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5 achados que vão mudar sua rotina Descobrir

Nildinha Freitas

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Eu já perdi tanta coisa, se é que algum dia já tive. Perdi o medo de ser só e o orgulho de me achar maior. Já perdi, mas não era perda: era lição.

Nildinha Freitas

Eu já estive em dois lugares ao mesmo tempo e, ao mesmo tempo, eu continuava a mesma. Eu já estive em lugares que não quis estar. Já morei em casas que não eram minhas. Já morei em mim, sem estar em mim. Já usei máscaras, resisti, já as arranquei para ser odiada. Eu já andei por caminhos bons, por caminhos novos e por velhas estradas. Eu ainda continuo fazendo, fazendo, fazendo, fazendo por onde não me deixar de lado e me colocar em primeiro lugar. Já fiz muita coisa, inclusive errar.


Nildinha Freitas

Brasil: aqui a impunidade tem gênero
Por Nildinha Freitas


É a impunidade que mata mulheres todos os dias no Brasil.


A violência contra nós, mulheres, é algo estrutural neste país. Infelizmente, grande parte de nós cria e educa filhos homens com vantagens dentro de casa, e assim eles crescem como meninos mimados que não aceitam ouvir “não”. Se esta nação tem homens que matam mulheres, é porque o problema é muito maior do que se pode imaginar. Ninguém nasce feminicida; eles se tornam um.


Vivemos em um país em que não há punição real para quem comete este tipo de crime. Eles fazem, fazem, fazem. Continuam fazendo, continuam destruindo vidas inteiras, mas a impunidade permanece. Lemos nos jornais absurdos que chegam a ser inacreditáveis. No Brasil, são cerca de quatro mulheres assassinadas por dia. Quatro. Todos os dias. Fora as que sobrevivem, mas vivem em estado de pânico, ameaça e medo constante. Isso mostra que a violência de gênero não é exceção, mas tornou-se uma rotina cruel no país e no lugar em que vivemos.


Um homem mata uma mulher, leva o corpo até a delegacia, confessa o crime — e mesmo assim é liberado. Isso é a prova da impunidade deste país. Isso é a prova de que aqueles que nos matam fazem isso porque sabem que vão estar livres em breve. Como se a vida de uma mulher valesse tão pouco que bastasse confessar para ir embora. Como se matar fosse apenas mais um ponto na rotina de uma nação que neutraliza, normaliza e aceita a nossa morte.


É uma realidade em que a mulher vítima de violência, que sofre agressão e que finalmente encontra coragem para denunciar o agressor, muitas vezes precisa sair da própria casa, da vida construída, de suas vivências, dos seus vínculos familiares, do emprego, para viver em abrigo de proteção. Estes locais, geralmente secretos e de endereço não revelado, são a única garantia de sua segurança, mas exigem que a mulher renuncie ao seu cotidiano. A Lei Maria da Penha garante esse programa de proteção, mas ele se concretiza na punição da vítima, forçando-a a se esconder. Isso ocorre porque o afastamento do agressor e a proibição de contato quase sempre são um tiro no pé, não impedindo que eles voltem e matem. O que realmente faria sentido é que, após a análise de provas, o agressor fosse imediatamente preso e cumprisse a pena, e não a vítima ser obrigada a desaparecer. Quem já viu isso?


E por quê? Por que isso acontece? Por que os homens continuam livres?


Porque aqueles que nos machucam, que nos perseguem, que nos ameaçam, que nos matam, são tratados como pessoas com regalias. Porque as leis são frágeis. Porque a lógica está invertida.


Quem deveria estar em lugar de isolamento, em acompanhamento psiquiátrico, psicológico, antes de nos matar, são esses homens que não aceitam ser deixados, que acreditam covardemente que são donos do nosso corpo, do nosso tempo, da nossa vida, da vida de nós, mulheres. Nós, as vítimas, é que somos obrigadas a desaparecer, a nos esconder, a renunciar ao cotidiano para sobreviver.


Precisamos de terapia? Sim, é claro. Precisamos de acolhimento? Sim, sem dúvida. Mas precisamos, acima de tudo, de liberdade, de justiça e de uma reparação histórica — mais do que necessária — neste território onde estamos vivendo como nação.


A violência não acontece apenas em relacionamentos afetivos, em casamentos, em namoros. Ela também acontece nos ambientes profissionais, onde mulheres como eu são desclassificadas, invisibilizadas, desacreditadas. Onde o mundo do trabalho ainda privilegia homens. Onde até outras mulheres reforçam esse cenário quando riem caladas, quando sorriem silenciosamente, quando repetem a violência, quando sustentam estruturas que nos ferem.


A violência se percebe no olhar, na fala, na dúvida, no corte, no boicote, no silenciamento. A violência contra nós, mulheres, é muito mais grave do que se imagina. E enquanto a impunidade prevalecer nos lares, nas ruas, nos tribunais, nos escritórios, em todos os lugares, continuará existindo risco, continuará existindo medo, continuará existindo dor.


Porque no momento em que nos calamos diante de qualquer violência contra outra mulher, assinamos a certidão de óbito de muitas de nós.


Nildinha Freitas

CHEGUEI EM MIM


Eu escrevo e canto versos, poesia.
Eu escrevo.
Escrevo, escrevo, escrevo.


Falta um mundo
para descrever o que sinto.


Vivi, vivi tantas coisas.
Já passei por tantos risos.
Já andei por tantas estradas
que pareciam não ter fim.


Cheguei.
Cheguei em mim.


Nildinha Freitas

O que é o impossível?
O que é o impossível?
Isso muda de pessoa para pessoa.
Eu já não vejo o impossível em lugar nenhum; sou a prova viva de que ele não existe.
Ao longo da minha vida, olhei muitas vezes para fotografias do passado, de forma saudosista, sentindo falta de mim mesma.
Hoje, olho para fotos do futuro, para coisas que aparentemente ainda não aconteceram, mas que estão por vir.
Impossíveis para alguns, mas não para mim. Porque eles não existem.
O que existe é a falta de esperança, a falta de fé e a ausência de crença em si mesma e na própria força.
Já me perdi. Já me vi em encruzilhadas e pensei que havia errado o rumo de toda a minha existência.
Mas eu só tinha errado o caminho.
Eu só tinha errado o caminho.
Voltei e recomecei.
Nildinha Freitas

Espero que você tenha aprendido. Eu entendo, se ainda não. Eu estou entendendo que viver não é uma música de uma nota só; ela se funde em Beethoven. Não é um poema de uma estrofe solitária; é a poesia inteira de Cecília Meireles, e a minha. É um livro que simplesmente delira feito gente. É um poema meu que fala de liberdade, de amor, de quebra de algemas, de alforria. Viver, a gente aprende todo dia."
Nildinha Freitas

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Em qual mesa você está sentado?
Em qual mesa você está sentado agora? Em qual lugar você está dividindo as suas falas, a sua vida, as suas convicções? Em qual mesa você senta? Qual assunto você ouve em silêncio? Qual assunto você se cala porque não diz respeito a você? Em que momento você fala? Em qual mesa você senta? Em qual mesa você cala?
Você senta à mesa? Você conversa? Você dialoga? Você ouve? Você escuta? Você sorri das mazelas do outro? Sorri das dores do outro? Sorri da fraqueza do outro? Sorri da maldade que fazem ao outro?
Em qual mesa você está sentado agora? Na mesa que constrói um mundo melhor? Ou na mesa que torce para que tudo caia? Para que tudo desabe? Para que todos não consigam vencer? Só você?
Em qual mesa você está sentado? Qual a mesa em que você se senta agora? Qual a mesa que você pretende sentar? Essa mesa é para fazer um mundo melhor? Ou para destruir o que já existe?
Nildinha Freitas

Manifesto de Felicidade


Eu declaro para a minha vida que, na caminhada, ao invés de encontrar espinhos, eu encontre rosas e flor.
Eu declaro que só vou encontrar amor.
Eu declaro um longo e infinito tempo de paz, onde o ódio e a maldade ficarão para trás.
Eu declaro para a minha vida felicidade, sorrisos, leveza, brincar no quintal, correr com o cachorro, abraçar minha filha e minha família.
Eu declaro amar, amar e ser amada.
Declaro felicidade a cada passo da estrada.
Nildinha Freitas

Nunca vi quem Deus ama por Ele ser abandonado.
Deus conhece a cada um e sabe bem nossos acertos e o que dizem ser pecado.
Ele não nos deixa sós; permanece ao nosso lado.
Não se sinta solitário, nem tampouco tenha medo.
Amar a Deus e confiar: este é o maior segredo.
Nildinha Freitas

Transcrevo o que o coração escreve antes das palavras virarem grafia. Tudo o que sou é poesia!
Nildinha Freitas

Janela do Tempo
Passei muito tempo da minha vida acreditando que nada estava mudando, que tudo permanecia no mesmo lugar. Mas hoje, ao olhar no espelho, é como se eu tivesse atravessado uma janela temporal que subitamente me trouxe até uma mulher cheia de experiências, capaz de compreender as coisas e de enxergar o mundo com um olhar diferente. Viajei cinquenta anos para chegar até aqui. Não será agora que vou desistir. Diante do espelho, desse espelho que me transportou, vejo o quanto mudei. A pele mudou, o corpo mudou, há marcas que antes não existiam: rugas, cabelos em tons diferentes daqueles da cor original.
E ainda assim, ao olhar com atenção, vejo que, não sendo eu a mesma menina, embora ela continue morando em mim, eu ainda consigo enxergar nos meus olhos o brilho de quem quer mudar o mundo, inclusive o meu.
Nildinha Freitas

Janeiro

Hoje é dezessete. Janeiro já está indo embora. O que foi que você fez? Pergunto a mim mesma o que eu fiz até agora.
Hoje é dezessete; janeiro já se vai, batendo à porta de fevereiro, querida. E eu me pergunto: o que tenho feito? O que tenho feito da vida?
Eu sorri, eu dancei, eu cantei. Eu cantei meu samba favorito. Corri nas estradas e caminhei olhando o sol. Banhei-me nas águas do mar e da cachoeira.
Eu li o mundo como se fosse um filme: as pessoas indo e voltando às pressas. Na tela, pessoas que não olhavam de volta.
Hoje é dezessete. Janeiro já está indo embora, mas eu não.
Nildinha Freitas

A dor que não curei


A minha dor, que eu não curei, me fez machucar muita gente, até a mim.
A minha dor, a dor que eu não curei, me matou, e eu matei.
Não usei armas. Usei a dor que não tinha sido curada como espada e como faca.
Não matei literalmente; matei sem usar a força, só com a dor que eu ainda não tinha curado.
A minha dor, que eu ainda não curei, vez por outra grita, mas não ando mais por aí destilando o que dói em mim; sigo buscando a cura o tempo todo, até o fim.


Nildinha Freitas

Quando o silêncio amadurece a palavra


É importante escolher quem são meus amigos. Falo de amigos de verdade, não de amigos de ocasião. Amigos permanecem, estejamos no pódio ou no chão. Assim como é fundamental saber com quem não devemos sentar à mesa.
Tenho mais de 40 anos, e faz tempo. Para muitos, sou ultrapassada. Antiga. Mas penso que nunca, em toda a minha vida, estive tão pronta.
Nunca soube ouvir tanto quanto agora. Nunca calei tanto como hoje. E não me calo por medo de falar. Calo porque entendi que a fala é um instrumento poderoso e que só deve ser usada quando necessária e útil. O silêncio também é palavra.
E com toda essa idade, que para alguns me faz parecer jurássica, aprendi a escolher com quem me sento à mesa e a compreender que a palavra amigo não se usa para qualquer um.
Nildinha Freitas

Dizem


Dizem por aí que ser livre é cafona, que é coisa de gente brega, de quem não quer seguir os padrões sociais antropologicamente impressos há milhares de anos como os mais coerentes.
Dizem que não aceitar desrespeito é coisa de quem não tem o que fazer.
Dizem que calar é elegante, que fingir demência diante da maldade merece um prêmio diamante.
Dizem que aplaudir os “maus” traz mais resultado do que jogar na Mega da Virada, mas que a virada de chave é perigosa e não deve acontecer.
Dizem que evoluir é coisa de gente careta e que seguir o “gado” é a solução do planeta.
Dizem.
Só falam.
Não calam.
Nildinha Freitas

Olhei pela janela e vi diferente. Dessa vez, não tinha ninguém passando na rua, não tinha um passarinho beliscando uma folha, não tinha um camaleão andando despretensiosamente. Abri a janela e vi tudo diferente. Tudo estava tão diferente. A janela é a mesma, o lugar é igual. O que mudou, afinal? Talvez eu não note mais as coisas que eu notava antes. Eu mudei. Talvez eu não ouça o barulho do mundo que havia gritado o tempo todo em minha mente. Parece que tudo se aquietou. Há silêncio em mim. E isso é paz.
Nildinha Freitas

Eu quero ser feito água, que encontra caminho no meio das pedras, que não fica estagnada, parada, esperando cair mais chuva do céu para se tornar grande.
Eu quero ser feito água, que é nascente, que é encontro, que é meio, mas nunca é fim.
Eu quero ter as forças das águas dentro de mim.
Nildinha Freitas.

Sigo


​Deixar o passado para trás, perdoar por ter sido julgada e me perdoar por ter sido cruel, tantas vezes, comigo mesma e com os outros.
​Perdoar os erros que eu não sabia que eram erros.
​Deixar que o hoje, o agora, seja sempre uma oportunidade de recomeçar.
​Deixar os passos do passado como aprendizado, como ensinamento.
​Saber perdoar, porque eu também já precisei de perdão e recebi.
​Nildinha Freitas

Ó meu Deus, se algum dia, por uma fatalidade do destino, eu me perder do caminho que deveria seguir, porque todo mundo tem uma estrada a construir, me avisa, me diz, me fala. Eu não vou ter medo de ouvir.


Nildinha Freitas

Inserida por nildinha_freitas_1

Casa

Casa não é o teto
sobre quatro colunas e paredes.
Casa é gente
com a alma aquecida de amor.
É onde a gente chega sem medo,
onde a gente pode falar sem dor.
Casa não é só chão
onde a gente pode pisar,
é coração
que pulsa
sem ninguém machucar.
Nildinha Freitas

A morte não rouba ninguém
Nildinha Freitas


Um dia, quem sabe, eu saiba mais um pouco sobre esse processo que leva a morte a me alcançar. Uma corrida insana que parece que eu nunca vou ganhar. Mas o que é vencer, afinal? O que é morrer, senão continuar depois e depois?
A vida, essa que tanto estimo e à qual me apego, é um caminho que começa e nunca termina. Só muda o cenário, feito filme. Mas quem continua, protagonista da própria história, sou eu.

Tentaram me calar, impedir a minha voz. Tentaram me esconder, me invisibilizar, mas eu não aceitei. E foi por não aceitar que, quando quase morri, eu não me matei.
Tentaram me esconder, apagar quem eu sou. Mas como apagar o sol e o brilho que as estrelas têm?
Nildinha Freitas

Eu gosto do mar porque ele sempre me acalma.
O som que ele faz, o cheiro que tem me lembram o aconchego do lar, não de uma casa de teto, mas do lar materno que me habita e que um dia eu habitei.”
Nildinha Freitas

O que é sabedoria, então, senão saber a hora de sair quando não é bem-vinda e de chegar quando é alegria? Sabedoria é saber a hora de calar, quando as palavras não vão resolver. É saber a hora de gritar, quando o silêncio passa a doer. Sabedoria é saber o caminho certo, mesmo quando você não tem certeza alguma. Sabedoria não é uma coisa que nasce pronta, que você pega a chave e vai, não. Sabedoria é construção.


Nildinha Freitas

Não Foi Deus, Foi Escolha


A coisa mais bonita de Deus é que Ele não é um ser sentado em um trono onde Ele disse, isso merece, esse não. Deus não age assim. A beleza de Deus está em nos ter dado a opção de escolher, de escolher um caminho bom ou um caminho ruim, andar no que é certo ou simplesmente seguir por aí, sem rota. E o que é o caminho certo para Deus? Tem a ver com a religião, com fé, com dogma? Não, tem a ver com amor. Antes, em qualquer coisa, amor a si, depois amor ao outro, que sem dúvida também é reflexo de Deus. Deus nos deu o direito de escolher o tempo todo e isso é o mais bonito Nele, porque Deus não decide por nós. Deus ressoa o que está dentro de nós. Deus ressoa a nossa vontade, Deus ressoa o nosso desejo, Deus ressoa aquilo que somos. Se a colheita não é boa, não foi decisão de Deus. Aceite. Portanto, cuidado com aquilo que tu pedes, com aquilo que tu queres, porque Deus ressoa e às vezes esse eco acontece dentro da sua própria existência, porque ninguém está livre das consequências daquilo que escolheu.
Nildinha Freitas

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