Miriamleal
Quem usa a santidade para se colocar acima dos outros ainda não entendeu a santidade daquele que lavou os pés dos discípulos.
Quando o nosso amor é seletivo amamos quem concorda conosco, mas desprezamos quem nos incomoda, há algo que precisa ser levado para diante de Deus. Quem não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. (1 João 4:20)
Se o amor pelo próximo ainda é manco em nós, é sinal de que ainda estamos longe do padrão de Deus, porque quem ama a Deus não pode desprezar aquele que Ele também ama.
Quem se gloria, glorie-se no Senhor.
1 Coríntios 1:31
A Bíblia não foi dada para nos tornar fiscais dos pecados alheios. Foi dada para nos conduzir à verdade, ao arrependimento, à santidade e à semelhança de Cristo.
Confrontar o pecado para restaurar aponta para Cristo; expor o pecado para se sentir superior revela o ego! e ninguém se torna justo acumulando os defeitos do irmão.
Nossa justiça não está em parecer melhor que os outros; está em permanecer aos pés da Cruz, onde toda soberba cai e somente Cristo é exaltado.
Chegou a hora de tirar os olhos dos defeitos do outro e colocá-los diante da Cruz, porque Deus não levantará uma Igreja de acusadores, mas um povo quebrantado, santo e cheio de misericórdia, uma Igreja que se pareça com Cristo.
E aqui está uma das grandes tragédias da religiosidade: defender uma parte da verdade enquanto se abandona o coração da própria verdade.
Não adianta condenar o irmão por aquilo que ele fez e, ao mesmo tempo, alimentar orgulho, soberba, falta de misericórdia, desprezo, parcialidade, dureza e falta de amor.
A santidade bíblica não é uma plataforma para ficar acima dos outros.
É uma cruz que nos chama para baixo, aos pés de Cristo.
Quem realmente compreende a graça não olha para o irmão como; um coitado ainda caído , como alguém inferior ou indigno de restauração.
Olha e diz:
Se ele precisa da graça, eu também preciso.
Não adianta defender a letra da Lei e abandonar o coração dela.
Condenar o pecado sem amar o pecador pode revelar que conhecemos a verdade, mas ainda não aprendemos a viver a verdade.
Os fariseus conheciam mandamentos, mas Jesus mostrou que haviam negligenciado; as coisas mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé (Mateus 23:23).
Jesus não ensinou que devemos fechar os olhos para o pecado. Ele ensinou primeiro a tirar a trave dos nossos olhos para então podermos ajudar o irmão a enxergar com clareza. Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho.
(Mateus 7:5)
O problema começa quando alguém transforma a Lei de Deus em uma lupa para examinar os outros e em um véu para esconder a própria necessidade de arrependimento.
Há pessoas que conseguem enxergar com enorme facilidade o erro, o pecado e a queda do outro, mas parecem perder a visão quando precisam olhar para dentro de si.
Focam tanto no cisco do irmão que esquecem a trave nos próprios olhos.
Não use a Palavra como arma contra os outros e como escudo contra si mesmo. A Bíblia não foi dada apenas para corrigir o irmão, mas primeiro para confrontar o nosso próprio coração.
Que o Senhor nos livre do orgulho religioso, que constrói muros onde Cristo estendeu uma mesa. E que encontremos, diante do pão e do cálice, não razões para exaltar homens, mas motivos para adorar Aquele que nos recebeu pela graça.
Porque a mesa é santa. Mas santo, acima de tudo, é o Dono da mesa. E onde Cristo reina, a verdade caminha de mãos dadas com a justiça, e a justiça jamais se separa do amor.
A Ceia é santa, a disciplina é necessária quando aplicada conforme as Escrituras, mas tudo deve ser conduzido sob o senhorio de Cristo, com verdade, justiça, graça e propósito de restauração.
A cruz nunca foi um símbolo de rejeição aos arrependidos. Ela é a prova de que Deus prefere resgatar a perder, reconciliar a abandonar, e incluir em Sua família todo aquele que, em fé e arrependimento, volta para Ele.
Deus chama ao arrependimento e à santidade, mas Seu propósito é sempre a reconciliação e a restauração dos que se voltam para Ele.
A Ceia não pertence aos títulos da terra.
A Ceia pertence ao Cordeiro.
Antes de olhar quem está à mesa, precisamos olhar para Aquele que preparou a mesa.
O Cordeiro é o centro.
A cruz é o fundamento.
A Ceia é memória de Cristo.
A mesa é dEle.
O pão aponta para Ele.
O cálice anuncia a nova aliança.
E toda a glória pertence a Ele.
A grande mensagem da cruz é esta: o pecador que estava longe foi aproximado pelo sangue de Cristo, o perdido foi encontrado, o morto recebeu vida, o que caiu foi restaurado e o inimigo foi reconciliado com Deus tudo pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo.
Efésios 2:13; Lucas 15:24; Efésios 2:4-5; Gálatas 6:1;Romanos 5:10
