua dor. A tua dor não dói em quem apenas observa. Machucaram você, ficaram as cicatrizes visíveis, porém ninguém vai enxugar as tuas lágrimas de dor.
Jamais confie a ponto de ser enganado — vão te chamar de tolo.
Quando alguém engana o outro, perde a confiança.
Na verdade, o enganador não é esperto; apenas revela o que tem de melhor: o próprio mau caráter moral.
Quando você é um ser de alto valor e bondade, jamais será uma dúvida na vida do outro. Afinal, bons exemplos atraem para si dias melhores.
O carinho, o amor e a atenção que você doa ao próximo carregam a tua presença. Certamente não serão esquecidos, pois quem conhece as tuas qualidades sempre levará parte de você.
Fechei os olhos para curar a soberba que corrompera a ignorância junto ao orgulho vaidoso. A cura equilibrara a arrogância adormecida e despertara o pecado, por ousar falar do silêncio sem palavras.
Tentei me enganar de tantas formas,
até apagar as cicatrizes com a tua saída.
Me recordo dos sonhos, companheiro,
onde guardei tantas bobeiras com a tua partida.
Vou vivendo ao acaso,
pra não guardar lembranças
da tua saída já programada.
Se eu soubesse o que era o amor,
eu teria ido antes da tua saída.
Sim, o tempo varreu para longe de nós toda a lama acumulada no pântano que nos oprimia, sem nos trazer benefício algum.
Na hora da agonia, de noite e de dia, onde estou, há pouca alegria.
Na hora da dor, nem a calma rezou, tamanha foi o pavor.
Nas horas amargas, não há santo nem milagre que adoce a vida.
Mangou de mim no momento em que eu estava vulnerável aos teus acalantos.
Mangou e, ao mesmo tempo, saiu da minha vida,
deixando as amarras do desprezo —
um jogo perigoso.
Fechou a porta, restando a saudade,
a lembrança afundando num pântano esquecido.
Mangou de mim antes do adeus.
O lado bom de estar bem não supera expectativas para quem nada tem.
Um bom exemplo é aquele que, por não possuir nada, também não sonha desejando o que é do outro.
Afinal, de que vale ter tudo, se na soma final ninguém tem nada.
Atravessaste o deserto a passos lentos, dividindo com o sol cada grão de areia escaldante, implorando aos céus por misericórdia, para que a lua viesse acalantar as gotas do teu suor.
Tua luz não está por trás da montanha por acaso; é lá que estão aqueles que desejam ver teu brilho para permanecer na luz.
O passado passou pela curva do rio para lavar as mágoas e redimir-se das impunidades banais. A roupa não muda o caráter de quem está em decomposição; afinal, quem aborreceu o passado não será esquecido na curva do rio.
Aquele que não incomoda é apenas um observador, acostumado a viver sem grandes exigências; o pouco que tem é o suficiente para viver.
Depois da curva, o equilíbrio, a paciência e o silêncio recuaram no espaço vazio. Depois da curva, não há muito o que fazer — até o tempo mudou de rota.
Não é que ser diferente leve a outro lugar, é que a diferença incomoda quem se acostumou com a mesmice de sempre. Ser diferente não carrega o atraso do mundo; tem luz própria, nasceu para desbravar novos horizontes.
Não tenho respostas para te dar, foste tu quem aprendeu a responder por mim.
Tua voz não habita meus pensamentos, e tuas palavras já não saem da minha boca.
A confiança molda, edifica e revela que protege a pouca esperança de alguém.
De repente, o vento passa e balança, distorcendo o equilíbrio; a sintonia se fragmenta em fagulhas.
Nos pedaços de esperança abraçados repousa a segurança no mesmo lugar — afinal, a promessa nem sempre vence o combinado.
