Paula Monteiro
Minh'Alma é Andarilha .
Fugidia das coisas pequenas
deste mundo !
Caminha sem pressa .
Navega sem destino
Foge de barulhos
e desatinos ...
Vive ...
Nada espera !
É tão triste saber que inda
existe no mundo almas que envelhecem apenas o corpo.
Mas a mente insiste em ser tão pequena !
Que pena !
Falta muito pra atingir a maturidade .
Tomara que consiga!
Das coisas que nunca vou entender:
Gente que tanto fala de Fé e Luz
Mas vive por debaixo do pano infernizando os outros.
Falsos e hipócritas !
Inda bem que Deus tudo vê !
Todos os dias quando acordo...
Tiro os sonhos da cartola e permito-os voar.
Tomara que um dia
eles consigam o céu beijar .
A felicidade pode até não existir
Mas quando o vento bate manso
Ou a chuva cai in meu rosto
Sinto Deus me abraçando e
dançando girassóis dentro de mim ,
A felicidade é um menino
traquino jogando bola .
Florindo nos olhos
a eternidade do seu instante
sem pressa
sem preocupação
sem julgamento
sem querer saber se existe mesmo destino .
A vida é um mar
Num vai e vem de ondas
In nossa alma a se banhar.
Ora flui maresia
Ora deságua agonia ...
Mas eis que num fim de tarde
Sob o manto do vento in arrebol
O que já fora tempestade
Pode se deitar na nascente d´um novo sol.
Sempre acreditei em anjos
Eu sinto um enorme prazer em imaginá-los
Agora mesmo ...
Nesse exato momento
Um anjo pousou bem aqui dentro de mim.
Um AMOR assim
Não se encontra logo ali .
Precisa ter calma e
também sorte .
Saber conviver, dia a dia ,
com os defeitos
Aceitar a individualidade
de cada um
Respeitar o tempo e o espaço
sem magoar
Sem permitir ausência
de sentimento.
É entrega por inteiro
É ser altruísta
É se dar sem pensar receber...
Um amor assim
Não nasce da noite para o dia
Requer confiança
espaço
tempo
paciência
atenção e
afeição .
E é desse amor puro e verdadeiro
que o nosso coração precisa .
E depois que comecei a florescer
girassóis in meus silêncios,
brincar nas cirandas das entrelinhas do tempo
e a enxergar nas asas do vento
minha felicidade ...
Recuso-me a plantar e semear
em minh'alma todo tipo de vaidade .
POETA QUE É POETA
Não me aperto e
nem tenho pressa de nada !
O tempo é sempre lento
debruçado nas margens dos
meus pensamentos.
Poeta por vezes tem escada
que os levam ao arco íris e as nuvens.
N'outras tem redemoinhos nos olhos
que por entre silentes madrugadas
são orquestradas tão somente pelos
vastos sonhos.
Poeta que é poeta
Não espera
e nem tem certeza de nada
Não treina asas para viajar
Não sabe quando sua lagarta vai voar
Não empina horas exatas
Não afia flores a serem inaladas
Não ensaia versos no seu templo
Não desenha o vindouro tempo ...
Poetas não estão seguros de nada !
A não ser a eternidade da sua alma
sentada nas plumas das suas mãos
e despejadas num papel
de cor invisível encontrado no chão.
Contando histórias
quiçá vividas
imaginárias
e que talvez nascerão
ou não
no seu vasto coração.
