Miriam Da Costa
Nada é tão complicado
que não se possa simplificar.
E isso é exatamente o oposto do que o mundo nos ensina, né?!
O mundo, em geral, complica tudo
para depois, de um modo ou de outro,
vender soluções.
Simplificar é um ato de coragem.
É tirar a máscara.
É apagar o ruído.
É liberar-se do supérfluo e do fútil
e permanecer somente
com o que realmente vale a pena
e é essencial.
✍@MiriamDaCosta
Seja mais águia e menos papagaio...
O papagaio é curioso,
olha por olhar,
fala muito
e voa baixo.
A águia é silenciosa,
observa com atenção,
mas...
é capaz de ascender ao céu.
✍ @MiriamDaCosta
Sempre e nunca
são palavras perdidas
dentro de si mesmas...
Carregam o peso
de um abismo sem bordas
promessas eternas
que o tempo desmente...
São ecos que se diluem
no silêncio das horas
labirintos verbais
onde a alma tropeça...
✍ @MiriamDaCosta
Ser coerente requer muito de quem é pouco equilibrado entre as falas e as atitudes.
Ser coerente dói mesmo...
É fácil falar bonito, o difícil é sustentar na prática, todos os dias.
Quem é pouco equilibrado entre a fala e a atitude vive nesse conflito interno: a boca fala uma coisa e o comportamento entrega outra.
Aí a pessoa se perde, e quem está diante
ou do lado percebe. E como percebe!!!
Coerência é basicamente alinhar 3 coisas:
1. O que você pensa
2. O que você fala
3. O que você faz
Quando uma dessas falha, a gente sente que tem algo errado, mesmo sem saber ou querer explicar... o que se explica por si só.
E sabe o pior?!
A falta de coerência cansa mais quem é coerente.
Porque você fica esperando que a pessoa seja igual ao discurso bonito dela.
A coerência mora longe (muito longe) da falsidade e da hipocrisia.
✍ @MiriamDaCosta
Aprecio os pactos silenciosos
o tributo que não requer
solicitação
e a afeição que não carece
de exigências...
É na ausência do pedido
que floresce a entrega
mais pura
como a água que corre livre
sem esperar reconhecimento...
Gosto da ternura
que se insinua
no simples repouso
de um olhar
na presença
que se faz companhia
mesmo em silêncio
na mão que não prende
mas sustenta...
Porque o amor
verdadeiro
é aquele que respira
no intervalo das palavras
que se nutre
do gesto despretensioso
e se abriga
na confiança do invisível...
Nada exige
nada negocia
é pacto
de alma com alma
é juramento
sem voz
é raiz
que cresce no íntimo
e não precisa
provar sua existência
para permanecer...
E quando
o mundo ruir
quando
as máscaras caírem
e os corpos
forem apenas pó...
restará ainda
essa chama
incendiando
a memória
marcando a carne
com cicatrizes sagradas
lembrando
que só o que foi livre
foi também eterno...
O pacto arde
como ferro em brasa
atravessa os ossos
devora as veias
sangra silêncio
e renúncia...
E nesse corte
inevitável
na nudez
sem disfarces
descubro que o amor
é faca e é cura
abre a ferida
mas também
a eterniza.
✍©️@MiriamDaCosta
Eu queria sorver
o sangue da alma
dos poetas
sonhadores
doces e gentis ...
e inocular
glóbulos de poesia
nas veias
dessa humanidade.
✍ @MiriamDaCosta
As vezes...
é tanta idiotice
mas TANTA !!!
que eu chego ao punto
de me sentir como
um peixe fora d'água...
e de sentir uma vergonha
IMENSA
de "pertencer"
a tudo isso...
as vezes ...
acho que nasci
no mundo errado...
quem sabe,
na época errada...
outras vezes ...
tenho a convicção....
Minh'alma é assim...
de outros tempos.
Sei lá...
✍©️ @MiriamDaCosta
A chuva 🌧
O céu cinério
derrama sobre a terra
seus versos invernais
lavando da memória
o pó das horas secas
tecendo no barro úmido
o sopro das sementes...
As gotas
bênçãos líquidas
beijam as folhas
com ternura
escorrem como preces
pelas veias verdes
das plantas
até que cada ramo
se curve
em humilde gratidão...
O ar
saturado de frescor
convida à pausa
ao recolhimento sereno
onde o silêncio se aninha
no coração que escuta
o pulsar escondido da chuva...
As gotas da chuva
embalam as folhas
com devoção
cada uma
como um salmo breve
que se dissolve
na penumbra do verde...
Elas deslizam lentas
como se quisessem eternizar
o instante do toque
até se perderem
no ventre da terra
onde a vida adormece
em germinação....
O ar
úmido e denso
inspira o corpo ao silêncio
como se o tempo
tivesse recuado
para que a alma pudesse
respirar consigo mesma...
E, no recolhimento profundo
o mundo parece rezar
com a voz silenciosa
dos versos da chuva...
✍ @MiriamDaCosta
Sinceramente, penso que é uma forma de autoentrega quando alguém diz
que a minha composição, que acabou de ler,
veio do "ChatGPT".
Componho versos e frases desde o tempo
em que se usava a máquina de escrever
e o celular nem na imaginação existia.
Por favor!
Seja mais discreto quanto ao próprio DESPEITO
e respeite o poder da inspiração e da criação que corre nas minhas veias.
Fique em paz🕊
Seja paz🕊
✍@MiriamDaCosta
A vida é curta demais
e o mundo cruel demais
para gastarmos energia
com curtos-circuitos maldosos.
✍@MiriamDaCosta
As almas poéticas
não vieram ao mundo
para serem analisadas
e compreendidas...
Mas... sim,
para serem sentidas
e vividas.
✍©️@MiriamDaCosta
A IA não é a questão em si,
mas sim o sujeito que faz uso dela,
acreditando que todos têm uma inteligência
a ser subestimada.
✍@MiriamDaCosta
- Quanto vale a vida?
(Perguntei ao Tempo)
E Ele me respondeu:
"- A vida vale o segundo
de uma eternidade."
✍@MiriamDaCosta
( DiálogosPoéticos )
Eu queria ser o veneno
mais micidial do mundo
para poder exterminar
o embrião da crueldade
no útero pulsante da Terra.
Dissolver o feto da fome
calar o choro prematuro
da guerra
estancar com ácido
o sangue da injustiça
que escorre em silêncio
pelos becos da alma humana.
Ser o soro letal
na veia da maldade
a sentença final
para o ódio hereditário
que se reproduz
no ventre do tempo.
Mas sou só palavra
gota de fúria lírica
a ferver num poema
que sangra...
✍@MiriamDaCosta
Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que diante
das tempestades
eu sou um tsunami.
Não me escondo
me transbordo.
Não me quebro
me reconstruo.
Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que diante
das tempestades
eu sou um tsunami .
Expilei fúria
saboreei raízes
enguli certezas
e devorei sobrevivência...
Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que
diante das tempestades
eu sou um tsunami.
Sepultei mortos
dentro de mim
afoguei segredos
nos meus mares
que nunca
tocaram a praia...
Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que diante
das tempestades
eu sou um tsunami.
Eu não grito
Eu não fujo
Eu não peço abrigo
Eu me desfaço
em águas calmas
e me refaço
em ausência serena
Sou o eco
do que foi varrido
sou o vazio preenchido
depois da perda
sou o que se encontrou
e que permaneceu
mesmo quando
quase tudo se perdeu...
Eu não passo
eu marco
eu fico.
Então,
por isso digo
e repito:
Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que diante
das tempestades
eu sou um tsunami.
✍ @MiriamDaCosta
Vento ventou ventania
desde as mudanças climáticas
e o El Niño
passando pela insensatez humana
até as devastações sistemáticas
da crença na terra plana.
O mar sobe calado
enquanto o mundo discute
se o fenômeno existe ou não...
seguimos com o olhar embaçado
assistindo a tragédia que repercute.
A seca racha a terra
e enquanto a gente ri do alerta
há quem declara guerra
e o "dane-se o mundo" é a oferta.
E o vento continua ventando ...
e o mundo segue ignorando
e cada vez mais, se ferrando.
✍@MiriamDaCosta
🍃A bertalha e a minha memória afetiva👵
Tenho bordada na memória a culinária caipira da minha avó.
Na Zona da Mata mineira, o fogão a lenha ficava do lado de fora da casa, ao lado da cozinha.
Era ali, naquele fogo manso, que ela preparava quitutes cujos aromas despertavam o apetite até da paisagem.
A roça inteira parecia parar para desfrutar o aroma.
A bertalha, essa folha viçosa, carnuda, de um verde que brilha, como essas que colhi hoje e lavei, era presença certa.
Nascendo generosa pelos cantos do quintal, quase como mato para quem não conhece, mas para minha avó era riqueza pura.
Refogada com alho, cebola, açafrão da terra e outros temperos típicos da culinária mineira, aquele cheiro subia e impregnava o quintal inteiro.
Afogada na sopa, escorrendo aquele caldinho esverdeado que confortava a alma:
ou ainda enroladinha com linguiça e angu,
no capricho que só ela sabia fazer.
Era o verde que abraçava.
Hoje, ao lavar folha por folha, sinto de novo o cheiro da fumaça mansa, o estalo da lenha e a voz dela me chamando para a mesa.
A bertalha não é só PANC,
não é só alimento.
É colo. É um dos fios do cordão umbilical
que me liga à minha história caipira, à mão da minha avó que temperava tudo com ternura.
É a minha memória afetiva servida no prato.
✍@MiriamDaCosta
