Raimundo Santana
Para que a força, se não fere o inimigo?
Mais sábio é o caminho da paz: viver em harmonia, de mãos dadas com a própria sombra.
O amor genuíno não se veste de malícia nem de inocência: sua essência é a simplicidade, onde se esconde a força dos desejos.
Queres o meu amor para não estares só nas noites frias,
para que não acordes triste na solidão.
Queres o meu amor a teu lado — por que, se na verdade não sabes amar
Quer o meu abrigo nas horas frias, quer o meu corpo contra a tua solidão;
mas pedes o meu amor como quem pede calor — sem saber acolher o coração do outro.
Se não sei onde estou, nenhum caminho pode ser seguro; todo trajeto parece um retorno quando se insiste em caminhar sobre as pegadas antigas.
A tua beleza extravagante envolve em conforto e esbanja charme, linda mulher encantadora. Por onde quer que vá, estarei te esperando, feiticeira do amor.
Por que medir o meu regresso com um passado já esquecido? Dias melhores sempre virão para quem busca um futuro feliz, abençoado pela graça do Criador.
A vida que tens não te eleva nem te diminui diante de Deus; o que te define é o caráter e a força de vontade de viver em amor para com o Criador.
Aquele que estaciona em cima do muro certamente continuará neutro, pois lhe faltam atitude e personalidade moral.
O passado esquecido nem sempre foi resolvido diante do assombro acuado; a revelação oculta não expõe os dias difíceis de alguém que não perdoou o próprio desejo.
Tem horas em que me pego pensando em você; faço perguntas sem respostas, traço planos sem te conhecer — e, ainda assim, penso em você: deusa, mulher linda, encantadora, amante desconhecida que desejo sem conhecê-la.
Pensando em você, pergunto ao silêncio e invento planos com alguém que ainda não conheço, pensando em você a distância não assombra quando posso estar contigo em pensamentos, a tu és feiticeira que me enfeitiçou por eu te olhar.
Perguntas sem resposta, planos sem encontro. E ainda assim desejo estar contigo mesmo sabendo que não vai estar comigo, será loucura ou fascinação amar sem direção aquela mulher desconhecida.
Não quero repetir os erros de barganhar um amor que não me convém; quem experimentou a solidão não acalenta o sacrifício das cicatrizes abertas.
Não posso somar o amor às cicatrizes vividas; a vergonha esquecida será lembrança de um confronto mal interpretado, denunciando um amor enfurecido.
“Você é a elegância ao passar por mim na rua, desfilando beleza e fascinação. A tua beleza extravagante conforta esta vida devastada e castigada pela distância de você.”
A lembrança contada não explica a dor exposta, as cicatrizes que sangram à vista de todos, prontos a comentar.
A sombra do passado já não me assombra. Pode varrer, pode vasculhar meu coração — não encontrará sobras de amor, nem vestígios de lástima, não, não.
Quem dormiu em cama de couro, em colchão de capim, tomou óleo de rícino, recebeu injeção de Benzetacil, bebeu emulsão Scott com o biotônico Fontoura, comeu jacuba com carne assada, só tem gratidão aos céus por ter vivido uma infância feliz e abençoada — não a orgulho, mas a amor pela vida vivida.
Esteja firme quando o cansaço chegar; a força acumulada não se abalará nas provações, nem se abaterá nas dores vividas. Deus está presente em todos os dias, e dias melhores virão pela misericórdia d’Ele.
Há quem lute muito para reencontrar o que perdeu; mas o que se perdeu já não está diante dos olhos. Melhor é seguir adiante e recomeçar, pois assim encontrará o melhor caminho para esquecer o passado deixado para trás.
Honra cada respiração e sê grato pela vida e pela paz. Tudo é parte de nós; nada é em vão ou por acaso no mundo e no universo. Sejamos honestos conosco mesmos.
Não fui com quem partiu para outros lugares, nem estou com quem se lança em novos horizontes. Permaneço onde estou, com os pés firmes e a decisão consciente; pela graça do céu, é aqui que desejo estar.
Quando estou só, sinto um vazio pela tua ausência; mas, ao mesmo tempo, percebo tua presença tão perto e sei que não estou só. A tua graça é luz suave que habita em mim — a luz de Jesus que ilumina toda escuridão.
